Em nome da “modernidade”, a mídia abandona o jornalismo impresso e segue à plataforma digital. Mas quem disse que o custo será menor?
É verdade que a mídia digital está esvaziando a mídia impressa. Mas isso não significa que a mudança para a plataforma eletrônica de um veículo impresso representará imediato melhor custo-benefício.
Cada vez mais trabalhar na mídia digital com resultados satisfatórios tem sido caro. E continuará aumentando esse custo. O nível de qualidade exigido para atrair e reter audiência na internet tornou-se feroz.
Se era complicado e custoso se manter na mídia impressa com um batalhão de gente para escrever matéria, buscar fotos, diagramar o veículo, colocá-lo para rodar na gráfica e depois distribuir o produto físico, no meio digital, os problemas são outros, mas também de espantosa grandeza.
É preciso ter jornalistas com capacidade de escrever na linguagem adequada ao meio, profissional para gerar material multimídia, e um sem número de programadores e webdesigners para manter o portal atraente, de fácil acesso, com recursos de interação de texto com imagem, vídeo e som, além de arquitetura ágil e rápida e um robusto servidor.
Sabe o que resulta montar uma estrutura dessas na internet? E mantê-la? Fazer permanente investimento é mais do que necessário para conquistar espaço naweb cheia de opções, mudanças rápidas, nichos de mercado, espertos e malandros que “copiam” seu trabalho e os usam sem pagar um tostão por isso.
Se gabar que o número de usuários únicos e visualizações de páginas aumentou no site é pouco. É preciso saber se a taxa de rejeição é alta (aquele índice que mede quantos usuários passam na home e a troca por outro site num piscar de olhos) e se a duração média que cada internauta permanece navegando no portal é grande – e o que exatamente ele faz nesse tempo. Sem esses índices, não há como convencer o mercado publicitário a colocar dinheiro pesado em uma operação na internet.
O Diário do Comércio de São Paulo, que anunciou o fim de sua versão impressa e foco no meio digital em nome da “modernidade”, na verdade, não passa de mais um aventureiro nesse pântano eletrônico.
Deve ter se animado com as eleições, quando quase todos os sites de notícias trataram de anunciar aos quatro ventos o seu crescimento de audiência. O resultado era mais do que esperado. Vem agora a realidade: ganhar perenidade em um meio cada vez mais estratificado e cheio de competidores. A briga é boa!
Deixe um comentário