Além das cooperações comerciais, tecnológicas, meio ambiente e de pesquisa firmadas entre o Brasil e China nesta sexta-feira (14), o presidente chinês teria o objetivo de tratar com o líder brasileiro sobre os movimentos internacionais e adesão para interromper os confrontos na Ucrânia e Rússia.
A informação foi divulgada nos jornais norte-americanos Times e Bloomberg: “Xi Jinping recebe Lula do Brasil em pressão diplomática pelo cessar-fogo na Ucrânia”, manchetaram.
Negociações sobre Ucrânia não estiveram na agenda
Mas a intenção não foi anunciada por Lula, em meio à recheada agenda do dia de hoje, quando o presidente se encontrou com diversas lideranças do comércio, indústria, o primeiro ministro e o presidente da China.
Na ocasião, Lula fechou 15 acordos bilaterais, com forte conteúdo em questões comerciais e de transferência de tecnologias, conforme detalhamos aqui:
Posteriormente, ainda, os países assinaram uma declaração conjunta sobre o combate às mudanças climáticas (acesse o conteúdo aqui). A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi quem representou o acordo, defendendo também a importância da transição energética sustentável.
Outro grande anúncio fechado nesta sexta, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, que também participou da comitiva em Pequim, afirmou que o banco de desenvolvimento da China irá emprestar R$ 6,5 bilhões ao Brasil, para financiar projetos de infraestrutura, energia limpa, digitalização de empresas e industrialização, ciência e tecnologia.
Líder chinês teria esperado tratar da Ucrânia com Lula
Mas, de acordo com as repórteres Simone Iglesias e Tatiana Freitas, da norte-americana Bloomberg, a pauta das negociações de pacificação internacional e diplomática também provavelmente passaram na mesa dos líderes de ambos os países.
Antes de se encontrar com Lula, o presidente Xi Jinping passou por uma rodada de conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, e divulgava um pedido de cessar-fogo na Ucrânia.
Também na semana passada, o presidente da China recebeu os presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para tratar dos esforços mundiais de interromper os confrontos no país, após mais de um ano.
Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, já havia dado o tom de que o tema entraria para a agenda de Lula em Pequim, ao afirmar que o presidente brasileiro apoia o plano da China de acabar com o conflito e um cessar-fogo.
“É urgente acabarmos com as mortes, a destruição e as atividades que estimulam a pressão inflacionária em todos os países”, disse o embaixador. Por outro lado, o presidente brasileiro já havia adiantado, no iníco do mês, que não concordava que a Rússia mantenha todo o controle dos territórios ucranianos ocupados.
Oficialmente, nada foi divulgado sobre uma possível conversa ou tratativa do Brasil com a China para um grande acordo mundial de cessar-fogo na Ucrânia.
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