À medida que uma vitória do PSDB se torna mais provável crescem as lamentações de alguns petistas contra a imprensa. Votei e votarei novamente em Dilma, mas não cometerei o erro de culpar a imprensa por ter feito aquilo que sempre fez e pode fazer numa democracia.
A manipulação da informação por todos os agentes envolvidos na disputa política e eleitoral é a essencia do regime democrático. Numa ditadura apenas quem tem o poder podem fazer isto, pois a censura e a repressão impedem qualquer tipo de oposição pública e publicada.
Se perder a eleição, o PT não terá sido uma vítima da liberdade de imprensa. Dilma terá sido vitimada pela sua própria incapacidade de destroçar a imprensa monopolizada que ajudou o PT a crescer e a chegar ao poder. Nos últimos 12 anos Lula e Dilma reduziram o desemprego e a fome, pagaram a dívida externa reduzindo a dependência externa do país, incluíram dezenas de milhões de pessoas no mercado de consumo, construíram dezenas universidade públicas possibilitando aos mais pobres terem acesso às mesmas, aumentaram a participação dos salários no PIB, mas também sustentaram as empresas de comunicação com verbas de publicidade. A escolha política confortável feita por ambos (a de coexistir com uma imprensa que se tornou cada vez mais hostil) determinou o destino desta eleição.
A imprensa fez o que fez porque o PT não a enfrentou. Isto é um fato.
O povo está sendo enganado pelo PSDB com ajuda da mídia, golpe midiático em curso, bradam alguns petistas do Facebookistão. Se foi enganado pela mídia monopolizada, o povo também o foi pelo próprio PT. O povo não obrigou os presidentes petistas a abandonarem suas propostas de democratização da imprensa e demolição das capitanias hereditárias da informação. O enfrentamento dos monopólios midiáticos foi dramático, mas acabou sendo bem sucedido na Argentina. Cá a esquerda chegou ao poder e se acovardou ou escolheu não sacudir o ninho de vespas enquanto era possível. O resultado foi o massacre covarde que está sendo imposto a Dilma pelos telejornais.
Quando Aníbal Barca decidiu não atacar Roma depois de sua terceira grande vitória esmagadora sobre as tropas romanas, um de seus conselheiros teria lhe dito que ele sabia vencer, mas não sabia tirar proveito da vitória. O mesmo pode ser dito do PT. O PT venceu o PSDB três vezes, mas foi incapaz de destruir a cidadela fortificada poderosa que continuou existindo por traz dos tucanos. Aníbal Barca perambulou pela Itália por mais de uma década, perdeu o controle da Espanha e foi obrigado a encerrar a guerra sem ter destruído seu inimigo. Acabou sendo derrotado em Zama e fugiu de Cartago e morreu na Bitínia.
O programa do PSDB é bem simples: privatizar as empresas públicas para no processo destruir algumas das fontes de receita eleitoral do PT. Quando toda a produção jornalística e cultural depender exclusivamente das grandes empresas privadas, a fidelidade ideológica dos profissionais da comunicação (jornalistas, artistas e publicitários) será mais facilmente comprada. Aqueles que ousarem desafiar a cidadela tucana serão condenados a vagar sem patrocínio pelo sub mundo on line sem qualquer possibilidade real de informar a opinião pública. No governo de Aécio Neves o PT será drenado economicamente, perderá seu contato com a população e amargará derrotas seguidas até se tornar um pequeno partido de esquerda com uma história grandiosa.
O PT terá o mesmo destino de Aníbal Barca que o PSDB pretende lhe impor? Esta é uma pergunta difícil de responder. A história do passado é conhecida. A história do futuro ainda está sendo escrita. Aécio Neves não perdeu as eleições em Minas Gerais por causa das virtudes do PT, ele foi derrotado por causa de suas debilidades como homem e como administrador público. O sucesso de Aécio em impor à força um programa neoliberal (que causará desemprego, redução de salário, sofrimento e exclusão social) poderá acabar se transformando no maior pesadelo histórico da elite brasileira. Um terceiro turno definitivo pode ser encenado nas ruas do país ao fim do ano que vem. Quem viver verá.
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