Recebi agora, por e-mail:
PGNC – 012 – 2014-07-25 Indaiatuba, 25/07/2014
De: Presidência Grupo Nippon Chemical
Para:
- DISTRIBUIDORES NIPPON CHEMICAL
- REVENDAS CREDENCIADAS NIPPON CHEMICAL
- FILIAL SANTA CATARINA
- CDL BAURU
- GERÊNCIA NIPPON CHEMICAL
REF: RESPONDENDO DÚVIDAS E RÁPIDAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RUMOS DA ECONOMIA BRASILEIRA PARA 2014/2015/2016
Prezados Parceiros,
Após ter enviado minha PGNC-011/2014, recebi diversos e-mails manifestando preocupação com o mercado e com a situação do Brasil.
Como todos sabem, sou um empresário que procura estar sempre ligado no mercado, na economia, além de contar com um suporte “on-line” da Empiricus, uma abalizada e respeitada consultoria financeira.
O Texto a seguir foi inspirado em um alerta que recebi ontem do Dr. Felipe Miranda, consultor da Empiricus. O Texto original é muito longo, portanto procurei resumi-lo ao máximo para não se tornar enfadonho e cansativo.
Por favor, reserve um pouquinho do seu tempo e procure preparar-se para o que estar por vir.
Em futuro bastante próximo, todos nós (pessoas físicas e empresários) seremos bastante afetados em nossas finanças e até mesmo sobre nosso modo de vida.
Há uma crise muito grave se aproximando e ela encontra suas raízes no colapso do sistema financeiro de 2008, cujo ápice é marcado pela quebra do centenário banco norte-americano Lehman Brothers e pelo consequente caos em Wall Street.
Para tentar neutralizar impactos do tsunami externo por aqui, o Brasil abandonou os pilares tradicionais de política econômica criados nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso e seguiu uma série de medidas heterodoxas (Governos do PT), com implicações trágicas.
Para nosso caso, os problemas a ser vistos nos próximos meses serão muito piores do que os vivenciados em 2008.
Naquela época o então presidente da república, classificou a crise de seis anos atrás como uma marolinha para o Brasil, desta vez não existirá espaço para qualquer metáfora parecida.
Teremos em breve uma disparada da inflação, aumento destacado do desemprego, interrupção do crédito, maior endividamento da população e grande salto do dólar. Esta análise é fria e estritamente técnica.
Não pensem que eu sou uma pessoa pessimista; aqueles que me conhecem a mais tempo sabem que sou um empresário entusiasmado e otimista e por isto estou bastante preocupado com os meus parceiros e obviamente comigo também. Dito de outra forma, você estará preparado quando esta crise se materializar?
Eu acredito que nós, como brasileiros, estamos prestes a observar um verdadeiro colapso no nosso sistema econômico, com desdobramentos relevantes sobre o cotidiano de cada cidadão.
Basicamente, há cerca de cinco anos, o Governo brasileiro mudou dramaticamente sua política econômica. Passamos a desafiar décadas de um conhecimento acumulado e consolidado em macroeconomia. Abandonamos o pilar ortodoxo para nos render à maior intervenção do Estado (Governo do PT) na Economia em uma economia pautada no assistencialismo (Bolsa Família) e ao estímulo excessivo ao consumo (redução das alíquotas de IPI para comprar carros).
E qual foi o resultado?
Falência das contas públicas e impossibilidade das famílias continuarem aumentando o consumo na velocidade que o governo necessitava.
O Brasil tem queimado suas reservas de maneira sistemática. O total de suas despesas supera suas receitas. Pior ainda, a diferença em desfavor das receitas tem aumentado.
O déficit nominal brasileiro, que mede esta relação, chega em 4% ao ano e as contas públicas tiveram em maio de 2014 o pior resultado da história, mesmo com uma contabilidade nacional bastante criativa (falcatruas) e uma porção de receitas extraordinárias.
A sustentabilidade das contas do governo está em risco, como fruto de uma política deliberada de aumento dos gastos públicos, além da maior corrupção já vista na história do Brasil.
Talvez você discorde sobre o quão ruim está a situação da economia brasileira. Eu respeito sua opinião. Peço, porém, que considere os seguintes pontos – todos os dez elementos estritamente factuais:
1 – O crescimento médio do PIB no governo Dilma, se confirmadas as projeções de consenso para 2014, deve ser de 1,8% ao ano. Veja: esse é o pior resultado desde o governo Collor. Temos a primeira evidência empírica e incontestável de que retornamos a condições anteriores a 1994.

Até 2013, mesmo sem considerar o resultado pífio previsto para este ano, observamos o crescimento mais baixo desde a Era Collor.
2 – A inflação tem sido persistentemente alta e acima do centro da meta, de 4,5% ao ano. Simplesmente, temos ignorado esses 4,5% e observado, de maneira sistemática, uma inflação beirando o teto da meta.
