Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Fiódor Andrade
17 de agosto de 2014 5:38 amEmpiricus vê em Marina salvação do apocalipse brasileiro
http://www.empiricus.com.br/posts/marina-e-ou-nao-amiga-do-mercado/
A impressão a seguir é um resumo do que temos ouvido de investidores, representantes de empresas listadas e gestores de recursos em geral:
Marina é uma incógnita em alguns pontos, mas a percepção inicial do mercado é de que traz uma equipe econômica gabaritada e seus conselheiros estão mais à direita do que a situação. Além disso, teria de aceitar alguns termos do PSB para a efetivação de sua campanha (e vice-versa), o que amenizaria as suas posições mais radicais. Também agrada o fato de ela ter defendido o tripé econômico em evento junto a representantes do mercado de capitais.
Falamos isso ainda com o devido respeito que a situação exige e alertamos para a persistência de um elevado nível de incerteza.
Gilberto Cruvinel
17 de agosto de 2014 7:52 amOs 100 livros mais influentes segundo o Times Literary Suplement
por Alexandre Kovacs – blog Mundo de K
O suplemento literário do Jornal Times de 06 de Outubro de 1995 publicou umalista com os 100 livros que mais influenciaram a cultura ocidental após a Segunda Guerra Mundial. Nesta relação não foram consideradas obras importantes da primeira metade do século XX produzidas por autores como Sigmund Freud, Martin Heidegger, Aldous Huxley e Franz Kafka. Enfim, assim como toda lista é sujeita a contestações e emendas, mas tem como maior mérito relembrar alguns clássicos da nossa época e abranger várias áreas do conhecimento humano, além da literatura, como filosofia, antropologia, economia, história, política etc. Acrescentei a tradução dos títulos com ano de publicação e alguns links, um serviço de utilidade pública.
Livros da década de 1940
(01) Simone de Beauvoir: O Segundo Sexo (1949);
(02) Marc Bloch: Apologia da História (1949);
(03) F. Braudel: O Mundo Mediterrâneo (1949);
(04) James Burnham: A Revolução Gerencial (1941);
(05) Albert Camus: O Mito de Sísifo (1942);
(06) Albert Camus: O Estrangeiro (1942);
(07) R. G. Collingwood: A Idéia de História (1946);
(08) Erich Fromm: O Medo à Liberdade (1941);
(09) T. W. Adorno: Dialética do Esclarecimento (1947);
(10) Karl Jaspers: O Escopo Perene da Filosofia (1948);
(11) Arthur Koestler: O Zero e o Infinito (1940);
(12) Andre Malraux: A Condição Humana (1933);
(13) Franz Neumann: Behemoth Estrutura e Prática do Nacional Socialismo (1944);
(14) George Orwell: A Revolução dos Bichos (1945);
(15) George Orwell: 1984 (1949);
(16) Karl Polanyi: A Grande Transformação (1944);
(17) Karl Popper: A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (1945);
(18) Paul Samuelson: Introdução à Análise Econômica (1948);
(19) Jean-Paul Sartre: O existencialismo é um Humanismo (1946);
(20) J. Schumpeter: Capitalismo, socialismo e democracia (1942);
(21) Martin Wright: Política do Poder (1946).
Livros da década de 1950
(22) Hannah Arendt: As Origens do Totalitarismo (1951);
(23) Raymond Aron: O ópio dos intelectuais (1955);
(24) Kenneth Arrow: Escolha Social e Valores Individuais (1951);
(25) Roland Barthes: Mitologias (1957);
(26) Winston Churchill: A Segunda Guerra Mundial (1953);
(27) Norman Cohn: A Perseguição do Milênio (1957);
(28) M. Djilas: Uma Análise do Sistema Comunista (1957);
(29) Mircea Eliade: Imagens e Símbolos (1952);
(30) Erik Erikson: Young Man Luther (1958);
(31) Lucien Febvre: Combates pela História (1953);
(32) John Kenneth Galbraith: The Affluent Society (1958);
(33) E. Goffman: A Representação do Eu na Vida Cotidiana (1956);
(34) Arthur Koestler: O Deus que Falhou (1959);
(35) Primo Levi: É Isto um Homem? (1958);
(36) Claude Levi-Strauss: A World on the Wane (1955);
(37) Czeslaw Milosz: A Mente Cativa (1953);
(38) Boris Pasternak: Doutor Jivago (1958);
(39) David Riesman: A Multidão Solitária (1950);
(40) Herbert Simon: Modelos do Homem (1957);
(41) C. P. Snow: As Duas Culturas (1959);
(42) Leo Strauss: Direito Natural e História (1953);
(43) J. L. Talmon: As Origens da Democracia Totalitária (1952);
(44) A. J. P. Taylor: The Struggle for Mastery in Europe (1954);
(45) Arnold Toynbee: Um Estudo da História (1934 – 61);
(46) Karl Wittfogel: Despotismo Oriental (1957);
(47) Ludwig Wittgenstein: Investigações Filosóficas (1953).
Livros da década de 1960
(48) Hannah Arendt: Eichmann em Jerusalém (1963);
(49) Daniel Bell: O Fim da Ideologia (1960);
(50) Isaiah Berlin: Four Essays on Liberty (1969);
(51) Albert Camus: Notebooks 1935 -1951 (1964);
(52) Elias Canetti: Massas e Poder (1960);
(53) Robert Dahl: Quem Governa? (1961);
(54) Mary Douglas: Pureza e Perigo (1966);
(55) Erik Erikson: A Verdade de Gandhi (1969);
(56) Michel Foucault: História da Loucura (1961);
(57) Milton Friedman: Capitalismo e Liberdade (1962);
(58) Alexander Gerschenkron: Atraso Econômico (1962);
(59) Antonio Gramsci: Cadernos do Cárcere (1960);
(60) H. L. A. Hart: O Conceito da Lei (1961);
(61) Friedrich von Hayek: A Constituição da Liberdade (1960);
(62) Jane Jacobs: Morte e Vida de Grandes Cidades (1961);
(63) Carl Gustav Jung: Memórias, Sonhos e Reflexões (1960);
(64) Thomas Kuhn: A estrutura das revoluções científicas (1962);
(65) Emmanuel Le Roy Ladurie: The Peasants of Languedoc (1966);
(66) Claude Levi-Strauss: The Savage Mind (1962);
(67) Konrad Lorenz: A Agressão (1966);
(68) Thomas Schelling: A Estratégia do Conflito (1960);
(69) Fritz Stern: The Politics of Cultural Despair (1961);
(70) E. P. Thompson: Formação Classe Operária Inglesa (1963).
Livros da década de 1970
(71) Daniel Bell: As Contradições Culturais do Capitalismo (1976);
(72) Isaiah Berlin: Pensadores Russos (1978);
(73) Ronald Dworkin: Levando os Direitos à Sério (1977);
(74) Clifford Geertz: A Interpretação das Culturas (1973);
(75) Albert Hirschman: Exit, Voice, and Loyalty (1970);
(76) Leszek Kolakowski: Correntes Principais do Marxismo (1976);
(77) Hans Kueng: Ser Cristão (1977);
(78) Robert Nozick: Anarquia, Estado e Utopia (1974);
(79) John Rawls: Uma Teoria da Justiça (1971);
(80) Gershom Scholem: A Idéia Messiânica no Judaísmo (1971);
(81) Ernst Friedrich Schumacher: Small Is Beautiful (1973);
(82) Tibor Scitovsky: The Joyless Economy (1976);
(83) Quentin Skinner: Bases do Pensamento Político Moderno (1978);
(84) Alexander Solzhenitsyn: Arquipélago Gulag (1973 – 1978);
(85) Keith Thomas: Religião e o Declínio da Magia (1971).
