22 de junho de 2026

Bolsonaro resumiu as mulheres a “pilar da família”. Isso mudou, diz ministra Cida Gonçalves à TVGGN

"A violência contra a mulher não é de responsabilidade da sociedade e das igrejas: é do Estado”, afirma a ministra das Mulheres. Assista 
Foto Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília (DF) – 03-03-2023 A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves,  durante pronunciamento pelo dia internacional das Mulheres: Foto Valter Campanato/Agência Brasil.

A forma como as mulheres brasileiras serão vistas e tratadas pelo governo federal mudou desde que o extremista de direita Jair Bolsonaro não é mais presidente da República, dando lugar a Lula (PT). Com a mudança de governo, a pastora evangélica Damares Alves saiu da chefia do extinto Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos, dando lugar à feminista e consultora de políticas públicas de gênero e violência contra a mulher, Cida Gonçalves, nova titular do Ministério das Mulheres.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em entrevista exclusiva ao jornalista Luis Nassif, na TVGGN, a ministra Cida Gonçalves frisou que o governo anterior tratava as mulheres com um viés sexista e patriarcal, com o propósito de transformá-las apenas no “pilar da família”, e ainda entregava às igrejas e outras instituições, a responsabilidade sobre políticas públicas de combate à violência contra a mulher. Isso mudou.

“Eles [bolsonarismo] mudaram a forma de política pública. Nós trabalhamos com a responsabilidade do Estado brasileiro. A violência contra a mulher não é de responsabilidade da sociedade civil, das igrejas e de ninguém, é do Estado”. 

Combate à violência de gênero

Ao mesmo passo em que patrocinava a gestão machista de Damares, Bolsonaro esvaziou o orçamento da Pasta, deteriorando projetos que foram erguidos anteriores por gestões petistas, como a Casa da Mulher Brasileira, que são os abrigos para mulheres que tentam escapar da violência doméstica.

O trabalho de combate à violência contra mulher era feito baseado em cooperação técnica, e não tinha uma execução direta, por isso, parlamentares passaram a elaborar emendas para receber a Casa da Mulher Brasileira em suas regiões, sendo que essa é uma responsabilidade do governo federal, estadual e municipal. 

“O governo federal precisava ter orçamento para executar a política. Isso faz diferença na hora de você discutir com o estado ou o município, a responsabilidade pelo serviço. Essas questões terminam prejudicando a política pública e também trazendo muitas ONGs, instituições – religiosas ou não – para executar aquilo que é responsabilidade do Estado.”

Casa da Mulher Brasileira

Cida Gonçalves revela que durante o governo Bolsonaro, a Casa da Mulher Brasileiro sofreu uma redução significativa no orçamento, com impacto sobre o tamanho e a manutenção dos espaços. O projeto que costumava ser de 2.700 m² reduziu para 190 m², o que não contempla todos os serviços que deveriam ser prestados à mulher.

“Então você altera a concepção do que é a Casa, que deveria garantir atendimento integral e humanizado à mulher. É muito grave. Nós queremos recuperar o que é a Casa da Mulher Brasileira dentro dos seus princípios e dentro daquilo que nós construímos efetivamente”. 

Além disso, a ministra comenta também que o 180 – serviço de atendimento, informação e orientação para as vítimas de violência – também sofreu alterações que resultaram em atraso no atendimento emergencial. 

“Se a mulher ligar para o 180, não vai ser atendida imediatamente. Ela vai ter problemas. O ideal seria ligar para o 190 ou para o Corpo de Bombeiros, para ser socorrida imediatamente, porque para o 180, até você gerar informação e chegar no município, ela está morta, né? Então também se acabou [no governo Bolsonaro] com aquilo que é uma questão super importante, o 180”. 

Assista a entrevista abaixo:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados