4 de junho de 2026

O México faz reformas, quebra monopólios, sem maioria parlamentar, por Pedro Passos

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Enviado por Superperplexo

da Folha

Um exemplo para o Brasil

por Pedro Luiz Passos

Aos que se apegam à necessidade de grandes coalizões de partidos como remédio universal para a governabilidade e a aprovação no Congresso de emendas constitucionais e projetos de lei, eventos recentes no México fornecem um contraponto essencial.

As reformas patrocinadas pelo presidente Enrique Peña Nieto, com menos de dois anos de governo e a despeito de um cenário político hostil e graves dificuldades econômicas, além da falta de maioria parlamentar, merecem observação atenta, já que há pontos em comum com a situação brasileira.

México e Brasil têm as duas maiores economias da América Latina e compartilham semelhanças como alta taxa de criminalidade, corrupção endêmica, burocracia pesada e interesses diversos encrustados como ostras ao Estado, prontos para vetar reformas e interditar debates que ameacem seus privilégios.

Jovem liderança do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país por 71 anos e estava havia 12 na oposição, Peña Nieto propôs mudanças profundas uma vez eleito -parte não explicitada na campanha eleitoral.

Em vez de negociar a maioria parlamentar negada pelas urnas, ele instou os partidos de oposição a endossar a agenda de reformas, incluindo a quebra do monopólio da estatal petrolífera Pemex, implantado pelo próprio PRI em 1938 e nunca mais revisado.

O entendimento começou pela construção do que chamou de Pacto pelo México -o consenso reformista firmado com os outros dois maiores partidos do país: o conservador PAN, que elegera os dois presidentes anteriores, e o esquerdista PRD. Depois, com um ou com outro, mas sem veto de nenhum, teve maioria para aprovar as mudanças.

Elas foram muito além da abertura do setor petrolífero, que vem em decadência acelerada (de 3º maior produtor mundial nos anos 1980, o México desabou para o 10º lugar).

Nesse mesmo embalo, foi aprovada a quebra de outros monopólios -de direito, como do setor elétrico, a virtuais, caso dos setores de telecomunicações e televisão, em que é grande a concentração de mercado. E continuou com mudanças da área fiscal, do crédito, da educação. A sacudida tem sido geral.

Eis aí não somente um experimento político, com ampla repercussão econômica, mas um testemunho de que habilidade política, capacidade negociadora e persistência de propósito podem despertar um senso de união em benefício do interesse nacional mesmo onde havia acirrada rivalidade entre os partidos e poderosos lobbies corporativos.

Dos choques entre percepção de exaustão do desenvolvimento econômico e social, tal como da confiança da sociedade no sistema político, e interesses contrariados, prevaleceu a razão nacional.

As sondagens de opinião no Brasil captam sentimento semelhante. A sociedade pede qualidade da saúde e educação providas pelo Estado e maior zelo com a segurança pública, a mobilidade urbana, melhor uso dos dinheiros dos impostos, fim da impunidade da corrupção e também da inoperância administrativa tratada com descaso, sem sanções.

Não há como promover a qualidade da gestão pública sem um sistema que contemple a meritocracia e contrarie interesses acomodados. Essa foi uma das motivações da reforma da educação no México. No Brasil, porém, tais assuntos têm sido apenas tangenciados na atual campanha eleitoral, que, a princípio, seria um fórum ideal para debates aprofundados nesse sentido.

Não se trata de pegar os mesmos temas e mesmos processos seguidos pelos mexicanos e implantar no Brasil. Os cenários, as prioridades e as necessidades são distintos. Mas importa entender a metodologia para construir uma coesão que possa cogitar um “Pacto pelo Brasil” para superar problemas, destravar o progresso e reaver a confiança.

Para quem julga tais processos como neutros para a confiança e a economia, recomenda-se olhar o que já está acontecendo no México: o crescimento, segundo o radar das consultorias, tende a se aproximar de 4% em 2015, saindo de 1,1% em 2013, com inflação cadente, desemprego baixo e estável e juro equivalente à nossa Selic de 3%, contra 11% no Brasil.