Livros da década de 1980 e além
(86) Raymond Aron: Memórias (1983);
(87) Peter Berger: A Revolução Capitalista (1986);
(88) Norberto Bobbio: O Futuro da Democracia (1984);
(89) Karl Dietrich Bracher: A Experiência Totalitária (1987);
(90) John Eatwell and others: Dicionário de Economia – 4 vol. (1987);
(91) Ernest Gellner: Nações e Nacionalismo (1984);
(92) Vaclav Havel: Living in Truth (1986);
(93) Stephen Hawking: Uma Breve História do Tempo (1988);
(94) Paul Kennedy: Ascensão e Queda das Grandes Potências (1987);
(95) Milan Kundera: O Livro do Riso e do Esquecimento (2001);
(96) Primo Levi: Os Afogados e os Sobreviventes (1990);
(97) Roger Penrose: A Mente Nova do Rei (1993);
(98) Richard Rorty: Filosofia e o Espelho da Natureza (1979);
(99) Amartya Sen: Recursos, Valores e Desenvolvimento (1984);
(100) Michael Walzer: Esferas da Justiça (1983).
anarquista sério
17 de agosto de 2014 8:45 amPensamento único!
Pensamento único!
LuisArmando
17 de agosto de 2014 6:07 pmCadê o candidato tucano?
Sumiu?
Assis Ribeiro
17 de agosto de 2014 9:00 amO Brasil que vai para a
O Brasil que vai para a frente e que alguns tentam puxar parra trás com o mantra de menos estado
Brasil faz acordo para promover formação de estudantes nos Estados Unidos
Dar oportunidade para que os brasileiros possam estudar no exterior não é mais uma exclusividade do Ciência Sem Fronteiras. Embora o programa já tenha dado suporte para mais de 80 mil estudantes, o governo do Brasil tem investido cada vez mais em diversas outras frentes para ampliar as possibilidades para a educação fora do país. Agora, os brasileiros interessados no campo de ciência e tecnologia terão mais uma porta aberta: o estado do Texas, nos Estados Unidos.
Os dois países assinaram um acordo para desenvolver pesquisas conjuntas e fazer intercâmbio de estudantes e pesquisadores entre si (link is external). As ações fazem parte do pacto firmado entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), representando o Brasil, e a Texas Tech University (Universidade de Tecnologia do Texas), representando os Estados Unidos. A escola americana oferece mais de 150 cursos e possui 60 centros de pesquisa e institutos.
O acordo é um dos inúmeros avanços que o Brasil tem alcançado no campo científico nos últimos tempos. Além dele, os Estados Unidos estão dispostos a firmar novas parcerias com o setor aeroespacial do Brasil, o que significa que ainda mais bolsistas brasileiros devem ser recebidos pelo programa de incentivo ao intercâmbio.
Outros países também têm demonstrado interesse em compartilhar do campo de ensino e pequisa científica do Brasil. No início deste mês, a Holanda integrou-se ao Programa de Cooperação na Formação de Recursos Humanos Qualificados, e deve fazer o caminho contrário, enviando pesquisadores, professores e tecnólogos para pesquisar, ensinar e trabalhar em universidades brasileiras.
O interesse internacional pelo Brasil no campo da ciência não é por acaso. Foi provocado quando o governo federal tomou a decisão estratégica de destinar um orçamento de R$ 9,5 bilhões para o ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), dos quais R$ 1,7 bilhão são repassados ao CNPq. De acordo com a revista norte-americana, Nature, especializada em ciência, o Brasil é o único país do continente a destinar mais de 1% de toda a sua economia para pesquisa e desenvolvimento.
http://www.mudamais.com/daqui-pra-melhor/brasil-faz-acordo-para-promover-formacao-de-estudantes-nos-estados-unidos
Assis Ribeiro
17 de agosto de 2014 9:03 amO fim do mundoPolícia
O fim do mundo
Polícia assumirá controle de cidade dos EUA após 4 noites de violência
A polícia do Estado de Missouri irá assumir o controle de segurança da cidade de Ferguson, nos Estados Unidos, depois de seguidas noites de violência, disse o governador.
Nas últimas quatro noites, a polícia local entrou em confronto com manifestantes revoltados com o assassinato do adolescente negro Michael Brown por um policial.
Diante dos confrontos, o governador Jay Nixon anunciou que a polícia estadual iria intervir. O presidente Barack Obama pediu à polícia para não usar “força excessiva”.
Segundo o governo, as cenas dos distúrbios dos últimos dias se assemelhavam a uma “zona de guerra”.
“Nós teremos que recuperar a confiança”, disse.
O capitão da polícia do Estado de Missouri Ron Johnson chefiará o policiamento, disse Nixon.
Tensão
A tensão em Ferguson foi provocada pela morte de Michael Brown, de 18 anos, na tarde de sábado, por um policial.
Os detalhes sobre o incidente foram contestados pela polícia, mas testemunhas disseram que o adolescente estava desarmado e com os braços erguidos quando foi baleado várias vezes por um policial.
A versão da polícia é diferente. A instituição disse que houve luta e que o policial sofreu ferimentos faciais.
As autoridades ainda não divulgaram o nome do policial, dizendo que estavam preocupados que a vida dele e da família pudesse estar em perigo.
Essa decisão provocou a ira da comunidade negra de Ferguson e destacou o desequilíbrio racial entre a população e a polícia. Os negros são 67% da população da cidade, enquanto 94% dos polícias são brancos.
Na quarta-feira à noite, a cidade viveu mais um dia de protestos violentos. A polícia local disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que ignoraram uma ordem para dispersar.
Várias pessoas foram presas, entre elas dois jornalistas que disseram terem sido agredidos antes de serem liberados.
Em entrevista, Obama disse que não havia “justificativa” para a polícia de usar força excessiva contra manifestantes pacíficos.
Obama também reconheceu a que a polícia enfrentou violência policial e atitudes criminosas desde a morte de Brown.
O presidente ameriano prometeu uma investigação completa pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre a morte do adolescente, e o FBI abriu inquérito próprio.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140814_policia_missouri_eua_kb.shtml
Assis Ribeiro
17 de agosto de 2014 9:14 amO desafio do emprego no novo
O desafio do emprego no novo mundo dos serviços
Se a economia debilitar a qualidade e a importância dos empregos na indústria, a precariedade se refletirá também nos empregos criados do setor de serviços, o que mais cresce no mundo do trabalho
Nas antigas sociedades agrárias, a ocupação agrícola chegou a representar quatro em cada cinco postos de trabalho. Com a passagem para a sociedade urbana e industrial, a partir do século 19, o emprego da mão de obra no setor secundário das economias (construção civil e manufatura) chegou a alcançar quase dois quintos do total da ocupação, especialmente nos países de industrialização madura.
E desde a segunda metade do século passado a nova transição da sociedade industrial aponta para a concentração dos postos de trabalho no setor terciário (serviços e comércio). Nas economias desenvolvidas, o setor de serviços responde por 83% do emprego da mão de obra.
Na passagem do século 19 para o século 20, por exemplo, o esvaziamento relativo e absoluto dos postos de trabalho na agropecuária foi acompanhado simultaneamente pela expansão das vagas criadas com a maior dinâmica na economia urbana (setor secundário e terciário). Os Estados Unidos servem de exemplo, uma vez que no final do século 20 o país limitou a empregar apenas 2,2% do total dos postos de trabalho na agropecuária e mineração, enquanto que 100 anos antes registravam mais de um terço das ocupações no setor primário de sua economia.
Nos dias de hoje são 2 milhões de trabalhadores no campo que conseguem manter uma das agriculturas mais avançadas e produtivas do mundo. Já a construção civil responde atualmente por um terço dos empregos do setor secundário, sendo a manufatura responsável pela absorção de menos de 14 milhões de trabalhadores.
Para o Brasil, a trajetória da composição ocupacional tendeu a ser a mesma, porém distinta na intensidade ao longo do tempo. Pela demora de sua industrialização, o Brasil conviveu até a década de 1950 com o setor primário sendo o principal absorvedor de mão de obra.
Somente no ano de 1960 os postos de trabalho urbanos tornaram-se majoritários. Nos dias de hoje, o país possui comparativamente aos Estados Unidos quase dez vezes mais ocupados em relação ao total dos empregos no setor primário, não obstante a pujança da agropecuária nacional.
Também no setor secundário residem diferenças significativas. De um lado, o Brasil não conseguiu apresentar a mesma importância relativa da manufatura e da construção civil no total da ocupação verificada nos Estados Unidos. A melhor posição ocorreu ao final da década de 1970, com um quarto de todos os postos de trabalhos situados no setor secundário – diferente dos Estados Unidos, que chegaram a registrar na década de 1920 quase um terço da ocupação associada a construção civil e manufatura.
