5 de junho de 2026

Lula corre grande perigo, por Fernando Castilho

Não é provável, mas também não impossível. É preciso que se leve à sério essa possibilidade.

Lula corre grande perigo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Fernando Castilho

Sábado me perguntaram sobre as possíveis saídas para Bolsonaro não continuar no poder e não ser preso em 2023. Elenquei 10:

1 – Perder no primeiro ou no segundo turno, aceitar a derrota e se preparar para uma enxurrada de processos que culminarão em sua prisão no próximo ano;

2 – Perder no primeiro ou no segundo turno e não aceitar a derrota. precisaria contar com o apoio das FFAA. Uma parte delas pode até se engajar em sua defesa, mas a maioria permaneceria nos quarteis. Provavelmente seria preso como golpista;

3 – Perder no primeiro turno e tentar o golpe antes do segundo. Semelhante à alternativa 2;

4 – Tentar o golpe antes das eleições. Semelhante à 2 e 3;

5 – Desistir da presidência e forçar uma candidatura ao Senado ou à Câmara. Manteria seu foro privilegiado não sendo preso. Ainda por cima, poderia continuar sem trabalhar, o que lhe é muito atraente;

6 – Fazer algum tipo de acordo para não ser preso e renunciar antes das eleições. Não acredito que o STF toparia um golpe desses;

7 – Um novo atentado. Em 2018 a tal facada, fictícia ou verdadeira, funcionou, mas o momento é outro, o povo passa fome e dificilmente assistiria esse filme de novo;

8 – Atentado contra Lula. No passado o atentado que vitimou Marielle Franco abriu vaga no Senado para o filho Flávio, mas a comoção tomou conta do país. Lula morto o tornaria um mártir e não contribuiria para a reeleição do kapetão;

9 – O imponderável. Se é imponderável não temos como fazer nenhum exercício de futurologia. Mas é possível que até o dia 2 de outubro o imponderável faça uma surpresa. para o bem ou para o mal;

10 – Suicídio. Não tem coragem nem dignidade para isso.

Jornal GGN produzirá documentário sobre esquemas da ultradireita mundial e ameaça eleitoral. Saiba aqui como apoiar

Isso foi em 09/07, um dia antes do assassinato do petista Marcelo Aloizio de Arruda por um bolsonarista raiz.

Após o crime, foi preciso, em meio à tristeza e a revolta, raciocinar um pouco para sair dessa bolha desses 10 itens e rever o item 8 dessa lista.

Foi Bolsonaro quem incitou um desequilibrado seguidor a pegar uma arma e acabar com a vida de um pai de família que estava feliz comemorando um aniversário.

Em 2018, durante a campanha presidencial, o capitão, segurando um tripé de fotografia como se fosse um fusível, conclamou seus apoiadores a fuzilar as petralhada.

Confesso que não atentei ao detalhe de que estamos lidando com um miliciano sociopata e, talvez, psicopata também.

Se as outras 9 saídas não lhe garantem a salvaguarda de um longo período atrás das grades, por que imaginar que utilizaria qualquer uma delas e não a 8?

É muito difícil imaginar e mais difícil ainda aceitar, mas a saída mais rápida e fácil é o assassinato de Lula.

Com o ex-presidente fora do páreo pouco antes de 2 de outubro, não haveria tempo suficiente para uma substituição na chapa e a aliança tenderia a se desmanchar. O caminho estaria aberto ao capitão, a menos que migrássemos todos para Ciro Gomes, o que acho muito pouco provável.

Alguém poderia argumentar contrariamente que o capitão seria imediatamente evidenciado como o mandante, mas como ele tem certo controle sobre a Polícia Federal, o caso poderia ser abafado por muito tempo e até colocado em sigilo por 100 anos.

Como se comportariam os ministros do STF?

Lembremo-nos que são todos pais ou avós e que hoje em dia já sofrem um bom número de ameaças. Provavelmente se recolheriam por medo.

Como se comportaria uma oposição em estado de choque?

O povo que não saiu em grandes massas às ruas contra a prisão ilegal de Lula, agora o faria?

Poderiam dizer também que a segurança pessoal de Lula foi bastante reforçada e que um atentado certamente falharia.

Um tiro certeiro disparado de um edifício em Dallas matou o então presidente John Kennedy em 1963, embora este estivesse em carro aberto.

Não é provável, mas também não impossível. É preciso que se leve à sério essa possibilidade.

Afinal, temos um louco desesperado para se manter no poder.

Depois do domingo último, é o que mais temo.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Leia também:

Não nos deixam ser uma Nação, por Fernando Castilho

Ele tentará o golpe, por Fernando Castilho

O capitão morte é um estulto do crime, por Fernando Castilho

Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. NALDO

    12 de julho de 2022 10:49 am

    Lula tem que se cuidar durante a campanha e DEPOIS se eleito, afinal tem um vice que é a verdadeira terceira via…….aliás, uma das maiores idiotices que vi em já minha longa vida, entregar o cargo de vice para um escorpião em eleição no qual se é favorito, depois reclamam que papai do céu não ajuda….

Recomendados para você

Recomendados