4 de junho de 2026

Metade inocenta Bolsonaro por atos de 8/1 e 44% acreditam em ameaça comunista com Lula, mostra Ipec

Apesar de o governo Lula iniciar com boa aprovação no IPEC, dois dados chamam a atenção sobre a força do bolsonarismo
Golpistas invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Apesar de o governo Lula iniciar com boa aprovação na pesquisa IPEC, divulgada neste domingo (19), dois dados chamam a atenção sobre a força do bolsonarismo ainda presente, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro: 51% acreditam que o ex-presidente não tem responsabilidade sobre os atos de 08/01 e 44% enxergam risco de ameaça comunista no Brasil.

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Assim, enquanto Lula supera o nível de aprovação iniciada pelo antecessor Jair Bolsonaro, no começo de seu mandato em 2019, com 41% avaliando o governo Lula como “bom ou ótimo” e 30% avaliando como “regular”, os outros dados também dão sinais opostos ao otimismo do atual governo.

Metade ou quase metade dos entrevistados da pesquisa acreditam em uma das falácias defendidas pelo bolsonarismo, a de que um governo Lula seria o início ou a abertura para a instauração do comunismo no país, e que Jair Bolsonaro não incentivou ou teve alguma responsabilidade nos atos de 08 de janeiro, mesmo que o ex-presidente tenha defendido a derrubada das eleições no país e reconhecido legitimidade nos atos golpistas.

Para 51% da população ouvida (2 mil pessoas), Bolsonaro não é culpado pelos atos que tentaram retirar Lula do Poder e invadir o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional no início do ano.

Somente 22% acreditam que o ex-mandatário deve ser investigado, julgado e perder os direitos políticos, e 19% acreditam que ele deveria ser preso pelos ataques dos bolsonaristas na Praça dos Três Poderes.

Também quase metade da população, 44%, vê risco de o país virar comunista, parcial ou totalmente. A teoria falaciosa é uma das bandeiras da extrema direita contra governos de esquerda ou centro-esquerda em todo o mundo e ao longo da história.

Ainda que Lula tenha governado por dois mandatos no Brasil, entre 2003 e 2011, e a sua sucessora Dilma Rousseff por mais um mandato e meio, de 2011 a 2016, nenhum regime comunista foi instalado no país e ainda menos qualquer sinal de ditadura, ambos defendendo a legitimidade do sufrágio e do sistema eleitoral para escolha dos representantes.

Mas 31% dos ouvidos pelo IPEC concordam totalmente que o Brasil corre o risco de virar um país comunista. Outros 13% concordam em parte. 2% não concorda, nem discorda. E 6% não sabe responder.

Somente 36% discordam totalmente e 11% discordam parcialmente.

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 6 de março e ouviu 2 mil pessoas, em 128 cidades brasileiras. Apresenta margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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7 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    20 de março de 2023 11:21 am

    No que diz respeito ao comunismo, se a pesquisa incluísse, para as pessoas que julgam que há uma ameaça real, a singela pergunta: “o que é comunismo?”, e esse aspecto da situação estaria reduzida ao seu mérito real, ou seja, nada.

  2. Célio Ferreira Facó

    20 de março de 2023 11:44 am

    Bolsonarismo é anterior a Bolsonaro. É o caráter das elites nacionais: excludente, irresponsável, amante dos privilégios, golpista, mentiroso. Para sobreviver cooptaram por último as classes médias. Isto explica toda a História do Brasil.

  3. Antonio Sampaio

    20 de março de 2023 2:55 pm

    Gostaria de saber em que parte da pesquisa está dito que 44% têm medo do Brasil virar um país comunista SOB O GOVERNO LULA. Aliás, seria mais joenalístico se a pesquisa fosse identificada. Eu vi a “IPEC
    PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA ‐ JOB1925‐3/2023 BRASIL”. É sobre essa pesquisa a matéria? Grato.

  4. josé Oliveira de Araújo

    20 de março de 2023 4:33 pm

    INFELIZMENTE, PARECE QUE A PARCELA DOS SEM NOÇÃO NO BRASIL AINDA VAI DEMORAR UM TEMPO PARA SE CONSCIENTIZAR DA DESGRAÇA QUE FOI O GOVERNO DO COISO.

  5. 20 de março de 2023 5:20 pm

    Esse resultado mostra as dificuldades de comunicação tanto do governo quanto do restante dos setores progressistas, mas, também, da própria direita que resolveu bater e culpar bolso, como a Globo. A direita tradicional brasileira continua sem saber como se livrar dele e criar alternativas efetivas eleitoralmente. Mas será que esses grupos políticos (da direita tradicional) estão fora do governo lulista? Ao que parece, não. E pode ser essa a grande fonte de dificuldade, pois o governo consegue avançar naquilo que a direita tradicional aceita e não disputa — pautas de mulheres, LGBTQI+, negritude, indígenas. Mas as pautas econômicas permanecem ou travadas (revogação da contrareforma trabalhista, reestatização da Petrobrás, da Eletrobrás e da Vale, além do Banco Central, é claro) ou fingindo que estão discutindo (contrareforma do ensino médio, SUS, planos de saúde, transporte urbano). Mas um pouco de Janones ajudaria bastante na comunicação e na disseminação da visões do governo acerca dos fatos. O petismo e seu entorno têm que compreender que a luta política é feita diariamente. Lula fazendo live ajudaria.

