Por Sérgio Assad
O violão clássico brasileiro perdeu hoje aquele que foi o seu maior inspirador. Falar bem de Sergio Abreu trata-se de redundância. Todos que conviveram com ele sabem da sua extrema generosidade, da sua aguçada inteligência e sabedoria.
Quando meu irmão Odair e eu chegamos ao Rio em 1969 pra estudar com a Monina Távora, mesma professora dos irmãos Abreu, nós já havíamos sido tocados pela magia musical deles. Na realidade, o que nos levou ao Rio foi exatamente a existência do Duo Abreu , que havia atingido ainda nos anos 60 um nível sem precedentes na história do violão clássico no Brasil.
Posso afirmar então que a existência do Sérgio tenha sido um fator muito importante na nossa trajetória musical.
Quando chegamos ao Rio em 1969 nem instrumentos decentes nós tínhamos. Por algum tempo nós utilizamos 2 violões que o Sergio nos emprestou. Eram um Do Souto e um Del Vecchio. Ele nos dizia regularmente que nós precisaríamos de bons violões se quiséssemos entender a sonoridade do instrumento. Bem mais tarde, creio que em 1975 nós compramos 2 violões do próprio Sérgio que ele nos passou por um preço camarada. Eram um Romanillos e um Rubio que nós usamos por bastante tempo.
Quisemos a um certo momento, quando a Monina regressou à Argentina em 75, ter aulas com ele, mas ele dizia que não tinha interesse em dar aulas embora tenha chegado a me ouvir e tenha me dado alguns conselhos valiosíssimos.
Além de uma qualidade superior como intérprete, o grande legado que o Sergio nos deixou foi o de deixar bem claro que para se construir um repertório próprio é necessário desenvolver um trabalho como arranjador. Sérgio era um excelente arranjador e deixou uma grande quantidade de adaptações para dois violões que cobrem a música de vários períodos da História musical.
Eu entendi esta mensagem bem cedo e me esforcei também para criar os meus próprios arranjos que acabaram por culminar no meu trabalho como compositor.
Então eu acho que eu devo muito ao Sérgio por acender esta centelha que acabou por iluminar todo o meu caminho como músico.
Se vamos para algum lugar no após vida certamente o Sergio terá um lugar muito especial condizente com o grande ser humano que ele foi. Salve Sergio!
Por Marcelo Khayat
Estou em Miami de férias com a família – não consigo falar sobre o Sérgio porque começo a chorar
Vamos fazer mais adiante
Por Juarez Moreira
Bom dia…Nassif
Lamento muito…
Foi uma das melhores pessoas que conheci no meio da música…Uma simplicidade sem tamanho e um talento absurdo .Quanto ao duo uma das melhores coisas que vi e ouvi.Assino em baixo tudo que escreveu.
Belo texto. Tive a sorte de visitar sua oficina e tocar para eles a tarde toda.
Ele gostava do Bonfá….
que era amigo do pai deles
Toquei várias músicas do Bonfá para ele …o que me valeu um email por parte dele…que se perdeu por conta do computador ter caído do HD ficou inutilizado..
Não me perdôo..
Uma pena o Sérgio ter ido…
Forte abraço
Por Flávio Apro
Eliane Maria
20 de janeiro de 2023 12:50 pmSergio Abreu estará presente em cada som que deixou impregnado em nosso ouvido, em cada violão que construiu (o meu foi o número 753). Só nos resta fazer soar bastante esses violões. Muita música no ar, em memória daquele que nos possibilitou o sonho de violões de verdade.