
Por mais que sejam, de modo geral, conhecidos o poder da linguagem e a força das palavras, é preciso reiterar, de tempos em tempos, esse aprendizado construído ao longo da história.
Por outro lado, quando as palavras servem de veículo para números, num mundo em que se martela constantemente a importância de dados e medidas, aquele poder e força alcançam o valor da magia quando descrevem uma circuntância social complexa.
É o que tem ocorrido quanto à apresentação dos resultados das eleições presidenciais mediante a utilização de percentuais.
Ao longo de meses, sem que percebêssemos os perigos de uma potencial utilização tendenciosa de números relativos, pesquisas e mais pesquisas nos foram apresentadas dessa forma. A regra da maioria de votos, eventualmente relembrada, referia sempre a um cinquenta por cento antes da expressão “mais um”, misturando as noções de fração e comparação entre números absolutos.
Sabemos muito bem no que isso redundou logo após a oficialização dos resultados das urnas. A imagem de um mapa colorido atribuindo o mesmo peso – isto é, o peso de uma unidade da federação – em cores, para estados com colégios eleitorais de tamanhos tão díspares quanto São Paulo e Amapá, cuja proporção é de 65 (sessenta e cinco!!!) vezes, difundiu uma interpretação simplista e preconceituosa dos porquês da totalização dos votos. Aliás, como se não fosse um padrão internacional a maioria dos eleitores votarem de acordo com sua própria avaliação sobre qual das candidaturas atende melhor seus interesses e necessidades imediatas.
Felizmente, por meio da internet, outras representações geográficas das eleições foram apresentadas e difundidas apontando a falácia fantasiada de argumentação estatística e cartográfica e valorizando o ponto mais importante em questão: uma eleição é decidida pelo tal “mais um” que aparece todo o tempo como apêndice do cinquenta por cento, isto é, ao fim e ao cabo, ela se define apenas pelo número de votos e não pela proporção entre eles, que é apenas uma simplificação visando facilitar a comunicação.
Dessa forma, considerando-se que a diferença de votos entre as duas candidaturas foi de cerca de três milhões e meio, é uma injustiça aritmética proclamar que a região nordeste foi responsável pela reeleição, pois na verdade, a subtração entre os totais de cada candidato equivale, em números absolutos, aproximadamente, ao número de eleitores que compareceram às urnas no Pará.
Isso é muita gente, e para efeitos de entendimento dos números finais do segundo turno essa é uma comparação válida, independentemente do percentual que votou num ou noutro candidato naquele, em todos os sentidos, grande estado.
Emma
30 de outubro de 2014 11:30 amDESMISTIFICANDO
Bom artigo, desmistificando o resultado das eleições.Parabéns.
Durante a campanha já era fortíssima a tentativa de desmoralização do voto/eleitor de Dilma. Perder as eleições só serviu para amplificar essa tentativa de desqualificação, quer seja atribuindo exclusivamente ao NE a vitória de Dilma ( como se isso fosse numericamente comprovado e como se o voto dos nordestinos valesse menos), quer seja chamando de desonestos/desinformados a quem preferiu reelegê-la. Quer saber? Chega! Se eu não tivesse recebido uma boa educação de minha querida mãe, diria: ora, vão para aquele lugar ….
ruan
30 de outubro de 2014 11:42 amSeguinte:
– Como sempre fala meu pai..
– Politica seguinte Perdeu Acabou.
– Quem votou pt ganhou e quem votou psdb perdeu. (pronto e acabou)
– Psdb perdeu tem ficar quieto e ir fazer oposição, (pq conversa de fazer melhor para pais é balela deles).
– Tem deputado ai querendo ser rebelde , pode deixar.
ELes acham nunca vão precisar do governo Federal e nem dos governadores de seus estados,
para cumprir algo que prometeram a seus eleitores.
Eu acho, PT agora deveria deixar passar ressaca eleições, movimentar a economia da um tempo, trazer mais o povo
para seu lado, deixar corda apertar mais para base ai sim quando eles vieram beijar mão dela, fazer as reformas.
OSKAR
30 de outubro de 2014 1:03 pmRoteiro perfeito, tambem
Roteiro perfeito, tambem pensei nisso, melhorar a economia, até com as concessões, etc, etc, procurar o povo, se resguardar e comprar briga com esta base corrupta, e tentar, talvez, fortalecer ou criar novo partido.
Manoel Cyrillo
30 de outubro de 2014 11:47 amCartografia eleitoral
Toda a cartografia é tendenciosa, ideológica – vide a proporção do hemisfério Norte em relação ao Sul.
A cartografia utilizada pela mídia brasileira, aquela partidária, tendenciosa e suja, chega a ridículos grotescos como este, de criarem um “país” vermelho e outro azul. Tática desmascarada pelo pesquisador da UNICAMP que, de forma clara, avermelhou o azul e azulou o vermelho, ponderadamente.
Mas, de onde a imprensa marrom foi buscar está inspiração binária do vermelho e do azul?
Colonizados que são, inspiraram-se na cobertura da pouco democrática eleição presidencial norte-americana, onde o partido majoritário de uma unidade da federação indica todos -todos- os delegados para a eleição efetiva, indireta. Por isso a imprensa de lá passou a fazer, simplistamente, esta sinalização.
Por que simplistamente? Porque também ela não leva em consideração o número de delegados indicado por estado. Mas, de qualquer forma, um expediente bem menos tendencioso que o utilizado pelos propagandistas brasileiros. Propagandistas da pior qualidade.
Flavio Martins e Nascimento
30 de outubro de 2014 12:05 pmFora de pauta. O gesto enorme
Fora de pauta. O gesto enorme de um pequeno país:
http://www.cartacapital.com.br/internacional/suecia-reconhece-o-estado-da-palestina-6034.html
marcio valley
30 de outubro de 2014 12:33 pmO artigo é muito bom, mas o
O artigo é muito bom, mas o mapa está errado. Parece que colocaram água em São Paulo e nós sabemos que infelizmente, por conta do “choque de gestão” tucano, isso é coisa rara por aquelas bandas.
altamiro
30 de outubro de 2014 12:47 pmgolpe das cores.
legal, este
golpe das cores.
legal, este artigo desmanscara o golpe
colorido-cartográfico.
há uma sucessão de pequenos golpes praticados
pela grandes mídias regionais que precisam ser explicitados.
é preciso dar espaço para essas denúncias.