4 de junho de 2026

O “manchetômetro” e a imprensa partidária, por Luciano Martins Costa

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Enviado por Assis Ribeiro

Do Observatório da Imprensa

O “manchetômetro” e a imprensa partidária

por Luciano Martins Costa

A Folha de S. Paulo acaba de descobrir que o racionamento de água que ocorre em São Paulo é racionamento mesmo, e não efeito colateral de obras de manutenção da rede. Essa constatação faz a manchete do jornal nesta sexta-feira (1/8): “Ação de SP na crise da água equivale a racionamento”.

No texto que se segue, o leitor fica sabendo que o racionamento que sofre na prática há um mês também é racionamento na teoria. O diário paulista só percebeu que o racionamento de fato é também um racionamento em termos técnicos quando alguns bares da Vila Madalena, região da boemia frequentada por jornalistas, tiveram que fechar por falta de água.

A nova interpretação da Folha para a crise de abastecimento chama atenção porque acontece ao mesmo tempo em que o jornal anuncia uma campanha para esclarecer aos leitores seu posicionamento diante de alguns temas tidos como importantes: casamento gay, pena de morte, cotas raciais, política econômica, aborto e legalização de drogas. A direção do jornal quer mostrar que, embora tenha posições claras sobre os assuntos, abre espaço para opiniões divergentes.

Essa mudança responde em parte a especulações feitas por protagonistas das redes sociais sobre a persistência da Folha de S. Paulo em pressionar o senador Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente da República, a dar uma explicação para o caso do aeroporto privado feito em Minas Gerais com dinheiro público quando ele era governador do Estado.

Foi a Folha que revelou essa história, obrigando os outros jornais a seguirem a pauta, e o veículo que mais mantém o assunto em evidência. Com a insistência do jornal paulista, Aécio Neves finalmente admitiu que usou o aeroporto “algumas vezes” e, nesta quarta-feira, acusa a Agência Nacional de Aviação Civil de atrasar a homologação do campo de pouso, o que pode ter feito com que ele, “inadvertidamente”, usasse as instalações irregulares.

No mesmo dia, em editorial, a Folha exige mais explicações, acusa o ex-governador de haver privilegiado a cidade onde sua família possui terras, observa que a obra “no mínimo, é conveniente para ele e seus parentes” e conclui que a questão “não está mais que esclarecida”, como quis Aécio.

O Brasil da imprensa vai mal

Alguns leitores escrevem comentários dizendo que o jornal paulista se descola de seus concorrentes, que poupam quanto podem o candidato tucano. No entanto, é mais fácil explicar a aparente guinada da Folha em dois aspectos: o jornal sempre foi muito próximo do ex-governador José Serra, que, embora correligionário, não tem qualquer entusiasmo pela candidatura de Aécio Neves; a Folha, como os outros diários de circulação nacional, segue demonstrando seu partidarismo em favor do PSDB em outros aspectos, principalmente no que se refere aos problemas de São Paulo.

Se não fosse pela simples observação crítica que o leitor mais atento costuma fazer, o partidarismo dos principais diários do País vem sendo registrado por um grupo de pesquisadores da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Suas análises da valência das informações destacadas pela imprensa mostram uma dicotomia presente nas escolhas editoriais, que reforçam aspectos negativos ou positivos dos acontecimentos conforme os protagonistas.

O Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) da UERJ demonstra, com seu “manchetômetro” (ver aqui), como os jornais blindaram Fernando Henrique Cardoso e expuseram Lula da Silva no passado recente, como tratam desigualmente o governo federal e o governo paulista, como as notícias sobre Aécio Neves são mais equilibradas do que o material referente à presidente Dilma Rousseff, bombardeada na proporção de 182 informes negativos para apenas 15 positivos, por exemplo, e como esse bombardeio se intensifica no período eleitoral.

Além disso, o noticiário econômico apresenta um resultado consolidado de mais de 90% de notícias negativas, numa linguagem dicotômica e com poucas nuances, “interpretando os fatos e dados econômicos como sinais de uma crise, ou em andamento, ou prestes a acontecer”.