Desde a década de 1980 o Brasil passou a perseguir rapidamente o movimento equivalente ao verificado lentamente nos Estados Unidos desde a década de 1920. Ou seja, perda de importância relativa do setor secundário no total da ocupação.
A tendência de expansão dos empregos no setor terciário parece ser comum nos dois países em consideração. Atualmente, os Estados Unidos possuem 83% dos empregos nos serviços e comércio, enquanto o Brasil, um pouco mais de 66%.
Em virtude disso, convém atentar apara o fato que o setor terciário da economia não detém dinâmica própria na propulsão quantitativa e qualitativa de suas ocupações. O segmento produtivo (primário e secundário) exerce influência decisiva sobre a quantidade e qualidade sobre os postos de trabalho no terciário. Isso porque o mundo dos serviços (trabalho imaterial) resulta heterogêneo, comportando tanto postos de trabalho de grande qualidade, com remuneração associada a elevação da qualificação profissional, como de extrema precarização (baixo rendimento independente da qualidade da mão de obra existente).
Os exemplos podem ser obtidos na estrutura ocupacional dos Estados Unidos e do Brasil. Se for ocupação originada no setor de serviços de produção e sociais, por exemplo, a remuneração tende a refletir a qualificação da força de trabalho, diferentemente dos empregos nos serviços pessoais e de distribuição que geralmente não conectam a qualificação profissional com o predomínio da desvalorização do trabalho.
A determinação do mundo dos serviços depende, em síntese, da qualidade e importância da manufatura no interior do sistema econômico. Sem isso, os serviços tendem a expandir muitas vezes sustentados pelo trabalho precário, aprofundando a separação entre ocupações nobres e pobres e demarcando uma estrutura social ainda mais iníqua.
Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas
http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2014/08/o-desafio-do-emprego-no-novo-mundo-dos-servicos-1253.html
Assis Ribeiro
17 de agosto de 2014 9:52 am“A providência divina”
Marina
“A providência divina”
Marina explica por que não morreu: a mão de Deus
Numa rápida declaração feita ao embarcar para o velório de Eduardo Campos, a presidenciável Marina Silva, que deverá ser candidata pelo PSB, afirmou que a “providência divina” a livrou de embarcar no fatídico voo do Rio de Janeiro ao Guarujá, do último dia 13, que caiu em Santos; “Foi providência divina eu, Renata, Miguel e Molina não estarmos naquele voo”; declaração revela fé da ex-senadora, mas também acentua traços de messianismo de uma nova candidata que talvez se veja predestinada a ocupar a presidência da República
A ex-senadora Marina Silva falou pela primeira vez sobre o porquê de não ter embarcado no fatídico voo que decolou do Rio de Janeiro ao Guarujá, no dia 13, e matou Eduardo Campos. “Foi providência divina eu, Renata, Miguel e Molina não estarmos naquele voo”, disse ela, referindo-se à esposa de Eduardo Campos, Renata, ao filho Miguel, e também ao assessor Rodrigo Molina.
A declaração acentua o caráter religioso da ex-senadora Marina Silva, mas também poderá ser interpretada como um traço messiânico de alguém que talvez se sinta predestinada a ocupar a presidência da República. Marina tentou ser candidata pela Rede, mas, como não obteve o registro do partido, acabou se filiando ao PSB, para ser vice de Eduardo Campos. Agora, com a morte do ex-governador pernambucano, ela deverá ser ungida candidata pelos socialistas.
No dia da morte de Eduardo Campos, assessores de Marina Silva afirmaram, em off, que ele não foi ao Guarujá (SP), porque a agenda previa a participação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que se aliou ao PSB e recebeu o deputado Márcio França (PSDB-SP) como vice em sua chapa. Ferrenha opositora da aliança com os tucanos, Marina vinha evitando compromissos com a presença de Alckmin.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/150364/Marina-explica-por-que-n%C3%A3o-morreu-a-m%C3%A3o-de-Deus.htm
Adamastor
17 de agosto de 2014 10:23 amO que é a “Direita Pão Com Ovo”
OTHONIEL PINHEIRO NETO
Assim como um economista da isenta Revista Veja escreveu um livro chamado “Esquerda Caviar”, é salutar que surja uma resposta.
Eis que aparece o termo “Direita Pão com Ovo”.
Assim como o caviar é associado à riqueza; o pão com ovo é associado à existência de direitistas que não são milionários.
O termo surge em épocas em que se constata, na prática, que o direitista brasileiro da atualidade não mais se identifica com qualquer tipo de burguês.
Como dizia Tim Maia, “o brasileiro é o único país em que, além de traficante ser viciado e cafetão sentir ciúmes, o pobre é de direita”.
Talvez esse panorama seja fruto do arranjo oligarca e hereditário do próprio monopólio econômico no Brasil, lembrando, nas linhas de Paulo Henrique Amorim que, “em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil”.
Nesse prisma, é fácil perceber que a imensa maioria das pessoas de direita são vítimas do próprio sistema que defendem, ou seja, são “proletários” injustiçados pelo sistema capitalista.
Não custa nada lembrar que o sistema capitalista mundial proporciona imensas mazelas e desigualdades sociais, fazendo concentrar em apenas 85 pessoas 46% da riqueza mundial [1].
Ora, ninguém em sã consistência vai dizer que isso é produto de uma meritocracia fajuta ou de qualquer filosofia de justiça, mas sim, de um sistema excludente e dominador.
Assim como existem pessoas de esquerda que buscam o bem estar social e que por isso são chamadas de “esquerda caviar”, temos pessoas de direita no Brasil que não são milionárias, ou seja, estão excluídas do banquete que tanto defendem.
Nesse cenário, faz parte da “direita pão com ovo” aquela turma que não consegue enxergar que faz parte da plebe e, que, muitas vezes, imagina que tem a “propriedade” (?) de um carro ou de um apartamento, que em verdade está nas mãos dos banqueiros capitalistas por intermédio de financiamentos.
Enfim, o sujeito coloca o direito de propriedade em primeiro plano induzido e enganado por aqueles que realmente têm propriedade de alguma coisa, recebendo apenas as migalhas do sistema.
Portanto, o integrante da “direita pão com ovo” é aquele cidadão que defende um sistema em que ele mesmo só come as migalhas na distribuição da riqueza e que jamais vai entender por que não juntou seus milhões de dólares, mesmo tendo trabalhado a vida inteira.
Já o integrante da esquerda não se ilude, tendo a consciência de que o capitalismo proporciona essas inúmeras injustiças na distribuição da renda e que, por isso, é contra esse sistema absurdo.
[1] http://correiodobrasil.com.br/ultimas/relatorio-em-davos-mostra-que-85-pessoas-detem-46-da-riqueza-mundial/678819/
Cláudio José
17 de agosto de 2014 11:23 amABSURDO
Evasão escolar atinge 52 mil crianças no Grande Rio
Números da Casa Fluminense mostram que, só na cidade do Rio, 24,5 mil estão longe das escolas
HILKA TELLES
Rio – Os números são surpreendentes e traduzem uma realidade inimaginável em plena Era da Informação: 52.073 crianças e adolescentes, entre 6 e 14 anos, estão fora da escola nos 19 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. É como se a população inteira de Guapimirim tivesse abandonado os estudos. Os dados são da Casa Fluminense e fazem parte da terceira reportagem da parceria entre o DIA e a Associação, que estuda questões da metrópole. Para se ter uma ideia, o Estado do Rio ocupa, ao lado de Tocantins e Espírito Santo, a 11ª posição no ranking da evasão no país, com 3% — Santa Catarina é o que tem menos alunos fora das escolas — 2,2%.
“A questão está relacionada com a condição social da família e a má qualidade da educação”, explica o professor Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e um dos maiores especialistas em educação do país. Para ele, o problema da evasão se concentra em alunos a partir dos 10 anos.
Pesquisa: Confira dados completos do Idep e Pnud
De acordo com informações colhidas em 2013 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) — que baseou o estudo a partir do Censo IBGE 2010 — a cidade do Rio de Janeiro aglutina quase a metade do universo sem lápis e caderno: 24.417, seguido pelos 13 municípios da Baixada, responsáveis por mais 19.966 crianças e adolescentes que não estudam. As restantes 7.690 distribuem-se por cinco cidades do Leste Fluminense: Itaboraí, Maricá, Niterói, São Gonçalo e Tanguá.
Schwartzman não poupa ninguém ao elencar os motivos da evasão: “Professores que não sabem lidar com alunos indisciplinados e os punem ou segregam, até que desistam de estudar; crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizado não são estimulados; e sucessivas greves na rede pública, que deixam o estudante até três meses sem aula. Tem ainda a cultura de gangues de rua, que acaba seduzindo o adolescente. E outros, que abandonam os estudos para trabalhar”, diz.
A evasão se relaciona com a condição social da família e a má qualidade da educaçãoSimon Schwartzman, pesquisador do Iets
A construção de uma política educacional metropolitana seria a principal ferramenta para corrigir a evasão escolar, na opinião do economista Mauro Osório, professor da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e coordenador do Observatório de Estudos sobre o Rio de Janeiro.
“Existe uma metrópole carioca, formada por Rio, Baixada e Leste Fluminense, que precisa de soluções integradas. Em Caxias, 40% das escolas não têm cano d’água. Como esperar que ali haja ensino de qualidade? É um conjunto de medidas que deve ser aplicado”, acentua Osório.
Ideb: São Paulo e Minas estão à frente do Rio
A Região Metropolitana do Rio também apresenta desempenho sofrível quando se observa o aprendizado de alunos do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental na rede pública. De acordo com o ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que envolveu as regiões metropolitanas do Rio, São Paulo e Minas Gerais, os 14 piores lugares estão com municípios da Região Metropolitana do Rio, dos quais 11 apenas na Baixada.
Se o ranking fosse estendido até os 20 resultados mais desastrosos, outros dois municípios da Região Metropolitana do Rio passariam a integrar a tabela, elevando o total para 16 cidades com os mais baixos índices de desenvolvimento da educação básica.
O último resultado da Prova Brasil, que compõe os dados do Ideb, foi divulgado em 2011. Mas há uma luz no fim do túnel. Alguns municípios atingiram a meta projetada pelo Ideb, como Rio de Janeiro (meta 5.1 e nota 5.4), Duque de Caxias (4.2 e 4.3), Guapimirim (3.8 e 4.3), Itaboraí (4.4 e 4.6), Itaguaí (4.1 e 4.5), Nilópolis (3.8 e 4.4), Paracambi (4.3 e 4.9), Seropédica (4.0 e 4.3) e Tanguá (4.0 e 4.5).
Largada para combater problema
A Secretaria Municipal de Educação do Rio já deu a largada para combater a evasão escolar. O compromisso é trazer de volta à escola, até 2016, ao menos 21 mil das 24.417 crianças encontradas no Censo. Para isso, firmou parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz, dirigida por Natacha Costa, e montou o projeto Aluno Presente, que aproveita experiências vividas no Complexo da Maré.
“Cruzamos informações do Bolsa Família e do Bolsa Carioca para saber quantas famílias tinham perdido o benefício porque a criança deixara a escola. Identificamos que os maiores bolsões estavam nas zonas Norte e Oeste, principalmente em favelas”, explica Eliana Souza Silva, diretora da ONG Redes da Maré e uma das fundadoras da Casa Fluminense. “Tirar a Bolsa Família é um erro, pois marginaliza ainda mais a criança e a exclui.”
Para chegar aos que deixaram a escola, foram montadas equipes com moradores locais. “Vamos de casa em casa conhecer as razões que levaram os alunos a deixar o colégio”, diz. Com o diagnóstico, as equipes agem para dar o apoio necessário e reverter a situação. “Se não entendermos as questões que levam à evasão, não temos como responder às demandas. É possível mudar esta realidade.”
Amanhã: explode a evasão na favela
Mauricio Salles
17 de agosto de 2014 11:28 amCOMPANHIA DE TEATRO BRASILEIRA RECEBE PREMIO EM EDIMBURGO
ARMAZÉM COMPANHIA DE TEATRO
RECEBE PRÊMIO DO FESTIVAL DE TEATRO DE EDIMBURGO 2014
Após a temporada no Festival de Avignon, onde recebeu o prêmio “Coup de Coeur” do Clube de La Presse, O DIA EM QUE SAM MORREU [The Day Sam Died], espetáculo da Armazém Cia. de Teatro ganhou nesta sexta, 15/08 o FRINGE FIRST AWARD, um dos principais prêmios do Festival de Edimburgo oferecido há 41 anos pelo jornal The Scotsman. Em 2013, o Armazém tinha ganhado o mesmo prêmio por “A Marca da Água” [Water Stain]. Abaixo as criticas que referendaram o prêmio. Crítica no principal jornal da Escócia, The Scotsman, sobre o DIA EM QUE SAM MORREU: FRINGE FIRST AWARD WINNER – THE DAY SAM DIED por Joyce McMillan
“Se o futuro da saúde – como serviço público ou negócio privado – é uma das questões-chave de todas as democracias modernas, então o mais recente e brilhante espetáculo da Armazém Companhia de Teatro é a peça que pega o drama hospitalar pela nuca e o transforma num teatro furioso, lindo e surreal que trata da luta global entre o extremo capitalismo neoliberal e visões mais democráticas e comunitárias da sociedade.No centro da peça – co-escrita por Maurício Arruda Mendonça e pelo diretor Paulo de Moraes – está a figura do cirurgião-chefe, um brucutu altamente qualificado e viciado em drogas, que trata seus pacientes com desprezo e acha natural que o melhor serviço de saúde seja controlado pelos ricos.Sua vida dá uma guinada complexa, porém, no dia em que ele encontra três pessoas diferentes chamadas Sam, numa série de situações repetidas. Uma delas é o enfermeiro auxiliar de cirurgia, que tem um acesso de fúria e saca uma arma no saguão do hospital, enquanto fala sobre como um hospital devia ser justo e compassivo. Outra é a juíza de direito chamada Samantha, que precisa de uma cirurgia pra salvar sua vida, mas questiona a moralidade de furar a fila de tratamento. E a outra pessoa é Samir, um ex-palhaço que agora sofre de demência, depois de uma vida inteira divertindo as crianças.Durante 80 minutos intensos e belos, pontuados por um entrondoso rock ao vivo, a produção de Paulo de Moraes nos guia através do mundo onírico dessas três situações, numa torrente de luz inconstante e de fúria e quietude em alternância. E no centro do espetáculo há uma série de atuações excelentes de alguns dos melhores atores do Brasil, incluindo Patrícia Selonk como Samantha e Otto Jr. como o cirurgião-chefe.”
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Three Weeks – Sexta-feira, 8 de agosto de 2014
por George Robbs
“O Dia Em Que Sam Morreu” é sombria, solitária, como um pesadelo – mas também extremamente emocionante. Parte da Temporada do Teatro Brasileiro, é a história de seis indivíduos solipsistas, divididos por sua classe social e sua comunidade. O hospital onde eles se encontram é mantido sob controle por um homem armado enfurecido, e apesar de suas vidas jamais convergirem totalmente, elas se tocam. É um estudo magistral sobre o relativismo pós-moderno e a desunião que ele promove. Visualmente vívido, com um som surpreendentemente belo e filosoficamente bem trabalhado, “O Dia Em Que Sam Morreu” faz a pergunta: num mundo onde um código de ética é tão válido e justificável quanto qualquer outro, como saber a qual deles aderir?
Sorano
17 de agosto de 2014 1:36 pmPor que os homens têm câncer de próstata:
A impotência orgástica do homem
Fábio Veronesi
Wilhelm Reich, cuja vida e obra são o marco fundador da Psicologia Somática, em seu livro A Função do Orgasmo, apresentou à sociedade científica o conceito de potência orgástica.
Antes disso, somente impotência eretiva, frigidez, anorgasmo ou ninfomania eram considerados disfunções sexuais. Com a concepção da potência orgástica, Reich mostra que mesmo havendo orgasmo pode haver disfunção sexual. Há diferentes níveis ou intensidades de orgasmo e muitos orgasmos não são plenos.
