Mais do que nunca “digam, postem ou pensem ‘paz e amor’“
por Ricardo Mezavila
Dia sete de julho, Richard Starkey, o eterno Ringo Starr, baterista dos Beatles, comemorará seu 83º aniversário e uma tradição que começou de maneira espontânea em 2008, quando um jornalista perguntou a Ringo o que ele queria que seus fãs lhe dessem de aniversário. “Seria ótimo se ao meio-dia eles pudessem pedir paz e amor“, disse Ringo imediatamente.
A manifestação começou tímida, mas hoje vinte e oito países seguem a tradição.
A cultura brasileira não produz artistas com engajamento universal, com estatura e capacidade suficiente para tocar as pessoas na plenitude de suas convicções humanitárias.
A arte produzida no Brasil não vai muito além das questões comerciais, e quando vai, não é capaz de sair da bolha e atingir frontalmente o que está fora do lugar em seu entorno, não se transforma em ferramenta altruísta, coletiva e solidária.
Sem a manifestação pública de qualquer artista e sem o carisma de um ex-Beatle, o brasileiro que vive no Brasil real, de certa forma, pediu paz e amor, não só ao meio-dia de uma data específica, mas por vinte e quatro horas durante quatro anos de negacionismo e tragédia, quando a sociedade experimentou uma espécie de tentativa de extinção civilizatória.
Nessa nova era, vivemos a leveza do fim do pesadelo, com frequência sentimos o alívio de não estar em uma guerra ideológica e de narrativas, não que estejam definitivamente enterradas, mas podemos aproveitar o armistício para nos fortalecer com oxigênio democrático.
Podemos perceber que o otimismo está, aos poucos, retornando aos nossos dias. No futebol, por exemplo, o Botafogo representa a retomada dos bons tempos e surpreende o Brasil como nos tempos de Garrincha, a alegria do povo.
Ringo Starr encerrou uma turnê de primavera com a All-Starr Band, e diz que está se sentindo ótimo, “você nunca sabe quando vai cair, é isso. E eu não estou caindo ainda.”
Paz e Amor, Ringo!
Ricardo Mezavila , cientista político
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
Deixe um comentário