E isso com o grosso das reformas ainda em implantação, como a licitação de 109 blocos e 60 campos de produção de petróleo anunciada para 2015, em competição direta com o pré-sal. Em linguagem futebolística, o México saiu da retranca.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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33 Comentários
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  1. Mardones

    12 de setembro de 2014 2:27 pm

    É para rir?
    Ou a Falha

    É para rir?

    Ou a Falha esqueceu que FHC fez a privatização a torto e a direito e nos legou os excelentes e acessíveis serviços privados de telefonia, das encomendas da Vale na Ásia, da destruição do transporte ferroviário de passageiros e do quase sumiço da indústria naval?

    Se a privatização fosse a solução para os problemas da nação, o Brasil não teria ido pedir empréstimos ao FMI, depois de seguir a receita da quebra do monopólio.

    Os Frias seguem seu rumo na defesa dos interesses privados. Mas golpista impossível.

    1. Motta Araujo

      13 de setembro de 2014 1:35 am

      O transporte ferroviario de

      O transporte ferroviario de passageiros acabou no Brasil MUITO ANTES do governo FHC.

  2. sergio m pinto

    12 de setembro de 2014 2:37 pm

    Desses “pactos” eu quero mais

    Desses “pactos” eu quero mais é distância. Basta ver os resultados econômicos-sociais do México. Não seria isso que certa candidatura está propondo?

  3. Emilio GF

    12 de setembro de 2014 2:38 pm

    Depende do que se muda

    Essas roformas neoliberais vão de encontro aos interesses dos donos do capital, maiores financiadores de candidaturas dos diversos partidos.

    Dái fica fácil aprovar os projetos.

  4. Carolina Faria

    12 de setembro de 2014 2:44 pm

    Então ele fez o que a Marina

    Então ele fez o que a Marina propõe? Magicamente fez partidos adversários largarem todos os iteresses excusos, darem as mãos e passarem a trabalhar pelo bem do México? Inacreditável!

  5. CB

    12 de setembro de 2014 2:45 pm

    É, o México é um lugar tão

    É, o México é um lugar tão legal, mas tão legal que todos os dias pencas de mexicanos tentam cruzar ilegalmente a fronteira com os EUA para tentarem uma melhor sorte na vida.

  6. Diogo Costa

    12 de setembro de 2014 2:53 pm

    Não é bem assim

    Não há absolutamente nenhum tipo de comparação que se possa fazer entre a situação parlamentar do PRI no México e a situação do PT no Brasil. Vamos aos fatos:

     

    -O PRI, sozinho, tem 42 por cento dos deputados federais no Congresso Mexicano. O PT, no Brasil, tem apenas 17 por cento dos deputados federais no Congresso Nacional.

     

    -O PRI, sozinho, tem 42 por cento dos senadores no Congresso Mexicano. O PT, no Brasil, tem apenas 16 por cento dos senadores no Congresso Nacional.

     

    -No parlamento mexicano (Câmara e Senado), somente 07 partidos políticos tem representação. No Brasil, existem 22 partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados e 16 partidos políticos com representação no Senado.

     

    Como vemos, é absolutamente fantasioso comparar a situação mexicana com a situação brasileira. Aqui no Brasil existe uma fragmentação partidária que impede que algum partido tenha uma representação forte com é a representação do PRI no México.

    1. rosenvald flavio barbosa

      12 de setembro de 2014 3:20 pm

      e tem mais

      Diogo……..não conheço a politica mexicana. Será que lá tem deputados e senadores tipo assim:
      Roberto Freire, Eduardo Cunha, Bolsonaro, Mauro Couto – ou Coito, não me lembro o certo,
      Alvaro Dias, Carlos Sampaio………..com esta turma aqui citada não é fácil não.

    2. André Paulo Reis

      12 de setembro de 2014 3:32 pm

      Agora entendi, obrigado Diogo

      Os meios de comunicação vem a toda hora com cada notícia, a Empiricus mantém a todo momento no meu facebook um chamado para curtir uma página dando-nos conta de que se Marina Setúbal não for eleita o Brasil acaba no próximo ano, que coisa heim gente, não tem como ficar livre desses ratos no FB

    3. Flavio Martinho

      12 de setembro de 2014 3:34 pm

      Ressalte-se ainda que quando

      Ressalte-se ainda que quando se trata de reformas neoliberal para favorecer o grande capital consegue-se tudo. Lembrem-se dos tempos do Collor e do FHC. Estes conseguiram tudo do Congresso. Não precisa buscar exemplos de Mexico!

  7. zé lima

    12 de setembro de 2014 2:54 pm

    Isso é neoliberalismo…

    Isso é neoliberalismo na veia, com todos os resultados já conhecidos, aliás, com todos os que mais perdem, servindo de cobaia, tanto lá, quanto cá, ou, onde quer que tal receituária tenha sido aplicado.

    Não se pode cogitar, sequer, que haja qualquer indício de resultados alvissareiros.

  8. sergio m pinto

    12 de setembro de 2014 2:57 pm

    Alguém já parou para pensar

    Alguém já parou para pensar que as propostas da fadinha da floresta vão na mesma direção? Creio que a melhor maneira de discutir essas propostas é comparar com as do México e mostrar a situação da economia desse país e os resultados para a população.

    1. Motta Araujo

      13 de setembro de 2014 1:33 am

      A situação da economia do

      A situação da economia do Mexico é qual? Vc sabe? Então nos explique.

  9. saulogeo

    12 de setembro de 2014 3:06 pm

    A Foia apoia….

    A Foia vai apoiar também a quebra do monopólio midiático?

    Que é isso mano? Isto não, né!!!!

    Lei de Meios Já!!!!!

  10. Ditador Máfio-Democrático

    12 de setembro de 2014 3:08 pm

    Sabe nada, inocente…

    O FHC mexicano está fazendo agora, lá, o mesmo que o Brasil fernandista fez aqui: tentar aleijar o país em definitivo.

    Veja a semelhança por ex. da quebra do monopólio da Pemex….

    Ora, o que o postador chama de “instar”?

    Como se “insta” quem pensa diferente? 

    Como se faz isto, se quem pensa diferente é maioria?

    Algumas “suposições”:

    a) Um fantástico e inacreditável poder de convencimento (!!!).

    b) Com um tal de dinheiro (direto ou indireto, via lobbies, etc.). Afinal o “retorno do investimento” é descomunal!

    c) Com um golpe, uma ditadura.

    d) Ilegalmente (ou para-legalmente*) com por ex. uma boa aparelhagem jurídica** (FHC)

    e) Na porrada, interna e/ou externa (ex. Or.Médio, Am.Central).

    Nenhuma delas, fazendo política, da democracia de verdade.

     

    (**) Faça ilegalmente, transforme em fato e deixe os contrários questionarem na Justiça por décadas, fatos consumados como a quebra do monopólio da Petrobrás, a venda do controle da Vale, a maioria das privatarizações, etc. Qual o juíz que vai julgar ilegal a vendoação da Vale? Como se operaria a sua reversão?…

  11. Amaury de Andrade

    12 de setembro de 2014 3:08 pm

    O México faz reformas, quebra monopólios, s/ maioria parlamentar

    Pedro Luiz Passos, permita-me plagiá-lo: – “E isso com o grosso das reformas ainda em implantação, como a licitação de 109 blocos e 60 campos de produção de petróleo anunciada para 2015, em competição direta com o pré-sal. Em linguagem futebolística, o México saiu da retranca.”

    Pois bem! Se levarmos de fato em linguagem futebolística, diria que os EUA irmãos do norte como os mexicanos gostam de dizer, diria que: Cartolas americanos (Homens das Malas), entraram em campo para fazer frente ao time do présal, ou seja, O treinador americano saiu da tóca.

    Isso é o que pensa, esse irmão do sul.

  12. Marcos AC Lopes

    12 de setembro de 2014 3:21 pm

    Se a Folha elogia as

    Se a Folha elogia as reformas, desconfiem…Os dados apresentados no final do artigo não me parecem confiáveis. O que parece bom para o México não é bom para o Brasil( entregar nosso petróleo, privatizar a educação…) . Pode ser bom para os americanos!!!

  13. Hernán Ramírez

    12 de setembro de 2014 3:38 pm

    Poi é,
    Comparar o México com

    Poi é,

    Comparar o México com o Brasil é temerário, ninhum comparatista arriscaria (vejam Charles Tilly).

