Sugestão de Antonio Ateu
XXY – INTERSEXUALIDADE

Dirigido por Lucía Puenzo, XXY traz a história de Alex (Ines Efron), uma garota intersexual que vive com sua mãe Suli (Valéria Bertuccelli) e seu pai Kraken (Ricardi Darín) num vilarejo no Uruguai. A família recebe a visita do casal Erika (Carolina Pelleritti), seu marido, o cirurgião Ramiro (German Palacios) e seu filho de 16 anos, Alvaro (Martin Piroyansky) em sua casa.
O filme traz uma série de situações pertinentes ao mundo da intersexualidade, muitos dos quais já trouxemos aqui para discussão. A questão da sexualidade está sempre presente em Alex, desde suas conversas com Alvaro sobre masturbação, seu interesse por sexo, até as temáticas da identidade de gênero e orientação sexual.( Leia nossa postagem sobre Sexo, Identidade de Genero e OrientaçãoSexual) Alex, logo no início do filme demonstra não ter vontade de tomar os medicamentos que inibem sua masculinização, assim como afirma não querer passar por cirurgias reparadoras e além disso passa a sentir interesse por Álvaro, que também retribui o sentimento.
Outro aspecto importante trazido no drama é o estigma sofrido por Alex. O fato da família ter se mudado para um lugar mais distanciado da cidade já é um motivo pelas pressões sofridas para que a garota passe pela cirurgia reparadora. Além disso, sua condição intersexual passa a ser descoberta pelos moradores do vilarejo, que agem de forma discriminatória e invasiva.
A questão familiar é outro ponto importante. A mãe convida a família pensando numa possível intervenção cirúrgica de Alex, pois acredita que este talvez seja um desejo da garota, que poderá ser socializada de forma “normal”. O pai, Kraken, por outro lado, se mostra intransigente à ideia. Uma cena interessante é a da conversa entre Kraken e um intersexual que vive como homem depois de uma cirurgia reparadora. Este fala sobre suas vivências anteriores, sobre suas escolhas e como foi passar pela intervenção médica. Para saber mais sobre este tema, leia esta postagem a respeito das cirurgias reparadoras e suas implicações.
XXY é um filme que retrata as angústias e as formações subjetivas de sujeitos intersexuais e promove uma discussão muito rica sobre as singularidades da formação de cada ser humano. É também um retrato da sociedade que estranha, repudia e tenta normatizar o incomum. Alex, quando seu pai lhe tranquiliza ao afirmar que dará tempo para ela escolher o que quiser ser, responde de forma simples e que poderia ser até inconcebível para muitos: “E se não tiver o que se escolher?”.
http://psi-intersex.blogspot.com.br/2014/02/intersexualidade-e-midia-filme-xxy.html
.jpg)
Fernando G Trindade
31 de outubro de 2014 1:03 pmAssisti a esse filme faz uns
Assisti a esse filme faz uns dois anos aqui em Brasília, no circuito comercial mesmo.
É muito, muito, muito bom.
Aliás, o cinema argentino cada vez mais impressiona pela diversidade e qualidade.
A propósito, excepcional o “Relatos Selvagens’ que está em cartaz neste momento.
raf
31 de outubro de 2014 8:27 pmTem no Netflix
Tem no Netflix