5 de junho de 2026

Copom deve manter ritmo de corte em 0,5 ponto nas próximas reuniões

Taxa Selic pode ficar próxima de 9% ao fim do ano; economista destaca divergência de votos entre Roberto Campos Neto e Diogo Guillem
Edifício-sede do Banco Central no Setor Bancário Norte. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, com indicativo de manutenção dos cortes pelas próximas reuniões.

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Com isso, cresce a perspectiva de que a taxa de juros ao longo desse ciclo fique próxima de 9% em um período muito rápido, ou até mesmo abaixo dos 9% esperados, segundo análise de Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital.

“Geralmente, os ciclos de queda e de alta na taxa de juros começam menos intensos e são intensificados ao longo do processo, porque políticas macroeconômicas levam tempo para serem sentidas”, explica a economista.

“Elas levam tempo para serem auferidas pelos demais indicadores macroeconômicos e a instituição (Banco Central) precisa desse tempo para entender quais os efeitos que essa política está tendo na esfera real”, pontua Carla Argenta.

Em casos como o ocorrido nesta reunião, Carla diz que dois movimentos adicionais podem ser percebidos – a começar pelo patamar de 0,5% como mínimo de corte a ser realizado nos próximos encontros.

“A taxa de juros terminal ao longo desse ciclo ela deve ficar ou muito próxima de 9 em um período muito rápido, que é o que o mercado espera hoje, ou menor do que esses 9%. Então, ela (a nota do Copom divulgada após a reunião) sugere uma perspectiva mais dovish (redução de juros e expansão da oferta de moeda)”, ressalta.

Mudança no rating

Nos comunicados anteriores, o colegiado colocava pontos ligados à política fiscal como incógnita para um corte mais intenso da taxa básica de juros.

“O que mudou do último copom pra cá, basicamente nada em termos de política fiscal”, diz Carla, que aponta como vetores importantes as movimentações favoráveis ao Brasil pelas agências de classificação de risco – no caso, a promoção do rating brasileiro por parte da Fitch, além da redução do rating norte-americano e uma mudança de perspectiva por parte da S&P.

“Isso significa que a esfera fiscal, ela é relevante para esse Banco Central, ela é muito relevante para essa composição atual do comitê de política monetária, e esses movimentos recentes contaram muito para esse processo que vimos e para essa queda de juros que vimos nesse momento”, acredita a economista.

Divergência entre membros do BC

Carla Argenta aponta ainda um terceiro item que chamou a atenção do mercado: a divergência dos votos do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do diretor Diogo Guillem.

Enquanto Campos Neto votou por um corte de 0,50 ponto percentual, Guillem esteve ao lado dos defensores de um ajuste em 0,25 ponto percentual.

“Primeiro ponto: Diogo foi indicado por Roberto Campos Neto. Segundo ponto: na ausência de Roberto Campos Neto, é Diogo Guillem quem assume a presidência da instituição. E esses dois membros votaram de forma divergente”, diz Carla.

Na visão de Carla Argenta, “embora isso tenha um impacto positivo sobre o mercado, significa uma divergência muito grande em termos de BC, em termos de composição do Copom neste momento”.

Diante disso, a economista afirma que a ata da reunião irá mostrar os contrapontos trazidos que foram favoráveis por um ajuste menor. O documento deve ser divulgado na próxima semana.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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  1. ed.

    3 de agosto de 2023 9:55 am

    Considerando que em 2023 teremos mais 3 reuniões do Copom e até mesmo incluindo uma quarta no inicio de 2024, se tivermos cortes de 0.5% percentuais chegaríamos a 11,25% a/a. Para chegarmos aos 9%, teríamos que praticar 1%+ por Copom. Seria isso?

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