Os gráficos da cobertura agregada dos três jornais, por exemplo, mostram que a economia teve em julho 97,6% de notícias negativas contra apenas 2,4% de notícias positivas.

Se o Brasil fosse o que mostra a imprensa, estaríamos todos mortos de fome.

Essa é uma das evidências de que a imprensa hegemônica rompeu com o jornalismo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Antonio Passos

    4 de agosto de 2014 4:41 pm

    Tem opinião sobre “tudo” mas NÃO fala seu candidato

    Para ser honesta, digna e corajosa a Folha deveria obrigatoriamente revelar o candidato que apóia à presidência, como fazem os jornais americanos e fez a revista Carta Capital. Se têm opinião sobre TUDO, economia, política, etc, etc, é claro que também têm opinião sobre qual seria o melhor candidato. Então cadê a coragem de falar claramente o que todos já sabem ?

  2. Carlos Dias

    4 de agosto de 2014 4:48 pm

    Faço sempre a mesma pergunta

    Diante das, agora, provas científicas, eu gostaria que os defensores da imprensa presentes nesse blog viessem fazer o contraponto e argumentar que a midia não é o que chamamos de PIG.. Há de ter alguma explicação…

    estou aguardando….

  3. Moita

    4 de agosto de 2014 6:08 pm

    Minha curiosidade é sobre

    Minha curiosidade é sobre como os funcionários do jornal – aqueles que redigem e editam os artigos – enxergam o posicionamento do veículo.

    Eles concordam que há esse alinhamento partdário e a distorção proposital na divulgação das notícias? Ou são tão alinhados ideológicamente com os empregadores que se consideram a produção isenta?

     

    Tendo a achar que é o segundo caso. Alguém por aí pode dar uma informação das internas?

  4. valter r vidal

    4 de agosto de 2014 7:54 pm

    A imprensa vai mal?

    Assis vc diz que a imprensa vai mal e é verdade(vc tem razão), ela é tendenciosa  mas ela é da mesmíssima forma que vc é a favor do seu PT, vc assis nunca postou nada que fosse crítico a governo corruPTo e imcomPTente do seu PT, não vejo diferença entre sua postura e atitudes e as dos grandes grupos de mídias, distorcem a realidade e adoram uma meia verdade, to errado?

    1. implacavel

      4 de agosto de 2014 11:30 pm

      Nas sim tem que começar a
      Nas sim tem que começar a bloquear esses malucos que aparecem por aqui acusando o PT e o Governo Federal de corrupção! Quer falar mal, vai lá para as páginas do PIG!

      1. valter r vidal

        5 de agosto de 2014 1:30 am

        intolerantes

        Meu caro vc não aceita o contraditório não é mesmo? Tenho total direito a expressar minha indignação contra qualquer partido, e não por acaso é o seu PT que está no poder se esbaldando na corrupção, mas peça ao nassif para me expulsar do blog e deixar apenas a unanimidade burra favoravel ao PT, talvez vc consiga transformar este blog que tem vida inteligente e permite a diversidade de opiniões em blog de fanáticos tipo ao do Paulo Henrique Amorim.

    2. Weslei

      5 de agosto de 2014 4:47 am

      Se à mídia fosse plural

      Se à mídia fosse plural, não teria problemas, mas, ela não é plural é uma oligarquia voltada à direita e isso que é o problema.

  5. +almeida

    4 de agosto de 2014 8:33 pm

    Um ótimo exemplo para divulgação

    Um ótimo exemplo de como funciona toda essa trama de controle da informação, pela grande midia, pode ser assistido no excelente video de Pedro Ekman e toda equipe, chamado: “Como a Midia Sufoca a Liberdade de Expressão”  e que foi postado anteriormente como “Levante a Sua Voz”. Confesso, que eu ainda não o conhecia e recomendo a todos a assistí-lo. O vídeo informa o que muitos já sabem sobre o assunto liberdade de expressão, porém com a diferença que a qualidade de transmissão e a edição são tratadas de forma simples, direta e super objetiva. Sugiro ao Nassif copiar para Conversa Afiada, Tijolaço, Viomundo, etc… 

    O endereço é: https://archive.org/details/ComoAMidiaBrasileiraSufocaALiberdadeDeExpressao 

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