  6. adelgicio de paula

    20 de março de 2023 6:26 pm

    Apesar de que a fase da “guerra fria” já passou há quase 30 anos, há brasileiros que ainda acreditam em “ameaça comunista”. Lamentavelmente, este tema foi sempre usado por agentes da direita para justificar atos de endurecimento do regime e se insurgir contra a democracia. Desde o tempo do Presidente Dutra havia no Brasil este fenômeno da “comunistofobia”, que foi muito utilizado no período que anteceedeu o golpe militar de 1964. O último Presidente exumou este defunto e o colocou como um fantasma zumbi que assombrava a República. Sempre que aparece no horizonte a comunistofobia, há risco contra a democracia. Este fantasma poderia ser exorcizado da vida nacional para sempre.

  7. Francisco*

    21 de março de 2023 2:26 pm

    Em 2018, Haddad lançado candidato em substituição a Lula, a um mês da eleição, foi para o segundo turno e PERDEU por 5% de votos.

    Em 2022, Bolsonaro despejou bilhões nos últimos meses antes da eleição para se REELEGER, foi para o segundo turno e PERDEU por 1% de votos.

    O bolsonarismo armado, junto e atado com o ogro-negócio e aos empresários da fé, tentaram o golpe colocando a militância de ‘deus e famiglia’ nas ruas, mais especificamente diante dos quartéis, para convocarem os eleitos agentes armados à execução do golpe e FALHARAM.

    No QG de Brasília, o principal, pois palco natural ao golpe, reuniu gente de todo o Brasil e não atingiu além de 1.500 acampados no auge, com concentração máxima de público em torno de 30 mil, no chamamento intensivo para o 15/11/22, com declínio posterior ao quebra-quebra para libertar o índio, chegando na última semana com menos de 200 acampados e 1.200 pessoas comparecendo aos fins de semana para juntarem-se aos acampados. Nas demais praças a movimentação foi bem menor, sendo São Paulo, no II Exército a maior concentração, com auge de 500 acampados e 1.500 aos fins de semana, e em torno de 10 mil pessoas na convocação de 15/11/22.

    Na última tentativa desesperada para que os militares executassem o golpe, após uma semana de intensiva convocação por todo o país, para virem para Brasília protestarem no fim de semana de 08/01/22, conseguiram a vinda de 100 ônibus e reunirem em torno de 6 mil patriotários para marcharam rumo a Esplanada dos Ministérios e Praça dos 3 Poderes, para darem no que deram, novo, derradeiro e retumbante FRACASSO da temporada, encerrando de vez o período da derrota eleitoral, com o Inominável escafedendo-se em direção as as ‘Vivendas do Pateta’, em Santa Catarina do Norte.

    O problema de fato, a ser imediatamente resolvido, não encontra-se na pesquisa em questão.
    Encontra-se no absurdo de Lula eleito Presidente do Brasil, receber um mandato presente de presidente do Banco Central, de dois anos dentro de seu mandato de governo do país, presidente do BC esse, indicado e eleito pelo governo anterior, ineditamente, configurando ação preventiva do mercado para garantir a ingovernabilidade do país, para que a governabilidade de seus fundos de investimentos com riscos, não corram qualquer risco, pelo menos nos próximos dois anos.

    Simples assim e aí que mora o diabo brandindo taxa de juros de 13,75% e juros reais de 8%, maiores do mundo, escancarando que isso não é plausível, aceitável, pela lógica razão de, não haver razão, não ser democrático e ferrar o país e a imensa maioria de seus cidadãos, vítimas da mesma ousadia garantidora, por parte das classes dominantes, bandidamente, ordenadamente estabelecidas quer na Petrobrás, quer na Eletrobrás, para garantirem suas participações, lucros e pixulés outros.

    É isso que urge o governo botar a boca no trombone todos os dias, todas as horas, todos os momentos, em todas possibilidades, inclusive naquelas que sabe-se lá por que, todos nós ansiamos ouvir, mas o governo mudo, não fala, talvez por que encomendaram um baita esquema de comunicação, que está sendo estudado, planejado, moldado, formatado, revisado, auditado, mas até 2026, sai.

    A propósito, nas concentrações bolsonaristas nos quartéis e movimentações, o que não faltava era comunicação à moda cercadinho e lives do Inominável, bastando um celular, um canal de youtube e um sujeito em nome de ‘deus’, do agro e da família, disposto a impedir que Lula subisse a rampa, para disponibilizarem lives 24 horas, municiando todos os patriotários ausentes, recolhidos no recesso dos lares.

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