Após a repercussão da reportagem “EXCLUSIVO: Irmão de procurador de Curitiba é acusado de advocacia ilegal na Lava Jato”, publicada no sábado (24), o Jornal GGN foi procurado pelo advogado Rodrigo Castor de Mattos, solicitando direito de resposta.
Na reportagem, o GGN revelou que o advogado Rodrigo Castor de Mattos é alvo de representação na OAB do Paraná por ter atuado na defesa de Eduardo Meira, réu da Lava Jato, cuja denúncia – segundo diálogos da Vaza Jato – fora encabeçada pelo irmão do advogado, o procurador Diogo Castor de Mattos.
Na nota, Rodrigo Castor afirma que a história que fundamenta a representação à OAB não tem “qualquer base na realidade”. Ele ainda sugeriu que o autor da representação ataca sua “honra” numa busca “desesperada” para anular seus julgamentos na Lava Jato.
Rodrigo Castor de Mattos ainda afirmou na nota que não foi procurado para comentar a representação. O GGN reafirma que procurou o advogado antes da publicação da reportagem.
Em observância ao direito de resposta, o GGN publica a íntegra da manifestação de Rodrigo Castor de Mattos abaixo:
Na data de hoje, tomei conhecimento, por meio de diversos conhecidos, da notícia abaixo: “EXCLUSIVO: Irmão de procurador de Curitiba é denunciado por advocacia ilegal na Lava Jato”. Acredito que a reportagem está sendo levada em erro, pois, se há algum procedimento contra minha pessoa – o que desconheço – tudo indica que pode se tratar de uma mera representação na OAB, e não uma denúncia, como consta na reportagem. Infelizmente, como está, o título é difamatório e tendencioso, levando o leitor a crer que fui denunciado criminalmente, o que não é verdade. O próprio link já induz o leitor em erro. Ademais, consta que o GGN teve acesso à denúncia feita à Ordem dos Advogados, mas na sequencia afirma que o procedimento é sigiloso. Importante para ver que não pode se tratar de uma denúncia. Ainda, a matéria afirma que fui procurado pela reportagem, mas não recebi qualquer contato, o que poderia ter ajudado a esclarecer a questão. Por fim, a matéria dá ênfase a uma “estória” contada sem qualquer base na realidade, totalmente desprovida de um pilar de sustentação, contada por um condenado criminalmente (apesar dos máximos esforços da defesa, à época, que inclusive obteve a revogação da prisão do condenado, mediante habeas corpus impetrado perante o Supremo Tribunal Federal), nitidamente desesperado para buscar algum motivo, mesmo que espúrio, calunioso, ingrato e difamatório, para tentar anular sua condenação. Não há uma vírgula de verdade em tal “estória” e sequer indícios mínimos que possam sustentar as alegações, as quais beiram até mesmo até mesmo o ridículo. Desde 2017 até um ano atrás, Meira me enviava mensagens praticamente diárias, inclusive inúmeras de gratidão pelos esforços empreendidos em sua defesa. Peço a correção da chamada e link da matéria, evitando difamar ainda mais a minha honra e imagem, a última, inclusive, estampada na reportagem, visando que os leitores não sejam induzidos a acreditarem em uma informação inverídica. Quanto ao teor das alegações falsas, tomarei as medidas judiciais necessárias e cabíveis que visem a preservar a minha imagem e honra ilibadas.
Entenda o caso
Neste sábado (24), o GGN publicou que um dos réus da Operação Lava Jato decidiu acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná contra o advogado Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador de Curitiba Diogo Castor de Mattos, por ter assumido sua defesa ao mesmo tempo em que o familiar trabalhava do outro lado do balcão, na acusação.
O GGN teve acesso à representação encaminhada pelo réu da Lava Jato à OAB. A acusação deverá ser analisada pelo conselho de ética da instituição. Alegando sigilo processual, a OAB-PR não quis comentar o assunto.
Leia:
Fábio de Oliveira Ribeiro
25 de junho de 2023 6:04 pmA imprensa é livre e o GGN noticiou um fato jornalisticamente relevante. O direito de resposta foi garantido. Agora teremos que aguardar as consequências. Quem deve julgar a conduta do procurador é o CNMP e não o respeitável público.
Wallaci de Oliveira
25 de junho de 2023 7:40 pmOra, o próprio site da ouvidoria da OAB deixa claro que uma de suas atribuições é receber denúncias.
Jackson da Viola
26 de junho de 2023 1:24 pmCaro “adevogado”, o titulo da materia corresponde ao resto da materia…o seu cliente o acusa de não ter tido uma defesa justa, segundo o cliente: Meira sentiu que, na prática, “não teve defesa“.
É muito interessante tambem o “adevogado” usar o argumento lavajatista para desqualificar o oponente, foi condenado então é mentira…isso para Moro/Dallagnol e companhia, pode até funcionar mas um advogado tirar essa da cartola para desqualificar ex-cliente, ficas bem complicado de explicar…E quanto a “imagem e honra ilibada”, se o nobre “adevogado”,realmente ligasse para essas coisas, não “brincaria de porta giratoria com o Brodinho”…Mega/Super/Top conflito de interesses…mas em Curi, essa coisa de “conflito de interesses” parece que nem existe…
+almeida
26 de junho de 2023 6:44 pmBoa intenção seria se o advogado Rodrigo Castor de Mattos se declarasse suspeito e não aceitasse a defesa de Eduardo Meira. Ainda que os irmãos tivessem atritos e desavenças sérias entre eles, eu penso ter sido um imenso contrassenso difícil de ser defendido. dois irmãos em lados opostos de um processo, onde quem mais pode perder é o réu. Sabemos que até acontecer o julgamento, a lei garante ao acusado a presunção da inocência. Porém, até o momento da decisão do juiz e jurados, apenas o acusado sabe verdadeiramente se é ou não culpado.
Então, não custa perguntar: qual réu, em sã consciência, dormiria bem e ficaria tranquilo sabendo que os manos, procurador e advogado, estão como um duque de pontas, um de cada lado oposto para disputar quem pode pegar mais leve ou pesado? Ainda que sejam profissionais íntegros, também são irmãos de sangue, parentes diretos e próximos. Parece coisa de doido, mas é uma realidade que a justiça não deveria deixar acontecer, porque em situações assim qualquer decisão não fugirá da suspeita e a condenação real, se assim permanecer, atingirá em cheio a própriajustiça.