5 de junho de 2026

Quais respostas a pesquisa Quaest traz a Lula e Bolsonaro para avançar nas eleições 2022

Cientistas políticos afirmam que estratégias e discursos de Lula e Bolsonaro serão decisivos para definir os votos das eleições 2022
Bolsonaro x Lula
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - Daniel Pinheiro/Agência Brasil

O resultado das eleições presidenciais 2022 dependem das estratégias adotadas tanto por Lula, candidato favorito nas pesquisas, quanto pela segunda opção mais distante do eleitorado, Jair Bolsonaro, nos próximos meses e nos respectivos discursos. É o que interpretam cientistas políticos com o resultado da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (16).

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Para isso, as estratégias políticas serão chave para o processo eleitoral deste ano. Se, ao mesmo tempo, há uma pequena melhora na imagem do presidente Jair Bolsonaro, caindo 7 pontos percentuais a rejeição ao seu governo e aumentando 5 pontos a aprovação, tal resultado seria um efeito do programa social Auxílio Brasil, segundo o cientista político da CEBRAP, Fernando Meireles.

“Há sinal grande de que o Auxílio Brasil está fazendo a diferença”, escreveu. Segundo ele, por outro lado, essa melhora para Bolsonaro diminui ainda mais as chances para um terceiro candidato, como o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), no campo da chamada “terceira via”. “Mais, o terreno para uma terceira via aparece cada vez mais estreito”, completou.

Para Cláudio André, professor de Ciência Política da UNILAB e autor de “Para onde vai a política brasileira?” (editora Appris), mesmo com o pequeno avanço da imagem de Jair Bolsonaro, a pesquisa mostra que “o cenário de voto estimulado ainda é favorável a Lula”.

Ainda assim, ele pontua que é preciso ficar atento aos próximos avanços da disputa: “Bolsonaro iniciou um movimento de recuperação do seu governo que pode melhorar a sua intenção de voto nos próximos meses, em especial, recuperando terreno entre seus eleitores de 2018.”

O jornalista e consultor político Thomas Traumann, que atuou na Secretaria de Comunicação Social e porta-voz do governo Dilma Rousseff, explica que as eleições 2022 terão forte impacto do chamado “voto útil”, tanto para Lula, quanto para Bolsonaro.

“Com Lula e Bolsonaro concentrando os votos e as paixões populares, a pergunta natural é: ‘os eleitores dos outros candidatos podem mudar seus votos para evitar que um dos dois vença?’ A resposta na pesquisa Quaest é ‘sim’.”

Isso porque aos eleitores que responderam à pesquisa que não votariam nem em Lula, nem em Bolsonaro, 34% afirmaram que votariam em Lula se ele tivesse a chance de ser eleito em um primeiro turno e 23% afirmaram o mesmo para Bolsonaro.

“Isso significa que se um dos dois líderes perto de ganhar no 1.o turno, Lula tem a possibilidade de arrebanhar mais 8,5 pontos percentuais (o que equivale a 34% dos 25% que disseram preferir Nem-Bolsonaro-Nem-Lula), enquanto Bolsonaro pode subir até 5,7 pontos percentuais.”

Como resultado, expôs: “como Lula tem a torcida de 44% e Bolsonaro só de 25%, se houver uma campanha de voto útil pró-Lula, o ex-presidente tem chance de eventualmente fechar a eleição no primeiro turno se estiver perto dos 50% e fizer um grande esforço juntos aos eleitores não-lulistas.”

Para o doutor em ciência política e professor da UFPE, Adriano Oliveira, a situação econômica do país será chave para o pleito em 2022, mas as chances de Lula permanecem superiores à de Bolsonaro. “A possibilidade de vitória de Lula no primeiro turno é forte, possibilidade da vitória de Lula no segundo turno também é forte.”

Segundo ele, “não existe recuperação da popularidade de Bolsonaro, por enquanto”. “A recuperação está dentro da margem de erro, portanto nós não podemos falar, ainda, em recuperação da popularidade do presidente da República.”

Como impacta a disputa de discursos

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a pesquisa traz respostas para ambos os candidatos avançarem junto ao seu eleitorado para o pleito de outubro.

Para o atual mandatário, a queda na preocupação do brasileiros -de 67% para 44%- pela pandemia de Covid-19 favorece a imagem do presidente, que havia sido abalada pela má gestão sanitária.

Imagem

Da mesma forma, 76% dos brasileiros afirmaram que qualquer presidente teria dificuldade de enfrentar a pandemia, o que minimiza a responsabilidade de Bolsonaro, e 54% do ouvidos afirmaram que Bolsonaro “acertou” ao lutar contra o isolamento por prejudicar a economia.

No discurso que deve ser modificado pelo atual mandatário, Felipe Nunes aponta a campanha anti-vacina e ter minimizado a doença. “Onde Bolsonaro errou? 76% dos eleitores concordam que o Brasil tinha condições de se sair melhor na pandemia se o Bolsonaro não tivesse feito campanha contra vacina e 63% discordam que Bolsonaro estava certo ao minimizar a força da pandemia.”

Do lado de Lula, o diretor da Qaest explica que o líder do PT enfrenta como maior dificuldade o discurso da Lava Jato. “Para 58% dos eleitores, Lula fez um governo ótimo ou bom quando foi presidente, mas quase metade (46%) acredita que ele foi condenado corretamente nos processos da Lava-Jato. Esse seja talvez o maior problema que Lula tenha para fazer campanha hoje.”

Ao mesmo tempo, se confrontar a Lava Jato pode ser um obstáculo para o candidato, a maior parte de seu eleitorado efetivamente concorda que o ex-presidente é inocente.

Na visão de Felipe Nunes, “quem ganhar a guerra das narrativas, deve ganhar a eleição”.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados