4 de junho de 2026

75 anos do filme  “A Felicidade Não Se Compra”, por Jorge Alberto Benitz

Eis um dos poucos momentos em que este agente demoníaco chamado dinheiro assume uma dimensão simbólica de generosidade, solidariedade.

75 anos do filme  “A Felicidade Não Se Compra”

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por Jorge Alberto Benitz

Sempre passava batido quando me deparava com o filme “A Felicidade Não Se Compra” de Frank Capra e tendo como protagonista um jovem chamado James Stewart. Li que ele está neste mês fazendo 75 anos. Resolvi assisti- lo. Mas bah! Que beleza de filme. Aviso que vai rolar muito spoiler a partir daqui.

Versa sobre um construtor imobiliário que age de modo peculiar, isto é, ajustando a compra da casa aos recursos financeiros das familias e confiando que as  pessoas cumpririam sua parte ainda que em prazos mais alongados e assim faz com que consigam construir suas casas que de outro modo não conseguiriam. Seus planos iniciais era estudar em outra cidade maior. Planos que foram água abaixo com a morte de seu pai. Devido a este jeito peculiar de levar adiante seus negócios torna- se um empecilho aos projetos ambiciosos do homem mais rico e poderoso da cidade. A despeito de todos os problemas enfrentados por ele, criados pelo seu rival,  consegue ir adiante aos tr ancos e barrancos. Neste interim, ele se casa com uma mulher maravilhosa e logo torna- se pai. Com o andar da vida ele tem mais filhos.  Até aí, tudo nos conformes do american way of life.

Seu tio que era um sujeito muito alegre e desmemoriado sai para ir fazer depósito no banco do vilão milionário e cria uma confusão que resulta na perda do dinheiro que ele iria depositar. Na verdade, esqueceu o dinheiro dentro de um jornal. Era todo o capital que restava na empresa. Pior, o dinheiro foi parar nas mãos do Sr. Potter, nome do banqueiro, que, em um primeiro momento, pensou em devolve- lo. O diabinho da ganancia deve ter sussurrado em seu ouvido algo e este decidiu ficar com o dinheiro. Percebeu que assim tinha um trunfo na mão para vergar o unico empresário que resistia a seu poder na cidade.

Tal situação era um golpe fatal nas finanças da  empresa de George Bailey, nome do personagem de James Stewart. Prevendo a derrocada da empresa ele entra em crise pessoal. Comeca a ficar agressivo com a mulher e com os filhos. Desesperado se põe a beber e bate seu carro em uma arvore. É xingado pelo dono da casa que tinha grande afeto pela arvore plantada por seu pai ou antepassados defronte a casa. Depois desta altercação ele sai desorientado e vai parar em uma ponte. Lá passam em sua cabeca pensamentos suicidas que o levam a pensar em se atirar dela para por fim a sua vida.

Antes que isso aconteça alguém se atira na água revolta do rio e ele se vê na obrigação de salvar aquela pessoa. Curiosamente, esta pessoa diz a ele, depois de estarem ambos a salvo, que salvou- o. Ele não entendeu nada. Tinha sido ele que salvou o sujeito e não o contrário. “Sou seu anjo da guarda. Se eu não tivesse me atirado antes voce faria isso” respondeu aquele estranho criando uma estranha situação.

Daí em diante se desenrola uma saga cada vez mais incompreensivel para George Bailey. Era o plano do anjo Clarence em ação. Queria mostrar a ele que a vida dele era importante não importa os reveses que se passa. Tudo que ele vivenciava agora configurava um mundo sem sua presença. Começa ele voltando ao local onde bateu na arvore. O dono da casa defronte a arvore, com quem ele tinha discutido,  disse que não o conhecia. A arvore que tinha sido avariada pela batida nao tinha nenhum sinal da batida do carro. Na sequencia, ele se depara com pessoas que foram atingidas pelo sofrimento e pela dor porque viviam em um mundo, no caso, em uma cidade,  sem alguém com o coração generoso e bondoso dele. Ninguém mais o conhecia. Até sua esposa fugiu dele, pensando estar sendo acossada por um louco ou tarado.

Quando tudo parece se encaminhar para um desfecho terrivel, acontece o inesperado. Antes que o prendam como responsável pela falência da empresa que resultava em prejuizo para todos que investiram nela, sua esposa consegue convencer os moradores a ajuda- los a sair da enrascada. Todo mundo se sensibilizou e contribuiu para que ele juntasse os 8 mil dolares, que na época era um dinheirama. Eis um dos poucos momentos em que este agente demoníaco chamado dinheiro assume uma dimensão simbólica de generosidade, solidariedade.

Happy end. Só que precedido de um belo hino a vida que merece ser vivida não importando os revezes que se possa enfrentar e, ao mesmo tempo, uma crítica dura ao capitalismo e seus agentes, no caso o banqueiro Potter. E ao mesmo tempo revelando que outro mundo, outra forma de vida que não a capitalista,  é possível. E é bem melhor em todos os quesitos humanos que se quiser avaliar.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. ULISSES

    21 de dezembro de 2021 6:45 pm

    Caramba, um clássico e só agora o viu? Não deve ser cinéfilo!

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