A prefeitura da cidade de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, foi sucessivamente alertada sobre o risco de deslizamentos na região nos últimos dez anos.
O primeiro aviso foi emitido pela Unicamp no ano de 2013, a partir de um estudo sobre a expansão das áreas de risco na região em um trabalho que durou quatro anos.
Em 2015, o Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da universidade Mackenzie preparou um estudo para a Vila Sahy, a região mais pobre da Barra do Sahy, a pedido da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).
A pesquisa considerava a realocação de 180 famílias instaladas na região para regiões nas proximidades com um pacote que incluía regularização fundiária, saneamento básico e oferta de empregos.
Além desses avisos, o Ministério Público de São Paulo apresentou parecer técnico a respeito da vulnerabilidade existente na Vila Sahy, justamente a área mais afetada pelas fortes chuvas que atingiram a cidade na última semana.
Outros alertas foram feitos no segundo semestre de 2018, quando o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) preparou um Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) para São Sebastião e, em novembro de 2020, um grupo a serviço do Ministério Público de São Paulo apresentou um parecer que apontava a manutenção da Vila Sahy sem mudanças como “uma verdadeira tragédia anunciada”.
A Vila Sahy foi justamente a região mais afetada pelas fortes chuvas que atingiram o litoral norte paulista no último final de semana. Boletim divulgado pelo Governo de São Paulo neste domingo confirmava a morte de 64 pessoas, sendo 63 em São Sebastião e uma em Ubatuba.
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