4 de junho de 2026

Na proposta de Guedes, salário mínimo e aposentadorias podem cair 40% em 20 anos

Uma perda de 40% do salário mínimo em 20 anos e mais de 70 milhões de brasileiros deverão ser prejudicados
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes - Foto: PR

Uma perda de 40% do salário mínimo em 20 anos e mais de 70 milhões de brasileiros deverão ser prejudicados pela mudança no reajuste, contida na proposta econômica de Paulo Guedes para Jair Bolsonaro em 2023, se eleito.

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Os cálculos são do economista Eduardo Fagnani, professor da IE da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho, repassados ao colunista Leonardo Sakamoto.

Fagnani mostra que a proposta de “refundação” da economia, como contrapartida para ter recursos de R$ 600 para o Auxílio Brasil e outros benefícios eleitorais usados pelo atual presidente para tentar a reeleição, impactarão milhões de trabalhadores.

Os cálculos da perda real

O governo Bolsonaro nega que a proposta de Guedes diminuirá o salário mínimo ou não irá reajustar o mesmo.

A proposta até indica um reajuste, mas com base na meta da inflação, e não na inflação em si. As metas, muitas vezes, são inferiores ao que efetivamente é praticado.

“Se essa proposta do governo for implementada, o salário mínimo vai ser reajustado abaixo da inflação, o que, ao longo do tempo, pode acarretar uma perda substantiva no poder de compra das famílias”, disse o especialista.

Assim, na prática, caso a proposta de Guedes passasse a valer desde 2002, por exemplo, o salário mínimo hoje seria cerca de 40% dos atuais R$ 1212. E desde que Bolsonaro assumiu em 2019, o mínimo já não é reajustado acima da inflação.

Reforma da Previdência disfarçada

Ainda, o texto de Paulo Guedes impõe uma Reforma da Previdência disfarçada. Isso porque todos os benefícios e aposentadorias atrelados ao salário mínimo, como é o caso da Previdência Social urbana e rural, o BPC para idosos e o seguro-desemprego, também não serão reajustado conforme a inflação.

“Seria uma forma esperta de fazer uma nova Reforma da Previdência de grandes dimensões sem os mesmos debates e tramites parlamentares da última reforma. Espertamente excludente. Porque, em 10, 20 anos, levaria a uma redução expressiva de gastos com as aposentadorias urbanas e rurais e o BPC”, explicou.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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