4 de junho de 2026

As últimas palavras do jovem delinquente, executado pela Rota a sangue frio, por Luis Nassif

Sob aplausos da mídia, Rota executa jovem de 19 anos, pai de três crianças, que tentou roubar uma casa nos jardins

Ruan Marques era um jovem de 19 anos, pai de três crianças, que entrou pelo caminho errado, tornando-se assaltante de residências. Tentou assaltar uma casa nos jardins, armado de uma chave de fenda apenas. Não conseguiu.

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Quando a Rota chegou ele, mais dois amigos, se esconderam em um carro, provavelmente roubado por um deles. Teve tempo de enviar três mensagens para a esposa, de puro pavor, medo de ser preso. Pede para mandar mensagem para a mãe. Diz que está no carro e que a Rota cercou.

Deveria ser preso, condenado, cumprir uma pena e voltar recuperado, depois do susto. Ou não.

Foi executado a sangue frio, sob aplausos de alguns moradores da região. E toda a mídia comprou a versão de que estavam com armas, que invadiram a casa, mantiveram os proprietários como reféns.

Tal e qual nos tempos da ditadura, quando a Rota e os porões semeavam versões que eram compradas pela mídia.

Pouco antes, na Caminhada do Silêncio, uma mãe exibiu a foto do filho, adolescente, morto na chacina de Paraisópolis cinco anos atrás. Até hoje os assassinos continuam à solta, no diligente trabalho de implementar a pena de morte.

Aqui, os três filhos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. Renato Cruz

    14 de abril de 2023 8:29 am

    Sempre existiram dois países dentro do Brasil, sempre, desde 1.500, o meu país e o país do Ruan. O meu país é o dos bairros de classe média de São Paulo, onde nasci em 1960 e sempre vivi, o das boas escolas estaduais que existiram até o fim dos anos 70, e depois dos colégios particulares, o da USP, onde me formei, o da GM, onde trabalhei toda a minha vida até me aposentar em 2019. Esse é o meu Brasil. O Brasil do Ruan é esse narrado aqui em vários posts. Meu país e o dele se tocam apenas tangencialmente, eu os vejo na minha diarista, nos entregadores de comida que chegam aos montes todos os dias aqui na porta do meu prédio no Paraíso, nas ruas do meu bairro, onde estão os que pedem esmolas e os que roubam celulares. Eu só alcanço o país do Ruan com as pequenas ações que tomo no dia a dia, mas o fosso é amplo demais e só pode ser diminuído com ações do Estado e nisso o meu Brasil é muito lento, pois tivemos de esperar Getúlio Vargas para que alguma coisa fosse feita, depois a Constituição de 88 e Lula. Sinceramente, não sei se algum dia haverá uma real e verdadeira mistura dos dois Brasis.

  2. Rui

    14 de abril de 2023 8:52 am

    Deveria ser preso, condenado, cumprir uma pena e voltar recuperado e com garantia de emprego com remuneração digna, suficiente para desenvolver suas potencialidades e as potencialidades da sua família.

  3. Rui

    14 de abril de 2023 8:58 am

    Se fosse um ladrão de colarinho branco, como o juiz Nicolalau, a polícia estaria na sua porta, não para prendê-lo ou executá-lo, mas para lhe garantir segurança. São ‘machos’ com os oprimidos, já com os ricaços: “Você é um bosta. É um merda de um PM que ganha mil reais por mês, eu ganho 300 mil reais por mês. Quero que você se f***, seu lixo do cara***!Você não me conhece. Você pode ser macho na periferia, mas aqui você é um bosta. Aqui é Alphaville, Mano! Não pisa na minha calçada, não pisa na minha rua. Eu vou te chutar na cara, filho da p***”.

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