4 de junho de 2026

Internet banda larga norte-americana é declarada ‘Bem Público’

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do Teletime

FCC aprova reclassificação da banda larga nos EUA

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015, 16h26

 

Como esperado, a agência reguladora norte-americana Federal Communications Comission (FCC) aprovou nesta quinta-feira, 26, por três votos a dois, a reclassificação da banda larga como serviço de telecomunicações (em vez de serviço de informação, como era até então) sob o arcabouço legal da Title II, que regula os serviços de telecom. Não apenas isso se aplica à Internet fixa, mas também a conexões móveis, fato que deverá desagradar ainda mais as operadoras, ainda que a FCC esteja sinalizando com uma flexibilização do Title II. Com isso, a comissão consegue uma importante vitória para o presidente Barack Obama, mas que ainda não deve ser o fim da batalha, já que o Partido Republicano, apoiado pelos maiores provedores de infraestrutura de Internet dos Estados Unidos, deverá tentar barrar a medida na Justiça.

O resultado na reunião desta quinta era esperado porque três dos cinco conselheiros da FCC são democratas, incluindo o próprio chairman da entidade, Tom Wheeler, que encerrou o debate comparando a reclassificação da banda larga com o direito à liberdade de expressão garantido na primeira emenda da constituição norte-americana. “A Internet é importante demais para ser deixada sem regras e sem um juiz no campo. A Internet é muito importante para deixar que os provedores de banda larga sejam os que ditam as regras”, declarou.

Wheeler contou com o apoio não apenas dos colegas democratas, mas também da opinião pública. Ele destacou as 4 milhões de contribuições submetidas durante o período de consulta pública da agência. “Esses 4 milhões de comentários ilustram a importância de uma rede aberta e irrestrita, e o papel da Internet de ser núcleo de expressão livre e de princípios democráticos”, afirmou.

O chairman destacou ainda que, na prática, a reclassificação e a garantia de neutralidade não deverão mudar o mercado. “O fluxo de receita de ISPs será o mesmo amanhã em relação ao que era ontem. Nada do que façamos hoje muda a equação de receita de consumidores”, argumentou ele. Houve pouca argumentação a respeito da troca de tráfego, justamente o ponto de polêmica entre a Netflix e os provedores de Internet no ano passado. Mas o diretor da FCC garantiu: “A Internet deve continuar aberta, tanto na última milha como na interconexão”.

Apoio

A conselheira Mignon Clyburn ressaltou a importância da inclusão da banda larga móvel na regulação. “Usuários de mobile não devem ser relegados a uma Internet de segunda categoria, muitos com baixa renda precisam e merecem uma experiência robusta comparável a da fixa”, disse. “O item contém regras claras e fortes para que todo conteúdo, aplicação e todo bit sejam tratados da mesma forma.” A conselheira Jessica Rosenworcel apoiou também, ressaltando que a abertura da Internet permitiu aos EUA uma economia online, incluindo a de aplicativos, “invejada pelo mundo”.

Os democratas conseguiram apoio amplo para rebater as críticas. Entre os convidados estavam a produtora executiva da série The Killing, Veena Sud. Ela argumentou que a rede norte-americana AMC atuou como gatekeeper e cancelou o programa na TV mesmo com uma demanda do público, mas o serviço de streaming over-the-top (OTT) Netflix resgatou a série e exibiu os capítulos finais (bem como as demais temporadas). “Por causa da Open Internet, podemos ver como ela aumenta a competição”, declarou. Considerado o “pai da World Wide Web”, Tim Berners-Lee também argumentou a favor. “Não tive que pedir permissão a ninguém, não tive de pagar taxas especiais aos ISPs e nem precisei convencer ninguém de que a novidade (a WWW) deveria ser usada”, disse, por meio de videoconferência.

Oposição

O discurso passional de Tom Wheeler foi precedido de severas críticas. Um dos opositores, o conselheiro da FCC Ajit Pai, já avisou: “Se (a ação da comissão) sobreviver a brigas judiciais e passar no Congresso, teremos grandes preços, menores velocidades, menos implantação, menos inovação e menos opções para consumidor.” Para o republicano, a nova regulação “não é apenas uma solução em busca de problema, é uma solução do governo que cria um problema no mundo real”, alegando interesses políticos de Obama e seus aliados com o assunto. Ele cita uma reportagem do The Wall Street Journal que afirmara que a construção da regulação não teria sido transparente, mas realizada a portas fechadas na Casa Branca.

