Algum tempo atrás, solicitei à ONG Auditoria Cidadã da Dívida, a informação de o quanto seriam os juros pagos e amortizações do principal da dívida do Governo Federal. A idéia era saber o ritmo do aumento ou diminuição da dívida via parcela amortizada do principal. Inacreditavelmente fiquei sabendo que (vide cópia do email e um artigo ilustrativo na sequencia). A informação NÃO está disponível.
Prezado William
Obrigado pela mensagem.Temos os gráficos de 2014, 2013 e 2012 no endereço abaixo.
Porém, o governo não divulga separadamente o montante de juros e amortizações, pois inclui nestas últimas a parcela dos juros equivalentes à inflação medida pelo IGP-M.
Para maiores detalhes, ver o texto abaixo.
http://www.auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2012/04/Numerosdivida.pdf
Atenciosamente,
Rodrigo Ávila
Auditoria Cidadã da Dívida
www.auditoriacidada.org.br
—–Mensagem original—–
De: Contato
Para:
Assunto: [CONTATO Auditoria Cidada] – Dívida Pública Federal
Bom dia. Obrigado por disponibilizar de forma tão objetiva os dados da dívida pública. Como parte de pesquisas, gostaria de saber se vocês dispõe (Orçamento Geral da União) discriminado o que o percentual de juros e o percentual de amortização da dívida pagas nos anos 2012/2013 e o previsto para 2014. Grato
15/9/2014
Conforme mostra o Dividômetro da Auditoria Cidadã da Dívida, no ano de 2014, apenas até 11 de setembro, o governo federal já gastou R$ 825 bilhões com juros e amortizações da dívida. Este valor representa 51% de todos os gastos federais até aquela data.
Para confirmar os dados, ver a página do Senado Federal na internet:
http://www8a.senado.gov.br/dwweb/abreDoc.html?docId=4434925
Este valor já é maior que os gastos com a dívida federal feitos em todo o ano passado (R$ 718 bilhões). Um dos fatores que tem aumentado este custo é a nova dívida feita pelo governo federal junto ao setor financeiro – a juros altíssimos e prazos curtos – para obter recursos a serem emprestados ao BNDES – a juros baixos, e a prazos muito longos – para este banco financiar empresas privadas. Ou seja, ao invés de baixar os juros e obrigar os bancos privados a emprestar ao setor produtivo, o governo prefere continuar alimentando os ganhos imensos dos bancos. O governo calcula que este mecanismo do BNDES gerará um custo de R$ 23 bilhões em 2014. A Auditoria Cidadã já vem alertando sobre este mecanismo desde 2009.
Parte dos R$ 825 bilhões gastos com juros e amortizações da dívida em 2014 é apresentada como sendo “refinanciamento” da dívida, valor este que é constantemente desprezado por analistas neoliberais e pessoas ligadas ao governo, alegando que se trataria de uma mera “rolagem”, ou seja, o pagamento de amortizações (principal) da dívida por meio da emissão de novos títulos. Segundo estes analistas, isto representaria apenas a troca de títulos velhos por novos, sem custo para o governo.
Porém, a recente CPI da Dívida realizada na Câmara dos Deputados revelou que grande parcela da “rolagem” não representa o pagamento de amortizações, mas sim, o pagamento de juros, sendo que o governo não divulga tal parcela. Além do mais, se a atual questionável dívida não existisse, as novas dívidas que estão sendo feitas para pagar a tal “rolagem” poderiam servir para investimentos na saúde, educação, transporte e diversas outras áreas sociais.
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