A potência orgástica está diretamente relacionada à capacidade de entrega amorosa. Orgasmo pleno é sinônimo de amar plenamente.
Evocamos essas concepções reichianas com o intuito de mostrar como o machismo rouba dos homens a possibilidade de satisfação plena, impedindo que o homem machista seja orgasticamente potente e, em paralelo, dando demasiado valor à potência masculina. Isso coloca o homem na situação de “cachorro que corre atrás do próprio rabo”, ou seja, buscando desesperadamente o que é impossível alcançar e fechado em si mesmo nessa inconsciência.
O machismo age desde cedo sobre a capacidade do homem sensibilizar-se, entregar-se ao descontrole de suas emoções amorosas, bloqueando o caminho para o orgasmo pleno. Os homens confundem ejaculação com orgasmo e são inconscientes dessa condição de meros ejaculadores. O orgasmo pleno não é uma sensação apenas peniana. O orgasmo pleno toma conta de todo corpo e o submete a poderosas vibrações energéticas, movimentos involuntários e descontrolados, capazes de proporcionar prazeres e emoções dificilmente mensuráveis.
O segmento pélvico dos homens é visivelmente encouraçado – resposta coletiva à opressão do machismo sobre os homens, um dos elementos da repressão sexual moralista – os homens são socialmente castrados de expressar todos os movimentos pélvicos que promovam abertura das nádegas e maior exposição do ânus. Como se houvesse um trauma coletivo ocasionado pelo medo de ser penetrado ‘por trás’ a qualquer instante. A postura geral do homem é de ‘ânus para dentro’. Não admira que também seja epidêmico entre os homens, quando envelhecem, o câncer de próstata, glândula que se localiza na região onde fica estagnada a energia sexual devido a cronicidade dessa postura. O “rebolado” do quadril, consequência natural do modo como o ser humano caminha, é contido no homem adulto.
A liberdade de movimentos do segmento pélvico é fundamental para uma sexualidade sadia. Quanto mais encouraçado for esse segmento, menor a capacidade orgástica do homem.
Também é visível a contenção dos segmentos cervical e torácico nos homens em geral. Os pescoços são duros, os ombros são inexpressivos, cotovelos e pulsos são contidos.
O homem não “desmunheca”. Isso retira uma infinidade de possibilidades expressivas que surgem de movimentos de “quebra” do pescoço, dos ombros, cotovelos e pulsos, de abandono ao próprio peso da cabeça, dos braços ou das mãos. Instaura também uma tensão crônica, uma “força a mais” sempre necessária para manter as mãos sustentadas, os braços armados, a cabeça fixa. Os segmentos cervical e torácico-escapular são a sede dos sentimentos. A livre expressão desses segmentos é fundamental para uma sexualidade sadia e também está relacionada à capacidade orgástica.
A contenção cotidiana dessa expressividade instaura nos homens a incapacidade crônica de viver orgasmos plenos, por conseguinte uma insatisfação também crônica. Por isso há tantos homens insatisfeitos mesmo “comendo” muito, presos num círculo vicioso onde quanto mais “comem”, menos se sentem satisfeitos, permanecendo desnutridos. Essa insatisfação crônica também pode ser uma das gêneses da violência sexual patológica de alguns homens.
Os movimentos do “homem-comedor” clássico, aquele dos filmes pornográficos, são de alguém que mexe os quadris num ritmo constante e unidirecional (para frente e para trás) enquanto mantém o pescoço e os ombros duros, imóveis. O “orgasmo” dos homens de filme pornográfico é tão controlado que na imensa maioria dos roteiros desses filmes cabe ao homem se segurar para ejacular no rosto da mulher. Interessante analisar que à mulher é permitido, esperado e incentivado que se descontrole. Basta ver o quanto gemem as mulheres comparado aos homens nas relações de filme pornográfico. Em geral, essas são falsas manifestações, fingimentos de orgasmo, mas caso ela queira entregar-se ao descontrole de um orgasmo não será interrompida. O homem será! Inclusive é praxe que ele assine um contrato garantindo que fornecerá uma ejaculação visível aos produtores do filme. Essa importância dada à ejaculação se explica por ser ela, em meio a tanta falsidade, a única prova material de que algum orgasmo aconteceu.
O conceito de potência orgástica, sua distinção das potências eretiva e ejaculatória, faz cair por terra a farsa pornográfica, a concepção de que nesse modelo há sexo sem preconceito, quando na verdade há falta quase absoluta de espontaneidade, prazer e potência orgástica. A única prova material de que há algum tipo de prazer sexual nesse modelo se torna falsa quando percebemos que os homens, mesmo ejaculando, tem orgasmos tão falsos quanto aqueles das mulheres que fingem tê-lo. Por fim se revela o ponto que buscamos com insistência: à mulher cabe ao menos a possibilidade de saber que está fingindo enquanto ao homem resta a ilusão de achar que isso é orgasmo.
Nesse momento vale muito trazer as impressões de um dos principais roteiristas da Europa, Jean-Claude Carrière, em seu livro A linguagem secreta do cinema[tradução Fernando Albagli, Benjamim Albagli – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995]. Ele, em um capítulo entitulado “A realidade em fuga”, em determinado ponto (pág. 83 a 85) fala sobre o sexo (não se refere aos filmes pornográficos) apresentado pelo cinema, como as cenas são falsas e idealizadas:
«Os resultados são quase sempre deploráveis e notavelmente pouco convincentes. Nas cenas supostamente suaves (ou “eróticas”, para distingui-las da verdadeira pornografia), onde o membro masculino não é mostrado em plena ereção, a penetração (fora de cena) é sempre efetuada com incrível facilidade, aparentemente sem que ambos tirem as calças, sem uma olhadela para baixo ou uma mão tateando para ajudar, sem um segundo de hesitação. Além disso, o êxtase ocorre para os parceiros após meramente uma dúzia de estocadas precisas. Neste caso também, como no dos táxis e telefones, a ênfase é na pressa. Assim, os filmes de hoje são um monte de ejaculações precoces, a não ser que, como no teatro, estas representem uma experiência em estilo, em sugestão. Mas neste caso, para que chegar às vias de fato? Todos sabem que as imagens mais fortemente eróticas, do tipo que encontramos ocasionalmente no cinema ou em qualquer outro lugar, muito frequentemente provém da estimulação, da sugestão, da promessa no lugar do desempenho. Então por que essa mania de mostrar sexo malfeito?»
Na sequência ele fala dos filmes pornográficos, tratando-os como a pior parte dessa falsidade porque eles supostamente apresentam sexo livre, desprovido de moral:
E tampouco é mais convincente a demonstração nos filmes pornográficos. Nestes, a representação do ato de amor é na verdade ainda menos honesta, por parecer mais real. Eles certamente parecem estar fazendo amor selvagem e desinibido nestes filmes, e em todas as posições concebíveis. Tudo o que fazem na verdade é isso: um órgão penetrar no outro, o orgasmo visível [aqui ele tenta fazer a primeira distinção entre tipos diferentes de orgasmo]. O do homem pelo menos; sua visibilidade faz parte até do contrato do ator, com a ejaculação acontecendo na tela, fartamente iluminada, sem qualquer receptáculo à vista, para provar que o prazer do homem não foi simulado. Daí a estranha mania de coitus interruptus [toca na essência das questões que trabalhamos] por parte de machos da pesada, que ejaculam fora das parceiras.
Mas eles ejaculam, sim. Eu vi, não posso negar, e São Tomé concordaria comigo (adicionando seus próprios gritos escandalizados). Talvez estes não sejam orgasmo s ideias [aqui a segunda tentativa de distinção entre orgasmos de tipo diferente], mas não tenho nada a ver com isso.
Para a mulher, por outro lado, a mentira é total. Fingir é a palavra de ordem. (…) Tudo, dos gemidos aos desmaios, é completamente falso. Isto dá um mau exemplo, não por tolas razões morais (que não são da minha conta), mas simplesmente porque essa mentira específica poderia levar casais desinformados a acreditarem que as coisas acontecem e devem acontecer desta forma, resultando numa noção de amor totalmente equivocada [grifo meu].
