É um contrassenso um sujeito orgulhar-se de sair às ruas para protestar contra a corrupção vestindo a camisa da seleção brasileira com o símbolo da CBF. A confederação tem nebuloso histórico de malversação do dinheiro da entidade.
No ano passado, a CBF apoiou Aécio Neves nas eleições, o que poderia justificar a prática, mas seu atual presidente José Maria Marin integrou a direita radical do regime militar.
Nesse caso, pode ser que para aqueles que pedem a volta dos militares ao poder, carregar a insígnia da Confederação Brasileira de Futebol no peito não seja algo tão contraditório.
Mas para outros que reclamam por reforma política e fim de meios ilícitos para benefício próprio, trata-se de um disparate.
Contratos e empréstimos mal explicados levou a criação de CPIs no Congresso contra a CBF no final dos anos 1990. A entidade era presidida por Ricardo Teixeira.
A trama envolvia acordos com empresas privadas, empréstimos bancários e contas em paraísos fiscais. Descobriu-se depois que uma dinheirama foi desviada para fins pessoais.
Nepotismo e favorecimento de empresas ligadas a familiares e laranjas, que implicavam ainda o então presidente da Fifa, João Havelange (ex-sogro de Ricardo Teixeira), perduraram por anos e até hoje são um grande mistério.
Os escândalos explodiram também no exterior, com a Fifa já sob a administração de Joseph Blatter. Havelange e Teixeira foram acusados de receberem propina em troca de facilidades na obtenção de contratos com a entidade máxima do futebol. Pouco antes de divulgarem as investigações, Havelange renunciou a presidência de honra da Fifa.
Em meio às denúncias, Ricardo Teixeira também se afastou da presidência da CBF, em 2012, depois de 23 anos no poder e antes da Copa do Mundo no Brasil, assumindo em seu lugar um filhote da ditadura militar, José Maria Marin.
Ligado à ala radical do regime, é apontado como um dos instigadores que levaram à morte de Vladimir Herzog. Quando deputado estadual pela Arena – que virou PDS, depois PFL e, por fim, DEM -, criticava a cobertura da TV Cultura ao partido apoiador dos militares. Na época, Herzog era diretor de jornalismo da emissora. Pouco tempo depois, o jornalista foi preso, torturado e morto.
Práticas de tráfico de influência na CBF foram o mínimo já apontado contra Marin desde o início de sua gestão. A mesma pecha já carrega seu sucessor, Marco Polo Del Nero, que assume a presidência em abril próximo.
Se é para manifestar com as cores verde-amarela, que o faça com uma camisa menos comprometedora.
Douglas Santos
19 de março de 2015 8:24 pmProtestar com símbolo comunista com contrassenso?
Sei que no meio da manifestação vimos muita gente com camisa verde e amarela, muitas com a camisa baseada no padrão CBF. Talvez por ingenuidade do povo, sair com uma camisa da seleção brasileira possa representar mais o “Brasil” do que sair de vermelho. E pergunto também: Mas e sair com uma bandeira vermelha? Vestido com cores e símbolos do comunismo, não é outro contrassenso? O comunismo no mundo foi um regime que matou milhões e atualmente tenta calar milhões. Uma verdadeira doutrina que transformou bárbaros em heróis, como na américa latina, Che Guevara. Por onde o comunismo passa deixa a censura, repressão, fome e o medo. Países como Cuba tiram toda a liberdade dos cidadãos, e no meio do desespero tem gente que tenta fugir desse lugar nadando, em águas repletas de tubarões. O comunismo tenta controlar e manipular vidas, quem está fora sempre quer sair. Além de tudo é inegável que funciona por meio da força, civis são torturados e representante dos direitos humanos presos. Eu gostaria que o senhor fosse imparcial, e também escrevesse sobre este ponto de vista em uma próxima oportunidade.