3 de junho de 2026

A eficiência energética e a iluminação residencial e pública

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Do Blog Infopetro

Por Renato Queiroz

A crise no setor elétrico brasileiro ainda está presente. A situação da Petrobras diariamente debatida na mídia acaba por encobrir as dificuldades que o setor de eletricidade vem passando. Há termos como rombos financeiros, preços altos das contas de luz, riscos hidrológicos, racionalização no uso da eletricidade, entre outros, que circulam na maioria das análises sobre a situação do setor elétrico.  Cada um desses termos pode dar origem a um ou mais artigos. Afinal o setor elétrico brasileiro passa por uma série de fatos negativos que se encadeiam, dando margem a diversas análises.

Como a situação futura do abastecimento energético é um ponto de interrogação, as ações para economizar energia devem ser consideradas como medidas estratégicas e urgentes da política energética.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em seus estudos para elaboração do Plano Decenal de Energia (PDE 2023) estimou que o montante total que deverá ser conservado de eletricidade é de 54 TWh. Isto significa que nas projeções do consumo total de eletricidade, esse montante já foi abatido. Para que se tenha uma referência do que corresponde a esse valor, o consumo de eletricidade mensal brasileiro hoje gira em torno de 40 TWh. Assim, o que foi apontado nas projeções da demanda de eletricidade do governo no final do período do PDE corresponde a cerca de um mês e meio do consumo total atual.

O estudo da EPE destaca que o setor residencial deverá ter um papel importante nesse processo devido à substituição de lâmpadas ineficientes e também pela penetração da tecnologia de energia solar na geração distribuída.

Realmente, destacando o consumo nos segmentos de iluminação residencial e também no de iluminação pública, pode-se inferir que haverá redução tanto pelo alto preço das tarifas, quanto pelo plano de metas estabelecido pela Portaria interministerial 1007/2010.  O referido ato jurídico estabeleceu que a partir de julho de 2014 estaria proibida a comercialização de lâmpadas incandescentes com potências superiores a 60W que não atendessem aos níveis mínimos de eficiência energética [i]. Com a conta de luz pesando cada vez mais nos bolsos dos consumidores, a troca de lâmpadas nas residências e na iluminação pública é uma ação que pode ser priorizada por cada morador e pelos gestores públicos responsáveis pela iluminação dos logradouros. Caso um processo maciço de troca de lâmpadas eficientes ocorra em boa parte das residências e nas ruas dos municípios brasileiros, a economia do consumo de eletricidade será grande. Atualmente a tecnologia da lâmpada LED (Light Emitting Diode) traz uma grande economia de eletricidade. O problema ainda é seu custo, bem mais alto do que o de uma lâmpada de menor eficiência.

O Brasil não teve uma estratégia adequada nesse campo quando houve o racionamento de 2001. Naquele momento, poderia ter sido criado um programa de incentivos para as empresas migrarem da tecnologia incandescente para as mais eficientes. A China investiu nas lâmpadas fluorescentes compactas e sugou a produção mundial. O Brasil, na contramão de um planejamento industrial com visão estratégica, não incentivou suas fábricas para migrarem das incandescentes tradicionais para as fluorescentes compactas, por exemplo. Como o foco sempre foi priorizar a oferta de eletricidade mais sustentável, as medidas de economia de energia voltadas ao consumo nunca foram colocadas no mesmo nível de importância. Atualmente há uma forte dependência de produtos importados voltados para a iluminação. Isso dificulta a decisão do consumidor de substituir suas lâmpadas, pois fica sem saber se investe agora em novas lâmpadas e luminárias para um retorno financeiro no futuro.

No caso dos logradouros, segundo o portal e-cidadania [ii], a iluminação pública está concentrada nas cidades e ocupa 15 milhões de pontos de luz, sendo uma despesa que absorve grande parte da receita disponível dos Municípios. O próprio portal alerta que o sistema de iluminação a LED exige um conhecimento técnico para sua aquisição e instalação. Caso determinadas avaliações não forem observadas haverá prejuízos nessa opção. As luminárias para lâmpadas a LED a serem utilizadas nas ruas exigem altos investimentos e os fabricantes dão um exíguo prazo de garantia. Assim, o conjunto do equipamento luminotécnico fica dispendioso para as prefeituras, considerando a relação custo x benefício.

Há uma proposta descrita pelo portal citado acima que é o uso do gás argônio em luminárias LED com 10 anos de garantia mínima de fábrica. Isso traria maior facilidade de decisão dos gestores municipais para a reforma da iluminação pública por lâmpadas mais eficientes. Mas essa solução ainda não deslanchou.

Assim o processo de substituição por lâmpadas mais eficientes nas residências ou em cada logradouro público não se prende à compra e instalação de lâmpadas. São necessárias ações de política pública para a difusão de tecnologias para uma iluminação eficiente. (…) continua no Blog Infopetro

Ronaldo Bicalho

Pesquisador na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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7 Comentários
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  1. Athos

    30 de junho de 2015 3:48 pm

    Perda de tempo…

    Na boa, uma bla bla bla interminável.

