José Rainha Junior e Luciano de Lima, líderes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade, foram presos na tarde deste sábado (04/03) na cidade de Mirante do Paranapanema, no interior de São Paulo.
“Essa prisão de cunho político, tem nítida relação com a jornada de ocupações do Carnaval Vermelho, sendo um ato de retaliação aos lutadores do povo sem terra”, diz a FNL em nota oficial a respeito do caso.
De acordo com a instituição, o objetivo do Carnaval Vermelho é mostrar a contradição brasileira: de um lado, o país é um dos que mais produz alimentos no mundo, mas 58% dos brasileiros e brasileiras apresentam algum grau de insegurança alimentar – sendo mais de 33 milhões com insegurança alimentar severa.
“O Carnaval Vermelho desse ano despertou a fúria do agro e de seus consortes e até o mercado andou nervoso. Afinal, pode ter um exército de famintos no país, mas terras sendo divididas entre os mais pobres é um crime ao qual o agronegócio e o capital não toleram”, afirma a FNL.
“Denunciamos a invasão de terras públicas pelo agronegócio no Pontal do Paranapanema, debate já vencido em decisão proferida pela ministra Carmen Lucia já transitada e julgada e recentemente publicada pelo STF, terras publicas estas, que o agro defende como sua a bala, expulsando, ferindo e matando se necessário os trabalhadores que ousam reivindicá-las”, lembra a frente nacional.
Reafirmando que o direito à luta não é crime, a frente nacional ressalta que “é dever do Estado garantir terra e teto a quem mais precisa, se o Estado não garante nosso ordenamento jurídico, permite que movimentos sociais se organizem em torno de suas pautas para pressionar o Estado”.
“Exigimos a liberdade imediata dos nossos companheiros, que têm o direito garantido pelo Estado Democrático de Direito, de responder a qualquer acusação em liberdade”, pontua a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade.
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