Jornal GGN – A Vale registrou um lucro líquido de R$ 3,187 bilhões durante o segundo trimestre, resultado bem acima dos R$ 832 milhões contabilizados no mesmo período de 2013, mas 46% abaixo dos R$ 5,909 bilhões do primeiro trimestre.
De acordo com os números divulgados ao mercado, o resultado refletiu os efeitos de uma baixa contábil (no valor de US$ 500 milhões) “de ativos relacionados a Simandou e à mina de Integra Coal”, e que discussões com o Governo da Guiné estão avançando no sentido de reconhecer, e de certa forma compensar os investimentos feitos pela Vale naquele país
Outro ponto que afetou o desempenho da empresa foi o recorde apurado na produção de minério de ferro, que chegou a 79,448 milhões de toneladas, com um crescimento de 12,6% frente ao mesmo período do ano passado. A produção de ferro no segundo trimestre, a maior para este período na história da companhia, cresceu 11,8% na comparação com a dos três primeiros meses deste ano. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, desvalorização e amortização) caiu 10,2%, para R$ 9,136 bilhões no segundo trimestre, incluindo uma melhor contribuição do segmento de metais básicos de R$ 1,340 bilhão, apesar dos efeitos da manutenção programada em uma das operações.
A receita líquida da companhia no segundo trimestre somou R$ 22,478 bilhões, valor 0,1% superior ao do mesmo período do ano passado, mas um pouco abaixo dos R$ 22,832 bilhões do primeiro trimestre. De acordo com a Vale, “essa queda ocorreu principalmente devido a menores preços de venda (R$ 1,717 bilhão) e variação cambial impactando as receitas de minério de ferro e pelotas (R$ 907 milhões) e variação cambial impactando as receitas de metais básicos (R$ 254 milhões), que foram parcialmente compensados por maiores volumes de vendas de minério de ferro (R$ 2,056 bilhões) e preços mais altos dos metais básicos (R$ 614 milhões)”.
Na visão do analista Lenon Borges, da Ativa Corretora, o resultado foi considerado marginalmente positivo, já que a estratégia adotada pela empresa de reduzir a participação do minério de ferro na receita líquida (- 1,6 p.p) e o consequente aumento na diversificação – mitigando o risco – deve ser bem vista pelo mercado. Embora ele aponte cautela para o mercado chinês, os indicadores macroeconômicos locais trazem um pouco de otimismo para o curto prazo. “Apesar do panorama macroeconômico enfraquecido, a Vale apresentou um resultado operacionalmente atrativo em termos de estratégia de expansão e de corte de custos”.
Dividendos atingem US$ 2,1 bilhões
Mesmo com a queda dos preços do minério de ferro, a Vale efetuou o pagamento de US$ 2,1 bilhões em dividendos, mantendo seu nível de endividamento total em US$ 30,257 bilhões e preservando uma posição de caixa semelhante à vista durante o primeiro trimestre, no valor de US$ 7,067 bilhões.
A alavancagem, medida pela relação da dívida total/LTM EBITDA ajustado, foi de 1,5x em 30 de junho de 2014. A relação da dívida total/enterprise value aumentou para 33,1%, em 30 de junho de 2014, de 32,1%, em 31 de março de 2014, devido à queda no valor de mercado da mineradora.
De acordo com os dados divulgados pela empresa, o CPV (Custo dos Produtos Vendidos) foi de R$ 13,566 bilhões, o que significou uma queda de R$ 394 milhões em relação aos primeiros três meses do ano, após os ajustes dos efeitos de maior volume (R$ 857 milhões) e variação cambial (-R$ 42 milhões), os custos diminuíram R$ 421 milhões ante o primeiro trimestre. “O principal fator para essa queda no custo, após os ajustes de volume e variação cambial, foi a depreciação (R$ 409 milhões)”, diz a companhia.
Os investimentos da Vale foram de US$ 2,469 bilhões, dos quais US$ 1,563 bilhão em execução de projetos e US$ 906 milhões em manutenção. No semestre, os investimentos da Vale totalizaram US$ 5,056 bilhões, compostos de US$ 3,398 bilhões em execução de projetos e US$ 1,658 bilhão em manutenção. Isto representa uma redução de US$ 2,105 bilhões quando comparados aos US$ 7,161 bilhões gastos no primeiro semestre de 2013.
Já as despesas alcançaram R$ 1,836 bilhão, o que significou uma redução de 12,7% em relação ao primeiro trimestre e de 26,4% na comparação com o segundo trimestre do ano passado.
Mardones Ferreira
6 de agosto de 2014 1:03 pmSó em pensar que o FHC doou a
Só em pensar que o FHC doou a Vale do Rio Doce por um valor irisório e que ano após ano a empresa vem distribuindo dividendos, eu imagino o quanto de propina não rolou para esse negócio ser realizado.
Falta um jornalista escrever um livro sobre a privatização da Vale. Esse crime não pode ser esquecido.
Nem falo em cineasta porque, no Brasil, essa profissão é diversão juvenil, salvo exceções aqui e ali.
Janaina Matos
13 de novembro de 2015 5:56 pmresposta ao comentário sobre a privatização da vale.
O que o povo ganhou ou ganha com as estatais? Algum benefício direto? Para que o povo quer as estatais?
Se tivesse Vale, hoje no governo do PT, certamente estaria como a Petrobrás.
Num sistema corrupto como o Brasil não se deve ter estatais.. Elas servem apenas para mover a máquina da corrupção do sistema.
O Petróleo é nosso? O Brasil tem uma das maiores extrações do mundo e para o Brasileiro no que isso faz diferença?
Macaé e Campos não parecem cidades onde a economia é o petróleo. Cidades com níveis social, urbano e estrutural medíocres.
Onde o governo mete a mão tem corrupção. Essas estatais são antros de lobistas.
Que privatizem todas.