Pai alegou que a Title II não é uma regulação leve e dá margem a interferências em preços no futuro, incluindo a implantação de uma taxa de universalização na banda larga da mesma forma como já existe na telefonia nos EUA. Ele chegou a pleitear um adiamento, dizendo não haver necessidade de resolver a questão no momento porque “não há crise imediata”. Na visão dele, situações de priorização paga e estrangulamento de tráfego não têm evidências de que sejam ameaças contínuas. “Não há evidências; são anedotas, hipóteses e histeria.”

Outro opositor republicano, o conselheiro Michael O’Reily, corroborou ao chamar a decisão da FCC de “captura monumental e ilegal de poder”, dizendo que a comissão estaria abdicando do papel de agência especializada ao reclassificar o serviço. “A Title II é sobre regulação de preço, seria ingenuidade acreditar que a imposição de uma regra fundamentalmente sobre preço não introduziria risco”, alegou.

Reação

Também como era de se esperar, a votação da FCC causou mal estar na indústria. Uma das quatro maiores operadoras norte-americanas, a Verizon, reagiu com ironia e postou em seu blog de política regulatória uma crítica ao que chama de “regras dos anos 1930”, colocando uma imagem em código Morse com um link para a tradução. A empresa diz que a história irá julgar as ações da comissão como “desvirtuadas”. O comunicado, emitido em um PDF com um design de fonte como uma máquina de escrever antiga, é datada de 26 de fevereiro. “A movimentação da FCC é especialmente imperdoável porque é totalmente desnecessária”, alega.

A associação de operadoras móveis CTIA afirmou que “a decisão de neutralidade de rede da FCC foi desapontadora e desnecessária: consumidores pelos EUA têm – e sempre terão – acesso a uma Internet móvel aberta”. Ela alega que a agência ignorou as diferenças técnicas entre redes móveis e fixas, bem como o ecossistema de competição. “A Title II desnecessariamente coloca em risco o futuro do 5G na nossa nação e a promessa de uma vida mais conectada.” A associação reforça o argumento de que a decisão foi ilegal e que vai resultar em incerteza econômica e legal no setor, mas não confirma se tentará barrar a reclassificação na justiça.

O quarto maior provedor de cabo dos Estados Unidos, a Charter, declarou apoio à neutralidade de rede, mas alegou que as regras “vão adicionar taxas às contas dos clientes, criar incerteza regulatórias e levarão a anos de litígio que, juntos, vão diminuir o progresso e o desenvolvimento de uma banda larga mais rápida para nossos assinantes”. O ISP diz ainda que a regulação da Title II é datada e genérica, e que irá “trabalhar com o Congresso para passar uma nova lei de Internet aberta que proteja consumidores e proporcione certeza para investidores e liberdade para os inovadores”.

Por outro lado, há algumas companhias de Internet que enxergaram com bons olhos, como a operadora over-the-top Vonage, que declarou apoio para as regras. “Aplaudimos a FCC e o chairman Wheeler por adotar novas regras de neutralidade de rede que vão garantir que a Internet permaneça uma plataforma aberta e desinibida para todos”, diz o comunicado.  Por sua vez, o departamento legal do setor privado e público da associação da indústria de TI (CompTIA), a TechAmerica, aplaudiu a decisão da agência, mas alegou ter “algumas preocupação com o caminho que a FCC tem tomado para chegar a essas novas regras”, declarando que as regras serão estabelecidas agora em tribunais, o que levará “três ou quatro anos”.

http://www.teletime.com.br/26/02/2015/fcc-aprova-reclassificacao-da-banda-larga-nos-eua/tt/405362/news.aspx

 

Regulador norte-americano declara internet de banda larga como “bem público”

 

Por três votos contra dois, a neutralidade da net ganhou uma importante batalha nos Estados Unidos contra os grandes distribuidores e produtores de conteúdos online.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) norte-americana concluiu vários anos de debates na indústria de fornecedores e conteúdos da internet sobre se seria legítimo criar “auto-estradas” na internet para conteúdos pagos, com acesso prioritário face ao restante tráfego. Os operadores que dominam o mercado estão contra a medida e a companhia Verizon veio dizer que as novas diretivas “impõem à internet regras do tempo da locomotiva a vapor e do telégrafo”, referindo-se à lei em que se baseou a decisão da FCC para considerar agora a internet de banda larga de alta velocidade como um bem público.

“É um dia muito importante para a internet e os seus utilizadores. A FCC tem finalmente regras para assegurar a neutralidade da net”, afirmou Erik Stalman, diretor do Open Internet Project, citado pelo Le Monde.

