
Muitos ficam preocupados com o andamento da Bolsa nos últimos meses, oscilações manipuladas segundo alguns, antecipação ao futuro segundo outros, essas oscilações com motivos falsos ou verdadeiros não devem preocupar nem os que acreditam na veracidade delas como os que não acreditam, simplesmente porque falsas ou reais refletem uma visão de curto ou curtíssimo prazo, que em termos de nação não são significativas.
Na análise do crescimento das economias mundiais, se faz uma comparação entre a economia norte-americana e a europeia, atribui-se a fatores monetários a saída da crise dos USA e estagnação da Europa, se esquecendo de um fator essencial cada vez mais determinante para o desenvolvimento ou mesmo para a manutenção da qualidade de vida das pessoas, o fator energético, e devido a este se pode dizer que o Brasil tem futuro.
Quando se compara a economia da zona do Euro com a norte-americana todos se esquecem da dependência da Europa às fontes energéticas externas e por outro lado outros tecem loas, ao que se erroneamente se denomina de o óleo e o gás de xisto, como o grande diferencial e o grande futuro da nação norte-americana em relação aos outros países. Citam-se o aumento de produção de gás e de óleo extraído de reservas de xisto como o “grande passo ao futuro” e uma novidade em termos energéticos nos estados-unidos. Reservas imensas são descritas como uma recente descoberta e sua extração como uma verdadeira première mundial, tanto uma como a outra afirmação tem que ser relativizada.
Então aos fatos, mostrando algumas limitações e fragilidades deste recurso energético, que muitos erroneamente, ou mesmo de forma mal intencionada, é superestimada em relação ao pré-sal.. .Primeiro de tudo é necessário esclarecer com cuidado a incrível confusão que há na descrição destas reservas de gás e óleo que não deveriam ser chamados gás e óleo de xisto, uma denominação totalmente imprópria devido a traduções mal feitas.
O que os norte-americanos estão extraindo é o chamado “tight oil” ou “tigth gas”, que literalmente se denominaria “óleo apertado” ou “gás apertado”, estas duas fontes de hidrocarbonetos não são a mesma coisa do que denominamos “óleo de xisto” ou “gás de xisto”. Em inglês há duas palavras “shale oil” e “oil shale”, quem quiser saber com detalhes a diferença consulte AQUI, aqui, aqui, aqui, ou poderia ficar escrevendo “aquis” por mais duas ou três linhas. Mas é importante destacar que NÃO É A MESMA COISA. Segundo o primeiro link, que está em maiúsculo e mais técnico, antes do texto está colocado uma informação importante.
“The difference between oil shale and shale oil: It’s not like the two ways you can say “tomato”. It’s more like the distinction between apples and oranges…”
Traduzindo de forma não muito correta: A diferença entre óleo de xisto e o xisto Betuminoso (óleo apertado) não é o mesmo que dar dois nomes a um tomate. É mais como distinguir uma maçã de uma laranja.
O óleo de xisto (oil shale), grosseiramente falando, um composto orgânico chamado querogênio (NÃO É PETRÓLEO!) que pode ser extraído de uma rocha sedimentar, o xisto. Esta rocha quando rica em querogênio se pode através de processos térmico-químicos com alta sofisticação transformar o querogênio em óleo convencional, tanto na extração como na conversão é necessária e grande quantidade de energia que encarece em muito o processo, figurativamente pode-se dizer que o mesmo que extrair água de pedra!
Por outro lado o “shale oil” que se pode chamar “xisto betuminoso” (oil-bearing shale) ou uma denominação menos equívoca como “óleo apertado”, são reservas de hidrocarboneto (petróleo) que estão em rochas de baixíssima porosidade (motivo da palavra apertado – “tight”), que são extraídas através do uso do fraturamento hidráulico e de poços horizontais.
Esta confusão leva a afirmações por pessoas que desconhecem a diferença em indagar porque o Brasil possuidor de grandes reservas de “oil shale” não extrai petróleo e gás como os Estados Unidos fazem com o seu “shale oil”. Simplesmente porque quem planta laranjas não pode colher maçãs!.
Dito isto, pode-se passar as reservas de óleo e gás apertado e sua exploração dos Estados Unidos. A existência das reservas das formações geológica que possuem gás e óleo não é nenhuma novidade na América do Norte, são conhecidas estas formações e já exploradas comercialmente há mais de 50 anos, as técnicas de fraturamento hidráulico e poços horizontais, essenciais para a produção comercial do gás e óleo apertado, também são conhecidas há 149 anos e 90 anos respectivamente, ou seja, NÃO TEM A MÍNIMA NOVIDADE TODA A EXISTÊNCIA DESTAS RESERVAS E AS TECNOLOGIAS DE EXTRAÇÃO, logo qual é a novidade de tudo isto!
