Neste último final de semana, em São Luiz do Paraitinga (SP), teve início ao tradicional Festival de Marchinhas. Blocos também já começaram a desfilar pelas ruas da histórica cidade.
O município do Vale do Paraíba deu início oficial aos eventos que antecedem ao Carnaval. No último sábado (17/1) foi realizada a primeira eliminatória do 30° Festival de Marchinhas de São Luiz do Paraitinga – no próximo sábado (24/1) acontece a segunda eliminatória. A final é no dia 31/1.
As melhores músicas serão tocadas durante o Carnaval na cidade, se juntando a outras já executadas em carnavais passados.
No mesmo dia de apresentação das primeiras marchinhas do Carnaval 2015, pelo menos cinco blocos foram às ruas da cidade, levando bonecos, estandartes, banda com numerosos músicos e foliões.
A praça da cidade, a Oswaldo Cruz (o sanitarista é filho ilustre da terra), que fica em frente à reconstruída Igreja Matriz (destruída na devastadora enchente de 2010), é palco da apresentação das marchinhas – 10 por eliminatória. No primeiro dia do festival, quase faltou espaço na praça para tanta gente.
No Carnaval, são esperados mais de 100 mil turistas na cidade (número considerado excessivo pela estrutura local) – muitos passam apenas o dia na cidade, se deslocando em caravanas provenientes de diversas partes do Estado. Os desfiles de blocos, com muita gente fantasiada, acontecem fora do núcleo histórico para preservá-lo, assim como os shows no palco musical. É tudo de graça.
São Luiz do Paraitinga é daquelas cidades raras no Brasil onde a cultura tem papel importante na transformação local. Prodigiosa de bons músicos (ou de gente interessada na arte) e preocupada em preservar suas tradições (a festa do Divino é outra atração importantíssima local de bastante repercussão), leis determinam que no Carnaval só se execute músicas produzidas pelos blocos locais ou por meio desses festivais de marchinhas anuais.
Portanto, não há risco de se deparar na esquina com aqueles abomináveis carros equipados com sistema de som nas alturas sem o menor respeito aos ouvidos do transeunte, ou blocos de carnaval com muito oba-oba e pouca criatividade musical (onde vale até transformar sucesso de rádio em música carnavalesca).
São Luiz do Paraitinga, com uma política desde 1981 voltada à valorização do Carnaval de raiz, é tapa na cara de gestores públicos de cultura pelo Brasil afora que fazem Festa do Momo na base do pão e circo (trio elétrico, camarotes e o povo ali, no chão), desprezando núcleos possíveis de desenvolvimento do Carnaval, como escolas de samba, blocos carnavalescos e rodas e encontros musicais, capazes de criar uma identidade local própria à maior manifestação popular do País.(Augusto Diniz – São Luiz do Paraitinga/SP)
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