Em Nova York, nos anos 60, estive presente à realização de um filme pornográfico. Havia um homem e duas mulheres numa casa em Greenwich Village. Uma equipe reduzida. Um diretor e um operador de câmera. Passei dez minutos sentado numa cadeira, educadamente, observando tudo. Percebia-se logo o tom ordinário, melancolicamente profissional, banal:
– Vire-se um pouco assim, Lisa… Sim, mais um pouco… Levante este joelho alguns centímetros… Ok, mais um pouco…
Onde está o prazer nisto? Ninguém falou de amor – mas prazer?
Nesse dia pensei numa observação de André Breton, na qual ele definia o erotismo como “uma suntuosa cerimônia numa passagem subterrânea”.
Esse tipo de filme nos engana. O que nos lega de cerimônia, de sensualidade, de sombrio subterfúgio?
E quanto ao realismo? O orgasmo sob medida da mulher é obviamente um embuste; além disso, o orgasmo masculino não acontece tão facilmente quanto se crê, apesar das aparências [aqui a terceira tentativa de distinção]. Na verdade, tudo, nesta repetitiva e estupidamente previsível sequência de rotinas ensaiadas, é cortado, emendado e editado [grifo meu – diz respeito exato ao tipo de orgasmo do homem], como se faz para um filme. A continuidade essencial ao amor desaparece.”
Em sua crítica bem elaborada e precisa sobre o sexo retratado no cinema e principalmente o sexo pornográfico, auxiliaria muito a Carrièrre o conceito de potência orgástica. Ele aborda esse conceito o tempo todo em sua narrativa, estabelece distinções entre ejaculação e orgasmo, mas não com precisão. De certa forma, os trata como sinônimos – “Mas eles ejaculam, sim. Eu vi não posso negar” – e, ao fazê-lo, já o faz questionando a qualidade dessa associação – “Talvez não sejam orgasmos ideiais”. O mesmo se percebe quando ele chama a ejaculação que aparece nesses filmes de “orgasmo visível” – somente para que o outro veja, não verdadeiramente sentido, longe de ser um ato de amor, entrega e prazer. Ou quando conclui: “E quanto ao realismo? O orgasmo sob medida da mulher é obviamente um embuste; além disso o orgasmo masculino não acontece tão facilmente quanto se crê, apesar das aparências”.
A partir da constatação dessa associação entre modelo de comportamento sexual pornográfico e impotência orgástica, percebemos que o caminho para retomada da potência orgástica está no homem que se desmancha na mulher, se mistura a ela, promove além do contato pélvico o contato torácico, pulsa em baixo e em cima, entrega-se ao amor, ao descontrole de suas emoções e de seu orgasmo.
O reflexo do orgasmo é um fenômeno orgânico de ondulações verticais que promovem uma conexão harmônica entre os segmentos pélvico e torácico. Uma consequência da criação machista é a contenção da expressão corporal tanto de um quanto de outro segmento.
O problema não está só no fato da imensa maioria dos homens não viver a plenitude de sua sexualidade. O que assusta é o fato de se encontrarem inconscientes disso e incapazes de modificar essa situação.
Com estes escritos quero atingir a fundação desse alicerce – a “virilidade” machista, que continua a esconder suas impotências e ejaculações precoces à base de Viagra, fugindo da conscientização dos reais motivos que geram essa situação.
É fundamental trazer a concepção reichiana de que a impotência orgástica gera o desejo de poder como compensação para falta de desejo de potência. A impotência orgástica é o solo fértil onde a ideologia capitalista dissemina sua cultura do poder, onde ter é mais importante do que ser ou, em outras palavras, a capacidade de possuir substitui a incapacidade de sentir.
Isso explica muito do que há por trás da competição e constante luta por maior poder financeiro. É essa insatisfação que mantém todos sempre querendo ficar mais ricos, ter poder de compra, explica o consumismo que assola populações, resultando no consumo do planeta.
Finalmente, essa é uma das explicações para o envolvimento dos homens com guerras. A guerra é obra dos homens, generais e soldados – comando e execução. Historicamente e ainda hoje, “guerra” é sinônimo de homem matando homem e estuprando mulheres. O que é isso? Como se explica vindo de seres ditos humanos? Como pode se perder a humanidade a tal ponto? Mesmo onde não há guerra oficial, há guerra urbana, extraoficial. Essa guerra também é comandada e executada por homens. Que papel é esse, homem? Por que estamos gastando tanta energia com isso? O que estamos construindo? Estamos construindo? Ou simplesmente compensando a falta de potência? – O cultivo do ódio compensando a falta de capacidade de amar.
Pisquila
17 de agosto de 2014 11:21 pmMontes Claros e seus tipos inesquecíveis
Montes Claros, quinta maior cidade de Minas (hoje com os seus quase 400.000 hab), tem historicamente uma grande importância econômica e política no estado e peculiarmente foi por muitas décadas, junto com Araçatuba, uma das cidades que mandava no preço da arroba do “boi-em-pé” no Brasil. Com grande vocação agropecuária, cultural e política, a cidade da “carne de sol” sintetiza a região sertaneja do Norte de Minas. Hoje em dia é um pólo regional industrial e universitário. Terra de grandes nomes tais como Darcy Ribeiro, Cyro dos Anjos, Beto Guedes, Dona Tiburtina, Yara Tupinambá, Hermes de Paula, Carlos Alberto Prates, entre outros, também é lembrada pelo time de volei apelidado de “Pequi Atômico” que conquistou o campeonato mineiro de 2009 e vice-brasileiro da temporada 2009/10. Além, é claro, dos últimos cinco anos de abalos sísmicos que levou muitos a apelidarem jocosamente de capital nacional do terremoto. Mas essa querida cidade mineira nos seus bucólicos tempos é lembrada através dos seus personagens folclóricos que campeavam em suas ruas, travessas e vielas, nos idos dos anos 40 a 70. Nada melhor para ilustrá-los que essa crônica de Haroldo Santos que achei no site montesclaros.com, publicada em 14/01/11. Além do excelente texto, o que me levou a publicar essa maravilhosa crônica foi o “Manoel Quatrocentos” (na foto que ilustra o post), grande figura que tive o prazer de conhecer nos meus tempos de criança em Montes Claros. Ele era sinônimo de alegria, gentileza e humanismo. Caso “ser louco” deva ser tudo isso, como o mundo seria bem melhor se houvesse mais loucos assim. Não esqueço também da “Lena Doida”, “Galinheiro”, “Betão Ronca Ferro” e de tantos outros das décadas de 70 e 80, mas isso é outra estória… Por enquanto, vale a pena ler a crônica do Haroldo. Segue a íntegra:
Por Haroldo Santos – 14/1/2011 13:19:37
Montes Claros e seus tipos inesquecíveis
Lalaô foi um “doido”, ou pelo menos como tal na época era julgado, que viveu na cidade de Montes Claros entre as décadas de 40 e 60. O seu verdadeiro nome não se sabia, mesmo porque não era divulgado, tamanha a popularidade do seu apelido.
Como ele, vários outros tipos populares inesquecíveis povoaram a vida de Montes Claros naquele período que foi considerado áureo, uma cidade bucólica e romântica, que tinha, entre outras atrações, o famoso Cassino Montes Claros, conhecido internacionalmente pela beleza das mulheres que habitavam “Rendez Vous” gloriosos então administrados com muito orgulho pelas próprias prostitutas, ao contrário de hoje, época dos executivos modernos, quando empresários cafetões e cafetinas requereram para si a atividade de explorar e administrar o lenocínio nas “New Sagitarius” da vida.
Região de pecuária de corte, a cidade tinha também um “comércio nervoso” em decorrência da sua localização estratégica de entroncamento viário entre o sul da Bahia, o Norte de Minas e toda a Região Sudeste, e projetou seu nome além das fronteiras. Quem nunca ouviu falar da famosa Carne de Sol de Montes Claros
Naquele tempo em que as pessoas tinham tempo e espaço para a vida em comunidade, eram comuns os chamados “tipos populares”, presentes na história de toda cidade que se prezava.
Nós, que tivemos o privilégio de conhecer a Montes Claros daqueles velhos tempos, assistimos agora à existência de uma cidade sem uma identidade própria, onde o desenvolvimento industrial e o crescimento demográfico não planejado são acompanhados a passos largos por deformidades exuberantes na convivência sócio-econômica e urbanística.
