4 de junho de 2026

Sílvio de Almeida na luta pelo fim do racismo recreativo, por Saulo Barbosa

Fazer racismo através de piadas ou brincadeiras é uma forma de ser racista, porém, sempre com ar de coisa lúdica e despretensiosa
José Cruz - Agência Brasil

Sílvio de Almeida na luta pelo fim do racismo recreativo

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por Saulo Barbosa Santiago dos Santos

Aos poucos busca-se moralizar (isso é diferente de ser moralista) a política brasileira pós Bolsonaro. Qualquer fala absurda é lastreada sob a tal da liberdade de expressão para justificar crimes, liberdade de expressão não encobre crime, são coisas diferentes. Ofender pessoas pela sua raça, condição física ou mental, religião, etc. tornou-se algo corriqueiro e muitas vezes silencioso, principalmente entre comediantes.

No dia 11 de janeiro de 2023, o presidente Lula sancionou a lei que iguala crime de injúria a racial ao racismo, ela altera a lei de crimes raciais (7.716/89) e o código penal ainda de 1940 porque havia brechas legais onde um racista tinha pena diminuída criminalmente. Agora não há mais brechas, injúria racial em eventos humorísticos, a pena será mais dura.

O Ministro Silvio da Almeida, jurista e escritor bastante respeitado mundialmente e ex-guitarrista de rap metal, já lutava contra a questão dos crimes raciais há anos, porém, a máquina pública, nos governos Temer e Bolsonaro, praticamente silenciou seu trabalho. A aprovação desta lei nos dá um ar de esperança na luta contra o racismo estrutural brasileiro.

Talvez o leitor se questione sobre a preocupação legal à questão racista no humor, darei um caso para entendermos a complexidade. Um determinado humorista perguntou a um grupo de jovens negros, se depois que eles saíssem do local iriam queimar algum ônibus, no coro das gargalhadas, os jovens se sentiram ofendidos, e se perguntaram “por que justamente nós?” Depois de longa luta judicial, o juiz informou que sequer houve injúria racial porque não havia a intenção de ofender ou desonrar os jovens, o caso foi arquivado e o trauma ficou para o resta da vida das vítimas. O racismo dentro do humor só reproduz hostilidade racial, por isso racismo recreativo.

Fazer racismo através de piadas ou brincadeiras é uma forma de ser racista, porém, sempre com ar de coisa lúdica e despretensiosa para burlar a moralidade social. O humorista faz um gesto imitando um macaco, mas rindo, outro, liga pessoas negras ao crime, mas sendo cordial e educado, por exemplo, “na favela só tem vagabundo e criminosos, mas felizmente há algumas pessoas boas”, como se numa favela ser bom é exceção e como em regiões assim a maioria é pobre e negra, acaba-se ligando ao crime. Este tipo de racismo é chamado de aversivo, ou seja, demonstrar de forma cuidadosa o quanto é ruim conviver com negros e por isso se distanciar deles.

Podemos concluir que há diversas formas de demonstrar superioridade racial, uma delas é de forma humorística ou educada. É necessário que a sociedade busque ferramentas para que o racismo, pelo menos, não cresça da mesma forma e intensidade que cresceu nos últimos quatro anos. Racismo quando não mata, destrói famílias e sem uma luta constante contra este crime, jamais seremos felizes e justos.


Saulo Barbosa Santiago dos Santos – Filósofo, guarda civil e autista

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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