4 de junho de 2026

Sobre os engenhos de mentiras e suas moendas de notícias

Nas últimas semanas a imprensa brasileira, que já era mais desvairada do que a Paulicéia de Mário de Andrade, ficou completamente biruta e fez algo quase impossível: voltou no tempo. Agora, salvo raras exceções, toda redação de jornal se parece mais com um engenho de açúcar que só produz uma coisa: mentiras. Explico.

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Pressionados e censurados pelos editores, as mais novas encarnações dos ferozes capitães-do-mato do século XVII, os jornalistas tem sido tratados como negros-coisas. A fim de derrubar Dilma Rousseff, eles tem sido moídos na lida em troca de salário vil enquanto fazem girar as imensas moedas de notícias.

Mas das moendas não saem notícias. Tudo aquilo que engrandece o Brasil e seu povo e que confere mérito ao governo Dilma viram bagaço descartável. A destruição da reputação da presidenta, do PT e de alguns petistas é o único produto refinado nos tachos de cobre. As mentiras são curadas, moldadas, embaladas e exportadas sempre levando em conta o lucro daqueles que querem abocanhar os trilhões de dólares do pré-sal mediante  “generosas doações” aos donos dos engenhos de mentiras.

A propaganda favorável aos corrompidos políticos do PSDB/DEM e contra a Petrobrás  é a nova cachaça. E assim como o subproduto útil dos engenhos de cana do passado era dado aos negros-coisas para aliviar seu fardo, a propaganda que sai das moendas de notícias é entregue aos descendentes deles para que os mesmos fiquem satisfeitos e quietos nas novas senzalas. Tudo é feito para preservar a paz nos latifúndios a fim de que os senhores brancos possam fazer negócios lucrativos.

O ciclo do açúcar se foi, o ciclo do petróleo o fez retornar nas redações dos jornais. Um velho Brasil decrepito segue mostrando sua cara. Não vê quem não quer, não pode ou pretende desviar a atenção do respeitável público.

 

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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