    México foi governado pelo PRI durante décadas, o que apenas foi quebrado uma vez. Por outro lado, a sua política é muito mais corrupta do que aqui (ele assumiu com compra de milhões de votos). O Estado está corrompido pelos narcos…

    Sua economia derreteu por causa do NAFTA, a sua educação superior também derrete…. etc. 

  14. Gerson Roque

    12 de setembro de 2014 3:55 pm

    México e reformas

    Pobre México!

    Agora é que vai se afundar de vez!

    E o pior, é que tem uns, por aqui, que acham ser uma maravilha!

     

    1. Roberto Luiz

      12 de setembro de 2014 6:59 pm

      Prisão ideologica!

      Pergunte para os pobres que a esquerda defendem, se eles não querem muitas das mudaças do mexico!

      O povo quer crescimento, porque sabe que ele é que trara empregos de longo prazo!

  15. wendel

    12 de setembro de 2014 4:02 pm

    Ingenuidade ou mal caratismo mesmo…………

    Comparar as politicas adotadas no México e dizer que as mesmas seriam benéficas ao Brasil, ou é cinismo ou banditismo mesmo!!!!

    São duas realidades totalmente diferentes, e sem entrar no mérito dos números, é só ver que o quintal dos EUA é o méxico, desde sua adesão ao Nafta, que só produz sangria nalquele país!

    Deixo de comentar outros detalhes, pois vejo que este artigo, me enerva!!!!!!!!!!!!!!!!! 

    E olha que me considero tolerante e democratico!!!!!!!!!!!!!

  16. wendel

    12 de setembro de 2014 4:07 pm

    Ingenuidade ou mal caratismo mesmo…………

    Comparar as politicas adotadas no México e dizer que as mesmas seriam benéficas ao Brasil, ou é cinismo ou banditismo mesmo!!!!

    São duas realidades totalmente diferentes, e sem entrar no mérito dos números, é só ver que o quintal dos EUA é o méxico, desde sua adesão ao Nafta, que só produz sangria nalquele país!

    Deixo de comentar outros detalhes, pois vejo que este artigo, me enerva!!!!!!!!!!!!!!!!! 

    E olha que me considero tolerante e democratico!!!!!!!!!!!!!

    Volto para acrescentar o que disse  Porfirio Días, autor da celébre frase:

     “Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.”

  17. Jaide

    12 de setembro de 2014 4:15 pm

    O jovem lider mexicano deve

    O jovem lider mexicano deve ser tb ambientalista e adepto da FIP.

    Tem a “aura” de quem pertence a “irmandade”.

     

  18. Angela louzada

    12 de setembro de 2014 4:16 pm

    É alguma ameaça? Isso tem

    É alguma ameaça? Isso tem cheiro de ameaçã de golpe na Petrobrás e no país

    1. Jaide

      12 de setembro de 2014 5:06 pm

      Esse cheiro já está no ar faz

      Esse cheiro já está no ar faz tempo. Estamos agora na fase mais avançada, no quase “regime change”.

      Hj, por acaso, estava deletando e-mails, qdo me deparei com um bem antigo. Da época daquele movimento “cansei” no governo Lula. Houve uma acalorada discussão neste espaço.  Eu fiz alguns comentários e recebi, dias depois, um e-mail de um dos cabeças daquele movimento. Gentil, ele fez questão de expor suas idéias. Relendo agora, percebi que as “idéias”  são bem parecidas com a Nova Política, ora apresentada aos brasileiros. O mais interessante foi a defesa de um congresso, digamos, mais enfraquecido.

  19. Jorge Luis

    12 de setembro de 2014 5:16 pm

    Como se escreve Privataria em

    Como se escreve Privataria em espanhol?

    1. Calvin

      12 de setembro de 2014 6:38 pm

      Chama-se…

      Progresso!!! Ou se quiser, Século 21!

      1. Equino Mestiço

        12 de setembro de 2014 9:58 pm

        Mas isso já existe pelo menos

        Mas isso já existe pelo menos desde o século XVI.

        Vc acha mesmo “moderno”?

        Ou é papagaio deles desde então?

        1. Calvin

          15 de setembro de 2014 8:11 pm

          Papagaio não relincha!

          Papagaio não relincha!