    Notei isso aqui:

    “…não incentivou suas fábricas…” Que fábricas? Deve estar se referindo a empresas nacionais como a FIAT do Brasil. O Governo tentou mas no NOSSO congresso lobbies são SEMPRE muito bem recebidos e foi isso que aconteceu.

    Não houve incentivo porque os fabricantes não estavam a fim. Simples assim! Governo sem pulso e sem PLANO, da nisso!

     

    Aí o cara me vem falar de iluminação pública e nem uma palavra sobre Municípios, que são os que, de acordo com a Constituição, devem fornecer a iluminação. Mas que não fornecem… e estamos falando do que mesmo?

     

    Para finalizar, o problema do Brasil não é economia ou desperdício, é de falta de OFERTA.

    Então, pra que discutir isso? Principalmente AGORA que O Governo enxugou os fundos setoriais para ESTE FIM…

    Havia programas em endamento, projetos ambiciosos para TROCA das lâmpadas que foram INTERROMPIDOS.

    O GOVERNO extinguíu o FUNDO SETORIAL porque as distribuidoras, parte do SISTEMA, quebraram.

    Quando isso aconteceu, o pessoal aqui do blog, bateu palmas, como focas amestradas.(Posso postar o link para vc se ver batendo palmas)

    Afinal de contas, tem que defender os Municípios, hehehe. Não da para acertar tudo.

  2. Anarquista Lúcida

    30 de junho de 2015 8:11 pm

    Lâmpadas fluorescentes têm MERCÚRIO

    E constituem um problema ambiental imenso. É a maior insensibilidade ambiental proibir as lâmpadas incandescentes quando a única opçao acessível ao bolso das pessoas sao essas lâmpadas VENENOSAS, que vao distribuir mercúrio a torto e a direito, intoxicando e matando pessoas. Isso é pôr o econômico acima de qualquer outra consideraçao de sustentabilidade.

     

    1. Almeida

      30 de junho de 2015 8:22 pm

      É possível manter programas de recolhimento.

      Basta vontade política, para implantar programas onde o consumidor tenha decontos com a apresentação de lâmpadas usadas, como se fazia com a reciclagem de cascos de cervejas e refrigerantes no passado. Quem quiser autorização para fabricação e revenda das lâmpadas, deve também apresentar programas de recolhimento de produtos inutilizados.

      Além disso, essas lâmpadas poderiam ser barateadas, com desoneração de impostos para incentivar a adesão dos consumidores.

      1. Anarquista Lúcida

        30 de junho de 2015 8:26 pm

        Isso diminui os danos, mas nao os exclui

        Porque elas disseminam mercúrio no ambiente quando usadas (quem tem intoxicaçao por mercúrio sabe disso). Isso sem falar nos riscos de quebra, etc.

        Vc sabe que, na Alemanha, quando se quebra um termômetro analógico a sala do hospital é evacuada? Pois é, eles sabem dos riscos. Aqui ninguém dá a mínima para o problema da intoxicaçao por mercúrio.

        1. Almeida

          30 de junho de 2015 10:22 pm

          Correto. Você se refere a lâmpadas fluorescentes.

          A contaminação de mercúrio, quando quebram ou há descarte incorreto, e a emissão de ultravioletas são dois incovenientes dessas lâmpadas, por isso devem ser providenciado políticas preventivas para o problema do descarte. As lâmpadas LED não apresentam esses inconvenientes, são mais caras, mas de duração mais longa, portanto têm um ciclo mais longo para o descarte, políticas preventivas de reciclagem também são aconselháveis para seu uso.

          Veja suas vantagens: http://www.ledmania.com.pt/index.php/vantagensled

          Uma residência humilde, tipo apê ou casinha de dois quartos, gastaria de 150 a 200 pratas para colocar uma iluminação a base de LED, pesaria no orçamento das famílias mais modestas tal investimento inicial, embora dê retorno seguro a médio prazo, o que levaria muitos a desistirem. A solução passa por reduções fiscais e créditos com taxas mais amigáveis no financiamento dos produtos. Linhas de financiamento para reformas residenciais poderiam ser adotadas em tal solução.

          1. Anarquista Lúcida

            30 de junho de 2015 10:32 pm

            Sobre as de LED nada sei

            Só que sao relativamente caras. Por mim, comprei 900,00 de lâmpadas incandescentes quando soube que seriam proibidas. Acho que tenho lâmpadas para o resto da minha vida útil, rs.

  3. Athos

    2 de julho de 2015 5:26 pm

    Lampada de LED custa MENOS

    Lampada de LED custa MENOS que lâmpadas comuns.

     

    Só isso que eu te falo.

     

    Abraço

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