O mundo moderno, dizem alguns, ficou pequeno com o aparecimento da Internet, a grande teia mundial de comunicação, entretanto, na verdade, ficou foi “grande demais” para os “pequenos detalhes” da vida quotidiana. O progresso científico-cultural, as invenções e as descobertas deste final de século, trouxeram soluções para a maior parte das dificuldades da humanidade, mas apesar disso, as cidades deterioram, com um número cada vez maior de problemas que não têm tido solução, e hoje, é praticamente impossível a identidade das comunidades com os seus chamados “tipos populares”, tão comuns e indispensáveis à própria biografia das mesmas e qu8e se perderam no redemoinho do crescimento desordenado.
Daí a modesta intenção de tentar retratar nesta despretensiosa crônica alguns episódios pitorescos da vida de Montes Claros à época de Lalaô e seus congêneres.
Lalaô
Lalaô foi uma das figuras mais interessantes daquela época, inclusive pela polêmica em torno de sua própria condição psíquica, uns afirmavam que ele era doido, enquanto outros diziam que ele se fazia passar por doido para viver, sendo na realidade “muito esperto e espirituoso”. E a respeito de suas “observações” sempre rápidas e espirituosas existem folclores, e lembramos como exemplo um fato ocorrido na famosa Rua 15, que era a rua do “footing” e dos bate-papos na época. Nesta ocasião, uma jovem senhora da sociedade montesclarense, recém-casada, e já esboçando orgulhosa a sua gravidez, passava pela referida rua quando ali se encontravam proseando um grupo de rapazes com o nosso personagem, e como ele sempre fazia, tecendo considerações diretas e espirituosas sobre todos os transeuntes, ao vê-la passar, não se conteve e exclamou, dirigindo-se à jovem senhora: -Ah. Agora eu quero ver você dizer que não “fez” nada….
Ele sempre tinha uma observação e um enfoque sobre cada pessoa, era um observador nato por assim dizer, e como um crítico mordaz e sempre atento, nada lhe passava despercebido, aguçado que era este seu espírito.
Um dos episódios mais pitorescos de sua história diz respeito exatamente à sua pseudo-condição de doido, o que ocasionalmente o transformava em um sociopata de convívio mais difícil, exigindo da Polícia, nestes momentos, o seu encaminhamento ao Manicômio de Barbacena para a internação e tratamento psiquiátrico, comuns à época.
Na época foi chamado na delegacia o Tião Peba, figura muita conhecida na cidade como seleiro e que exercia também as funções de acompanhante de pacientes que eram encaminhados ao famoso manicômio, e que foi incumbido pelo delegado de polícia de levar o nosso personagem por meio de transporte ferroviário.Tudo acertado, lá se foram os dois. Entretanto, ao chegar ao manicômio conduzindo Lalaô, Tião Peba foi surpreendido pela “engenhosidade” de raciocínio daquele “suposto doido”, que disse de imediato ao porteiro na entrada do hospital:- “Olha moço, eu estou trazendo este velho doido de Montes Claros, mas estou deixando ele pensar que é ele quem está me trazendo. Logo que entrarmos no Hospício você trata de trancá-lo logo porque ele é muito perigoso”.
Dito e feito, o esclarecimento só se deu algum tempo depois, quando Lalaô já tinha passeado bastante pela cidade, provavelmente tentando conseguir algum dinheiro para a sua pretendida volta, enquanto Tião Peba estava no manicômio tentando ainda se explicar.
De outra feita, num dos períodos de “estabilidade psíquica”, e aproveitando seus dotes de pintor de paredes que era, ele foi contratado para pintar um logotipo enorme na fachada do famoso Curtume Montes Claros, uma construção antiga que se localizava no Bairro do Melo e que podia ser avistada de várias partes da cidade. Mas, ao combinar o preço, houve uma diferença de 5 mil reis (moeda da época) entre o orçamento e a oferta feita pelo proprietário. Ele não quis discutir, aceitou em princípio a oferta, colocou a escada no grande paredão que ficava voltado para a cidade e começou a pintar o nome da indústria bem no alto da fachada, em letras garrafais, “CU”, e parou na segunda letra o seu trabalho.
Desceu da escada, procurou o contratante e disse-lhe: -Só continuo pelos 30 mil reis.
E não é necessário dizer que ele recebeu o preço integral para continuar bem depressa o seu trabalho, e completar o logotipo que parcialmente escrito denunciava um significado jocoso e não desejado quando avistado da cidade.
500 pelo cadáver
Antigo viajante da década de 40 na região de Montes Claros, oriundo, segundo diziam, de família importante de S. Paulo, este personagem desenvolveu uma grave neurite periférica alcoólica de caráter degenerativo que limitava intensamente a sua deambulação pelas ruas da cidade que antes o havia assistido brilhar nas pistas de dança do famoso Cassino Montes Claros nos seus áureos tempos de moço jovem e elegante.
Sempre trajando ternos bem cortados, sapatos lustrosos e cabelos bem penteados ele se tornou conhecido na cidade nos seus tempos de mancebo garboso, mas as noitadas na boemia e o uso constante de bebidas alcoólicas o transformaram num ancião precoce que levava várias horas para percorrer alguns quarteirões desde o seu barraco próximo à Santa Casa até o centro da cidade onde passava o dia, fazendo o mesmo percurso de volta em outras tantas horas no final da tarde.A sua limitação de movimentos que provocava um andar titubeante e muito lento e as suas feições já carcomidas facultaram-lhe o apelido de 500 pelo cadáver, e quando algum moleque gritava aquele apelido irritante, impotente para se locomover, ele usava a única arma que ainda lhe restava para rebater a zombaria, a sua língua ferina: -“É a …… da mãe desgraçado, filho da puta”.
Viveu assim vários anos, íntegro em uma pseudo-elegância que nunca perdeu, sempre de paletó, ainda que agora todo esfarrapado e sujo, mas sem perder a aparente fleuma que apresentava impecável na juventude, só que mantida ereta agora apenas pela inflexibilidade imposta pelas suas artroses e artrodeses articulares oriundas de sua doença degenerativa.
Manoel 400
Nas décadas de 50 e 60 os quitutes monstesclarenses tinham a participação especial de um personagem pitoresco: Manoel 400. Naquela época de fogões a lenha, as pequenas carroças de lenha que eram vendidas de porta em porta à semelhança do que acontece hoje com os caminhões de gás, precediam sempre à chegada de Manoel 400 que aparecia logo em seguida com o seu machado, sempre bem afiado, para desdobrar (cortar) aquela lenha possibilitando o seu uso no fogão.Tipo imprescindível naquela Montes Claros, ele também se fazia notar pelo seu aguçado “espírito de conquistador” com galanteios gentis, puros e sempre generosos para todas as moçóilas da cidade, e no seu perfil havia uma certa astúcia em “dar ferradas” apontando para os ares com a descrição de objetos hipotéticos e inexistentes e quando a pessoa ou pessoas solicitadas olhavam na direção por ele indicada imediatamente exclamava com um sorriso de vitória nos lábios :-Ô lalaika.
Era tal a sua pureza de espírito que se transformou num tipo imprescindível nos fundos de quintal, e à noite quando os rapazes se reuniam na rua 15 para ver o “footing”, ali estava ele misturado aquela sociedade emergente, de banho tomado, cabelo glostorado (Glostora era um popular óleo para cabelos usado na época), com uma camisa de mangas curtas e uma gravata atada ao grosso pescoço de alterofilista (afinal era uma lenhador, o verdadeiro alterofilista), pronto para os seus galanteios e as suas imaginárias conquistas e “flertes”.
Tuia
Tuia foi outro tipo inseparável da paisagem cosmopolita da cidade. Ele era um ex-escravo de feições agigantadas, com pés que, sem a limitação dos sapatos que nunca usou, cresceram exageradamente e apresentavam horríveis crostas ressecadas. Suas feições exuberantes, os lábios demasiadamente grossos e a grande projeção do lábio inferior que lhe provocava sempre uma sialorréia abundante, faziam de sua figura um verdadeiro representante dos contos de terror. Era um personagem que habitava “os arrepios e os medos” das crianças montesclarenses da época, que ao vê-lo geralmente apertavam as mãos dos pais com firmeza numa súplica de proteção .
