Enquanto o Brasil vive um apagão de dados em virtude da inoperância do Ministério da Saúde sob a tutela de Marcelo Queiroga, as estimativas para o desenrolar da pandemia no País, considerando a cepa Ômicron do coronavírus, tem chamado atenção de cientistas como Miguel Nicolelis e Margareth Dalcolmo, figuras referenciais no enfrentamento à crise.
Em entrevista à TVGGN, Nicolelis reforçou que os dados recentes da Universidade de Washington para o Brasil não gerou a comoção que deveria. Mas a instituição aponta que com a variante menos agressiva, porém muito mais contagiosa, o Brasil tende a chegar à marca de 1,3 milhão de novos casos por dia até o final de março, caso a atual gestão da pandemia não mude de curso.
“A estimativa feita pela Universidade de Washington, que ainda não despertou o choque necessário, a previsão é de que se a coisa continuar como está, sem nenhuma medida não farmacológica adicionada à vacinação, o Brasil vai chegar a 1,3 milhão de casos ao dia no final de março. Isso acabou de sair. É um dos centros de maior reputação dos EUA”, explicou.
À TVGGN, a médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, frisou que a cepa Ômicron tem uma taxa de transmissão (fator R) de quase 6, um valor muito superior à cepa original de Wuhan. Isso faz com que o vírus se alastre com muito maior facilidade. E a decisão de relaxar as medidas de segurança – uso de máscaras, distanciamento, redução de pessoas em espaços públicos, etc – somada às festas de final de ano, criou o cenário ideal para a pandemia atingir um estágio jamais imaginado.
“É alucinante. A impressão que eu tenho é que nós vamos todos nos contaminar, mais cedo ou mais tarde. O crescimento não é aritmético, é geométrico, é exponencial.”
Até agora, a Ômicron demonstrou ter letalidade menor do que a cepa original do Sars-Cov-2. Porém, como produz uma base de infectados muito maior, mesmo que tenha baixa letalidade, o volume de pessoas que vai precisar de atendimento hospitalar pode ser maior, e isso tende a provocar o colapso do sistema de saúde, tão temido desde o começo da pandemia.
Assista à entrevista completa abaixo:
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