A grande novidade é que devido as reservas norte-americanas de petróleo e gás convencionais estarem em declínio há mais de 40 anos, somente com UM PREÇO ALTO DO PETRÓLEO TORNA VIÁVEL A EXPLORAÇÃO do gás e óleo apertado. Afirmações tais como: “Os EUA estão passando por uma revolução tecnológica que está barateando enormemente o preço do gás e do petróleo, a extração de gás e óleo do xisto betuminoso, hoje produzidos a um quarto do preço vigente no mercado mundial. O preço para viabilizar a exploração do pré-sal brasileiro chega a US$ 60 o barril, o que na prática torna o pré-sal economicamente inviável. …” feitas desavisadamente por pessoas que não conhecem bem a tecnologia são COMPLETAMENTE DESCABIDAS. O correto seria que o petróleo do pré-sal torna-se viável devido a necessidade de extração do gás e óleo apertado nos Estados Unidos por motivos geopolíticos de segurança energética, motivando-os a lançar mão de reservas de petróleo extremamente caras e de difícil extração.
A afirmação alternativa pode ser provada com dados reais de produção de gás e óleo apertados em função do preço de cada um desses insumos (que não seguem a mesma curva). Também se pode provar a veracidade da afirmação pelas características dos poços de extração de gás e óleo apertado, que mesmo as condições geológicas dos locais que estão sendo extraindo gás e óleo serem as melhores das reservas que eles possuem o decaimento ou declínio de produção por poço muito mais rápido do que poços tradicionais (como os das reservas brasileiras ou dos países do oriente médio).
Tanto nas reservas de Bakken no norte dos Estados Unidos (Dakota do Norte), como nas reservas em outros lugares (Marcellus, Barnett e outras) nos cinco primeiros anos de extração de petróleo a produtividade do poço cai a menos de 10% da produtividade inicial (quem quiser saber melhor leia os dados brutos de produção nos campos da Dakota do Norte (https://www.dmr.nd.gov/oilgas/stats/statisticsvw.asp).. .As discussões sobre o grau de decaimento dos poços de gás e óleo apertado nos Estados Unidos são intensas, pois há diversos fatores envolvendo a avaliação correta desses poços, pois projeções intencionalmente erradas são feitas tanto pelos adeptos da exploração como pelos que são contra, mas apesar dessas discussões podem-se retirar algumas conclusões:
1) Que o problema de depleção (ou decaimento) dos poços de gás e óleo apertado é um problema físico e não econômico.
2) Que para manter estável a produção de campos de gás e óleo apertado é necessário a perfuração permamente de novos poços e uma manutenção bem mais elaborada e custosa que poços de hidrocarbonetos convencionais.
3) Que devido ao item (2) é necessário um alto investimento ao longo de toda a exploração, tendo a exploração dos poços de gás e óleo apertado uma demanda muito alta de equipamentos, insumos e mão de obra.
4) Que até hoje, como não há um critério unificado de quantificação das reservas de um poço altamente variável conforme critérios econômicos e de necessidade de caixa, a exploração continua extremamente volátil.
5) Que os elevados custos de manutenção da produção, com a escavação permanente de novos poços e manutenção dos já existentes, são uma espécie de garantia de preços de petróleo alto que tornam extremamente viável o petróleo do pré-sal.
Além destas interrogações há uma certeza técnica extremamente preocupante para os norte-americanos; a extração de gás e óleo da forma que está sendo conduzida, mais preocupada com o fluxo de caixa do que com a manutenção das reservas em longo prazo, pode comprometer em muito a quantidade das reservas recuperáveis, pois quanto mais rápido se extrai, mais rápido se chega ao limite não permitindo a mesma recuperação no futuro que se teria com a operação correta dos poços.
Pode-se dizer que nos dias atuais a política de extração de gás e óleo dos depósitos não convencionais, está seguindo mais a critérios geopolíticos e de propaganda de curto prazo do que critérios técnicos de longo prazo, que se continuados podem rapidamente extrair da forma mais inconveniente possível às reservas norte-americanas do que prolongar a vida do petróleo como uma das principais fontes de energia.
Passado este imenso prólogo, colocando agora em jogo as reservas brasileiras de energia de outras fontes e de petróleo, pode-se deixar claro que quanto ao pré-sal, é possível denomina-lo como uma importante reserva de médio prazo que permitirá a transição do país a uma matriz energética sustentável em longo prazo. Enquanto há dúvidas sobre o gás e óleo apertado em médio prazo, há certeza nas reservas brasileiras se ESTAS FOREM OPERADAS EM FUNÇÃO de um programa de NAÇÃO.
