4 de junho de 2026

“Importante que quem olhe para Lula também me veja”, diz Janja de machismo no Fantástico

Na entrevista ao Fantástico, Janja também narrou como ela e Lula se apaixonaram e as dificuldades da prisão
Foto: Reprodução/Fantástico

Rosângela da Silva, a Janja, futura primeira-dama, reconheceu que houve momentos de machismo sobre a atuação e a participação dela na campanha eleitoral.

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“Houve machismo porque talvez a figura do Lula por si só se bastasse e agora tem uma mulher do lado dele, não que complemente, mas que soma com ele algumas coisas”, narrou, em entrevista que foi ao ar no Fantástico deste domingo, na TV Globo.

Nesta sexta (11), um episódio de crítica machista à esposa de Lula gerou repercussão no final de semana. A jornalista Eliane Cantanhêde fez comentários indicando que Janja não poderia “dar palpite”, não poderia “participar de reunião” e que um exemplo de primeira-dama foi a esposa de FHC, Ruth Cardoso, que “tinha o brilho próprio”, “mas não tinha protagonismo” no governo.

Como a entrevista ao Fantástico havia sido gravada antes, as declarações de Janja não puderam responder ao machismo da jornalista.

Entretanto, a socióloga já dava o recado a futuros comentários ofensivos que poderiam surgir: “Hoje acho importante que quem olhe para ele também me veja. Isso não acontecia antes. Só se olhava para ele. Hoje, ele tem um complemento, uma soma, que sou eu. Não é porque eu estou do lado dele. É porque eu sou essa pessoa propositiva, que não fica sentada, que vai e faz.”

Como Lula e Janja se apaixonaram

A companheira de Lula também contou ao programa como foi a sua aproximação com o agora eleito presidente.

Ela narrou que o primeiro flerte ocorreu em dezembro de 2017, quando Lula participou de um futebol organizado pelo MST, no qual outros personalidades também participaram, como Chico Buarque.

“Final de 2017, o MST fez um jogo. E o Chico Buarque ia jogar. Todas nós sabemos, ‘o Chico Buarque’. E eu falei assim: ‘Eu preciso ir nesse jogo’. Acabei indo no jogo. E eu conheci, quer dizer, já conhecia o meu marido de outros momentos. Óbvio que eu não sei se ele se lembrava muito de mim. Mas, enfim, a gente se sentou pra almoçar, todo mundo almoçou, os convidados e tal. Depois, [Lula] pediu o meu telefone para alguém, eu recebi ele e aí foi indo. A gente foi se aproximando.”

Quatro meses após se conhecerem e começarem a se relacionar, Lula foi preso. Janja relatou o momento difícil vivido: “Eu lembro que eu recebi a notícia do pedido de prisão, eu estava voltando da Itaipu, estava no meu carro dirigindo, eu lembro que eu parei no estacionamento de uma farmácia e eu chorava muito. Porque eu não acreditava.”

“Liguei pra ele, ele pediu para eu ficar tranquila, ele estava indo pro sindicato dos Metalúrgicos e eu tive que chamar um amigo meu porque eu não conseguia mais dirigir. E foi muito difícil, foram 580 dias, com tensão, de saber se ele acordaria bem. E todo dia a gente trocava cartas”, disse, emocionada.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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