Um dos alvos das críticas das operadoras de comunicações é o presidente Barack Obama, que declarou publicamente o seu apoio à neutralidade da net e o seu empenho para que a internet passasse a ser considerada um bem público, tal como a rede telefónica. A sua opinião foi seguida por três dos cinco comissários a FCC, que aprovaram esta quinta-feira um documento sobre as linhas de ação a seguir. As novas regras permitem à FCC proibir e punir os fornecedores de internet que bloqueiem conteúdo legal ou que acelerem – ou travem – a velocidade de certos conteúdos.

“É um dia muito importante para a internet e os seus utilizadores. A FCC tem finalmente regras para assegurar a neutralidade da net”, afirmou Erik Stalman, diretor do Open Internet Project, citado pelo Le Monde.

Tom Wheeler, presidente da FCC, também se congratulou com a decisão, afirmando que a Comissão irá “usar todas as ferramentas de que dispõe para proteger os inovadores e os consumidores”, preservando a Internet como o “coração da liberdade de expressão e dos princípios democráticos”. Para além da proibição à limitação da velocidade de acesso aos conteúdos, as novas regras também prevêem a proteção da privacidade e a disponibilização do serviço de internet aos cidadãos com deficiência ou que vivam em locais isolados.

http://www.esquerda.net/artigo/regulador-norte-americano-declara-internet-de-banda-larga-como-bem-publico/36000

Artigos relacionados: 

Internet de banda larga agora é considerada um serviço de utilidade pública nos Estados Unidos

Depois de forte pressão popular, a Comissão Federal de Comunicações (FCC – sigla em inglês) dos Estados Unidos votou hoje em medidas regulatórias para a internet que ressoam com os princípios da neutralidade da rede. A decisão mais importante é que o serviço de acesso à banda larga é agora uma utilidade pública na terra do Tio Sam, o que significa que ele deve ser garantido para todo cidadão.

A regulamentação vem acompanhada de outras medidas como a proibição da criação de “pistas rápidas“, em que companhias poderiam cobrar mais para entregar mais velocidade em certos conteúdos, como o streaming de vídeos, por exemplo. A proibição das “pistas rápidas” era fortemente defendida por serviços como o Netflix.

Para tomar suas decisões, a FCC classificou a internet de banda larga como um serviço de telecomunicação, e não como um de informação. Essa medida aparentemente pequena que trouxe a condição de serviço de utilidade pública para este tipo de acesso. 

Opositores da nova regulamentação, principalmente empresas de provedores que poderiam realizar a cobrança extra pelas “pistas rápidas”, afirmam que as medidas da FCC podem abrir portas para outras regulações, mais invasivas, no futuro. Elas pretendem recorrer contra a decisão da Comissão na Justiça norte-americana.

http://adrenaline.uol.com.br/2015/02/26/32709/internet-de-banda-larga-agora-e-considerada-um-servico-de-utilidade-publica-nos-estados-unidos

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  1. sergio m pinto

    28 de fevereiro de 2015 7:17 pm

    Taí uma coisa a ser copiada

    Taí uma coisa a ser copiada dos gringos!

  2. Frederico69

    1 de março de 2015 5:35 am

    se quiserem popularizar a internet aqui

    devem fazer o mesmo. mas para tanto será necessário trocar todos os atuais conselheiros da anatel.

    o atual presidente do conselho só sabe de participar de jantares, festinhas e convescotes pagos pelas entidades fiscalizadas.

  3. macedo

    1 de março de 2015 2:53 pm

    Bens reversíveis de telecomunicações no Brasil

    Entendo que somente aprovaram a neutralidade de rede o que é algo bastante relevante para evitar que as operadoras móveis, por exemplo coloquem obstáculos a aplicativos como skype e outros que fazem chamadas de voz por IP o que consome bem mais recursos da rede do que se fossem encaminhadas pela interface aérea da rede celular.

    Mas apesar disso o tema do artigo chama a atenção para outro aspecto: será que devemos tratar a internet como bem público? Na regulamentação atual no Brasil isso implicaria em  classificar os serviços de acesso à inernet em banda larga (fixa e móvel) em regime de exploração de serviços de telecomunicações em regime público.

    As implicações disso, caso ocorresse, seria seriam bem mais extensas do que no caso americano, mencionado na notícia, pois trataria as redes de suporte ao serviço de banda larga como Bens Reversíveis, que ao final do período de concessão deveriam retornar ao Estado. A legislação já previu isso para as redes de telefonia fixa mas não para banda larga.

    Resumindo, não esperem que isso ocorra por aqui já que implicaria em praticamente estatizar, futuramente ao final das concessões, as redes de banda larga fixa e móvel no Brasil.

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