Entretanto ele não era agressivo, e, ao contrário, era incapaz de qualquer ato de rebeldia ou agressividade.O seu lar por muitos anos foi o alpendre da casa em que funcionava a sede do O Jornal de Montes Claros, e ali ele era como um vigia daquela casa, fazendo parte integrante da paisagem da Rua Dr. Santos na velha Montes Claros que, como ele, também já era centenária naquela época.
Requeijão
Outro tipo popular que viveu na mesma época em Montes Claros tinha o apelido de Requeijão, e bastava que algum moleque traquinas o chamasse pelo apelido para que ele respondesse com um verdadeiro rosário de nomes e expressões indeclináveis, tal era o seu vocabulário de palavras impublicáveis.
Naquele tempo os bares típicos da época não ofereciam o conforto das lanchonetes e “fastfoods” de hoje com seus balcões e vitrines industriais resfriados e serviços de produção industrial preparados para o consumismo moderno dos sanduiches e “colas” da atualidade.
Eram instalações comerciais simples, com uma máquina de café e um balcão de madeira com vitrine de vidro e prateleiras forradas de papel manteiga para a exposição protegida dos quitutes regionais: fatias de requeijão e queijo, broas de fubá, bolos, biscoitos fofão, pés de moleque, doces de leite e de coco, todos produtos caseiros da melhor qualidade.
Mas como lembrávamos, era tal a ojeriza do personagem pelo apelido que ele era incapaz até mesmo de pronunciá-lo, e quando entrava num bar com vontade de se deliciar com uma boa fatia de requeijão ele simplesmente apontava para a vitrine dizia:
-Me dá um pedaço desta “desgraça” aí.
Mundinho Atleta
Uma das figuras mais carismáticas e constantes nas rodas de bate-papo do antigo Cafezinho do Zim Bolão, ponto obrigatório de reunião para as fofocas do dia, ele continuou emprestando e a sua presença na esquina do Café Galo, sucessor automático da antiga sede das fofocas montesclarenses. Muito magro ele sempre fez jus ao seu apelido em reverso e era saudado sempre como o futuro prefeito da cidade, fato que rebatia sempre dizendo que o prefeito em exercício era apenas um seu preposto, além do que, importantes mesmo eram as batalhas imaginárias travadas sob o seu comando, que o transformaram num general de 5 estrelas. Mundinho seguiu sua trajetória irretocável de figura imprescindível na história da cidade, uma história cheia de estórias.
Zé Amorim
E o Zé Amorim? Este não podia faltar nestas lembranças porque ele representou para a Montes Claros antiga o que o “Google” representa hoje para o mundo moderno, isto mesmo o “Google”, porque ele dava notícia de tudo e de todos, sabia da vida de cada um e tinha aquela linguagem própria e extremamente satírica para descrever cada personagem da cidade. Entrar no Bar Maravilhoso, na Rua 15, correspondia a “entrar” hoje no “Google” para saber das últimas ou de todas as novidades.
Ele era singular, e seu olhar sobre a cidade foi sempre de uma riqueza indescritível, pena que ele não tenha deixado em letras suas palavras ricas na descrição analítica de seu tempo.
E esta era uma característica familiar, pois seu pai, Pedro Montes Claros, e seus irmãos, Tuca, Sinval e Bem Pau Véi, também tinham a língua afiada como uma navalha, que aliás era o instrumento de trabalho do seu pai, que foi barbeiro durante muitos anos e gozava da intimidade dos chamados coronéis da cidade.
Quem daquela época não se lembra de Bem Pau Véi com sua marca registrada de cumprimentar as pessoas: -Êh, leão desgraçado!!!
Alguns até se assustavam com seu jeito abrutalhado quando estava bêbado, e ele sempre estava!
Zé Amorim nunca deixou um freguês sem a sua pitada sarcástica de gozação, ou pela frente ou pelas costas, ele sempre dava seu diagnóstico.
Os irmãos Zacalex, gregos que vieram morar em Montes Claros, também sofreram suas gozações. Eles freqüentavam o sanitário do bar geralmente após o almoço para se aliviarem, e o Zé começou a notar um certo entupimento no vaso sanitário logo após o uso por um deles. O Zé que “não deixava por menos”, resolveu dar o troco na hora certa, e numa das vezes que o Zacalex chegou e pediu a chave do sanitário o Zé foi logo retrucando: -Ô meu irmão, vou lhe dar a chave e você pode usar o vaso, mas vê se você “bitola”, tá?
Também corria uma história sobre o Zé que morava na época no Bairro Roxo Verde em uma avenida movimentada que fazia a ligação para o Alto de São João. Numa tarde ele estava sentado em frente à porta da casa, onde seus animais viviam em total liberdade, gatos, cachorros, galinhas, etc..
Em determinado momento uma carreta carregada com sacos de semente de algodão atropelou e matou uma das suas galinha e aí o Zé ficou “macho” com a situação e disse:
-Isto não ficar assim não!
Imediatamente pegou a sua moto, uma Harley Davidson, e partiu atrás daquela jamanta que logo foi alcançada, e aí o Zé foi logo mandando o motorista parar para tirar satisfação com ele.
Mas ao parar a carreta o motorista se apoiou com o braço sobre a janela e o Zé viu se descortinar uma bíceps que mais parecia um quadríceps de tão forte, e o motorista perguntou:O que que foi, meu irmão?
O Zé, que nunca foi bobo,tratou logo de resolver bem a situação e perguntou ao motorista:
-Quantas toneladas o senhor está levando aí?
Ao que o motorista respondeu: -40 toneladas!
O Zé então finalizou: -Ah! Eu bem que havia calculado certo, porque a minha galinha ficou só a plastra lá no chão! Boa viagem para o senhor!
O irmão do Zé, o Sinval Amorim, de certa feita, tinha um dos seus apartamentos alugados a preço muito baixo no prédio que tinha o nome do seu pai, Edifício Pedro Montes Claros, e resolveu reaver o imóvel alegando necessidade de morar nele, mas a inquilina se recusou a sair do imóvel e como a justiça sempre foi muito morosa, foram anos e anos nessa pendenga judicial. O Sinval diariamente ia até à frente do apartamento, que ocupava o segundo andar, via a inquilina na janela e dizia;
-Vocês estão vendo aquele apartamento ali no segundo andar? Ele não é meu não, ele é daquela Filha da Puta que está lá na janela!…
Como estas várias outras figuras lendárias do verdadeiro folclore popular desfilaram sua importância social e porque não dizer cultural urbana, criando verdadeiros mitos dentro da comunidade e não serão esquecidas nunca por esta comunidade que sempre soube prestigiar estes valores antropológicos.
Este mundo aparentemente artificial, povoado de imagens irreais, fazia da vida da comunidade montesclarense uma verdadeira peça teatral, repleta entretanto de veracidades palpáveis, onde todos eram parte integrante do elenco deste imenso teatro real de figuras fantásticas, e fazia da cidade uma verdadeira escola de convivência urbana.
Montes Claros já não é aquela cidade de antanho, e hoje desvirginada pelo progresso já não há lugar para estes “pequenos grandes momentos” de pura poesia cultural e antropológica.
Quintuplicada em tamanho e número de habitantes já não há mais espaço nem tempo para uma parada no Bar Maravilhoso para saber das novidades nem tempo para as sábias reflexões daqueles montesclarenses inesquecíveis.
Parece que os ponteiros dos relógios já não se contentam com sua antiga rotina de velocidade circular e cederam lugar para relógios digitais, sem ponteiros, que parecem comandar o tempo mais depressa Esta era a Montes Claros daquela época, povoada de histórias e estórias, e como essas muitas e muitas outras ainda estão na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de viver na Montes Claros do Velho Mercado Municipal, do antigo Cassino Montes Claros, da movimentada Praça de Esportes, do footing da Rua 15 e da Praça Cel Ribeiro e das famosas Horas Dançantes que fizeram o embalo dos montesclarenses naqueles tempos.
Velhos tempos! Grandes lembranças!