No Brasil, além das reservas atuais de petróleo, tem-se uma reserva de energia hídrica renovável que se forem retomados os projetos de utilização racional desta, com a implantação de reservatórios de acumulação plurianual, o país disporá no futuro de algo inesgotável, uma energia que provém da simples colocação da água de um nível mais alto para um nível mais baixo, deixando o trabalho de recuperação da energia para a evaporação e para as chuvas.
Por outro lado, o potencial eólico, se utilizado dentro do limite que esta energia permite, pode em curto prazo dar algum alívio ao resto do sistema.
Porém, expressando uma opinião pessoal, o grande futuro da energia do Brasil, não para os próximos anos, mas sim para as décadas posteriores está na energia solar. Nos dias atuais, investir comercialmente em energia solar é um verdadeiro crime, pois se tira de fontes existentes e baratas recursos para a sua implantação. Mas esta limitação atual da energia solar, não deve perdurar para sempre, se for investido maciçamente em pesquisa e desenvolvimento em energia solar, certamente as dezenas de comunicações científicas que aparecem na bibliografia técnica algumas futuramente se transformarão em produtos comerciais e de baixo custo de conversão de energia.
Em resumo, contrapondo a dependência energética da Europa, o alto custo de extração do gás e óleo apertado, as nossas reservas de petróleo, o potencial hidroenergético restante, as possibilidades de uso de energias alternativas em médio e longo prazo, o Brasil tem uma situação extremamente confortável em termos de energia, dando um diferencial competitivo em relação a outros países, que superará qualquer oscilação de bolsa ou indicadores econômicos nos próximos anos.
jluizberg
3 de outubro de 2014 1:57 pmEnergias alternativas no Brasil
Vinha visão sobre fontes de energia aternativas, principalmente para o Brasil, no cenário atual, é de investir nelas para pequenos agrupamentos industriais e pequenas cidades, utilizando a energia eólica e solar como complementar, reduzindo o custo e o consumo da rede de distribuição e inclusive vendendo de volta para as operadoras o excedente.
Hoje isso já é utilizado mesmo em residências individuais e traz retorno financeiro no médio prazo (a partir de 5 a 7 anos). Quando utilizado em parques industriais, principalmente no Nordeste, onde temos grande incidência de ventos e sol, pode trazer retornos financeiros, aumentando a competitividade da indústria Brasileira, e reduzindo a dependência do sistema de distribuição, que poderá canalizar a energia para outros locais.
Não sou especialista no assunto, então essa é a opinião de um leigo que gosta de ler e pesquisar um pouco.
rdmaestri
4 de outubro de 2014 5:32 pmLuiz, infelizmente não é tão
Luiz, infelizmente não é tão simples assim.
No momento temos coletores solares a custos razoáveis que permitem num prazo bem longo (segundo os próprios vendedores de equipamentos) 20 anos a amortização dos custos pela diminuição de consumo e pela venda as operadoras, porém os preços destes coletores estão baixos simplesmente porque a China montou um parque industrial para produzi-los e seus principais compradores, ou europeus, deixaram de investir neste tipo de equipamento, se o mercado estivesse normal, jamais estes equipamentos seriam amortizados (a vida útil, segundo os fabricantes, é de aproximadamente 20 anos).
Há dúvidas também sobre os custos de manutenção das células foto-voltaicas, logo só o tempo dirá se os 20 anos para a amortização do equipamento é real.
A grande esperança é que nas próximas décadas surjam equipamentos com maior rendimento e custo econômico e ambiental menor do que os atuais, eu acho que é uma tecnologia que merece investimento em pesquisa.
Quanto aos geradores eólicos, há poucas regiões no Brasil que se tem ventos fortes e constantes, e exatamente nessas que começaram a implantação de sistemas de geração eólico.
Quanto a utilizar sistemas eólicos e solares para a indústria seria atualmente um caos, a indústria paga hoje em dia tarifas muito menores do que o custo da energia gerada por estes sistemas, e isto aumentaria a necessidade de subsídio cruzado entre diversos tipos de consumidores, ou seja, os consumidores residenciais e comerciais que pagariam a conta.
Mais outro comentário, as redes não sofrerão alívio com a implantação de sistemas não convencionais, pois além deles terem a produção dispersa sempre se tem que prever uma alimentação de fora do sistema.
As energias alternativas servem principalmente para se poupar a água nos reservatórios de produção hidrelétrica, talvez num futuro próximo os fotovoltaicos serão uma fonte realmente alternativa, mas não com a tecnologia que se estáa empregando.