  20. Snaporaz

    12 de setembro de 2014 6:26 pm

    Certas pessoas  não tem

    Certas pessoas  não tem pudor.O sujeito escreve um artigo desses e ainda corajosamente assina.

    O espirito colonial,vira-latas e mimético,preside certas cabeças. Um país dividido entre  o

    servilismo e uma guerra civil não declarada não é exemplo nem para  Tuvalu ou assemelhados.

    O México se salva se puder  ele próprio  puxar pelos  próprios cabelos impedindo que  se afunde  de vez.

    Nem mesmo o PRI inquilino do poder por  quase  três quartos de século conseguiu as mudanças  necessárias

    e o partido que o substituiu terminou por  conduzir o país a uma situação limite  que  dela não se livrou até agora.

    Então,onde  está o exemplo? Brasil, sim,   é exemplo para muitas nações,incluindo os EUA,como admitiu Obama  em entrevista  recente.

     

     

     

     

     

  21. ramon mercader

    12 de setembro de 2014 7:04 pm

    Não faltará apoio no congresso

    Para vender o Brasil a Marina também não encontrará nenhum contratempo no congresso. Faz maioria em 5 minutos.

     
    É essa, afinal, a tal união dos “homens de bem” que se avizinha, na verdade, uma união de lesa-pátrias para entregar o que resta do país

  22. regina queiroz bachiega

    12 de setembro de 2014 7:21 pm

    por que este artigo?

    Nassif,

    só para saber: o propósito de republicar este artigo da Folha é com o intuito de ajudar a nossa cesta de informações  na esfera da política internacional, não é?

    Se foi isso, ok, obrigada.

    Se não foi isso, fico imaginando um desavisado qualquer usando as informações do artigo para reforçar ideias neoliberais que voltam a rondar o continente sulamericano.

  23. Almeida

    13 de setembro de 2014 6:28 am

    A história de El Cantarell, o grande campo de petróleo do México

    Em julho de 1961, Rudesindo Cantarell Jiménez fazia a peregrinação da Virgen del Carmen, quando de sua embarcação, “Centenário del Carmen”, que ele mostra aí na foto acima, percebeu um vazamento de bolhas de óleo que vinham do fundo do mar. Muitos pescadores já conheciam aquele fenômeno, mas ele foi o único a se preocupar em alertar as autoridades. Procurou-as  nos três níveis; municipal, estadual e federal, gastou seus poucos recursos em viagens e estadias para tanto e elas não lhe deram nenhuma atenção.

    Passados sete anos, um amigo petroleiro recomendou-lhe que procurasse a Pemex, que mesmo não lhe dando muita atenção,  assegurou que enviaria uma comissão para investigar a possibilidade de existência de petŕoleo na região. Em 1971 uma equipe da Pemex procurou Rudesindo e embarcou no “Centenário del Carmen” para investigar o vazamento, sem lhe pagar pela viagem e a alimentação a bordo.

    Rudesindo tornou-se operário da Pemex, o campo foi batizado em sua homenagem e entrou em operação comercial em 1979. Chegou a ser o segundo campo mais produtivo do mundo, atrás apenas da produção do campo de Ghawar, na Arábia Saudita, e respondeu até por dois terços da produção mexicana, que chegou a ser a quarta maior do mundo. O campo mexicano atingiu o pico produtivo em 2004, o mesmo ano em que a produção do país também picou. El Cantarell produz hoje 20% do que produzia no seu apogeu, os campos que acrescentaram produção na última década não foram suficientes, para conter a queda de produção do México, que teve, entre 2004 e 2013, uma redução de um milhão de barris de produção diária e que derrubou suas exportações de petróleo em mais da metade.

    Achar um campo para repor a produção de El Cantarell será muito difícil, campos dessa magnitude são muito raros. Com o passar do tempo, cai a probabilidade de grandiosas descobertas nas áreas ainda a se investigar, até porque também cai o tamanho das áreas remanescentes para serem investigadas. Quebra de monopólio não altera fatos da geologia. Um grande achado é um golpe de sorte, que pode não acontecer, por exemplo, como na história recente das 5 majors, que desde de 2004 vêm diminuindo a produção, mas pode acontecer com um humilde pescador devoto e peregrino.

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