A imagem abaixo ilustra bem o argumento:

As estimativas para a inflação oficial de 2014, conforme levantamento do próprio Banco Central junto a agentes de mercado, rondam exatamente os 6,50%, teto da meta. E até mesmo o Relatório Trimestral de Inflação, do nosso BC, projeta 6,40% para este ano, colado nos 6,50%.
A rigor, em 12 meses, já estamos acima da meta. No intervalo encerrado em junho, a inflação foi de 6,52%.
Para 2015, a situação não é muito diferente. A mediana das projeções dos economistas também aponta inflação próxima a 6,50%.
Sim, há coisas ainda mais desagradáveis a respeito da inflação. Já teríamos estourado o teto da meta não fosse pelo controle de preços. Ou seja, estamos artificialmente maquiando a inflação, ao represar alguns preços, com exemplos mais claros nos setores de energia e combustíveis.
Sem desonerações, a inflação ronda 8,50% ao ano. O próprio governo admite controlar preços, sem nenhum tipo de constrangimento. Em entrevista à Folha de S. Paulo em 14 de maio, o ministro Mercadante reconheceu que o governo controla preços de combustíveis e energia elétrica.
O setor de etanol foi simplesmente destruído pelo controle deliberado do preço da gasolina. Transcrevo abaixo o que diz matéria do jornal Valor Econômico, do dia 17 de junho de 2014:
“A indústria de etanol do Brasil enfrenta tanto pressões de aumento do custo da terra e da mão de obra, como se tornou uma vítima não intencional do controle de preços da gasolina para frear a inflação, avalia a Agência Internacional de Energia. No Brasil, a AIE nota que o aumento da capacidade de produção de etanol estagnou, várias usinas foram fechadas e mais capacidade pode estar em risco.”
3 – As contas públicas estão completamente desajustadas, de tal sorte que o Governo brasileiro vai, em breve, encontrar grandes dificuldades para se financiar. Ou seja, as taxas de juro devem subir com vigor, impactando fortemente o orçamento das famílias e a capacidade de crédito.
4 – O resultado de nossas relações com o resto do mundo, que já era péssimo, fica cada vez pior. O chamado déficit em transações correntes, medida do saldo de nossas contas com o exterior sem considerar as movimentações de capital, vem crescendo sistematicamente e atinge níveis preocupantes. Em maio, o déficit brasileiro em conta corrente montou a US$ 6,635 bilhões, o mais alto para um mês de maio em toda a série histórica.
5 – O mercado de trabalho se enfraquece em ritmo assustador. A criação líquida de postos de trabalho em maio foi de 58.836, Trata-se do pior mês de maio desde 1992.
6 – Estamos à beira do apagão.
Os analistas do banco Brasil Plural escreveram relatório recentemente apontando uma pequena chance de 100% de racionamento de energia ainda em 2014.
7 – A Petrobras foi simplesmente destruída.
Quando se impede o reajuste de preço da gasolina, A Petrobras se vê obrigada a comprar produtos por um preço superior a seu preço de venda.
O resultado? Queimas sucessivas de caixa Mais uma conquista para o Brasil: A Petrobras apresenta hoje a maior dívida corporativa de todo o mundo.
8. Com inveja da Petrobras, a Eletrobrás, outra estatal relevante, também foi destruída. Suas ações simplesmente derreteram em Bolsa.
9. A indústria brasileira fica menor, a cada dia com facilidades concedidas pelo governo brasileiro à China; assunto abordado por mim em outra comunicação.
10. O Cambio está irreal! A política cambial brasileira tem sido desastrosa. Simplesmente ignoramos o pressuposto do câmbio flutuante. Primeiro, a tentativa do Governo era depreciar o real, para poder aumentar a competitividade das nossas exportações e estimular a indústria. Dá-lhe IOF e coisas parecidas.
Agora, o Banco Central usa o câmbio como instrumento de combate à inflação, deixando claro nas atas de suas reuniões que precisa do dólar a R$ 2,20 para manter a Selic no nível atual.
A turma de Alexandre Tombini (presidente do BC) vem sistematicamente vendendo dólares (de forma direta ou por meio de swaps cambiais) para impedir a inflação.
Com isso, reduz reservas internacionais num momento de farta liquidez global. Estamos queimando munição quando mais precisaríamos guardá-la. Em minha opinião o governo não vai conseguir segurar por muito tempo essa taxa do dólar e com muito otimismo eu acredito que em meses ela ultrapassara o valor de R$ 2,50. Os mais pessimistas falam em R$ 2,70 ou até R$ 2,80. Isto não dá para prever, mas todos nós sabemos que o dólar alto causa inflação e reflete no aumento da taxa Selic.
Com tudo isso, tornamo-nos cada vez mais frágeis às vésperas do início do ciclo de alta das taxas de juro pelo mundo. Quando efetivamente precisaremos vender dólares, estaremos com nível de reservas no limite. De novo, vai faltar dólar.
E para finalizar a minha reflexão, existe ainda a questão fiscal e não foi à toa. O ajuste fiscal é a cereja do bolo. A política fiscal brasileira tem sido ultrajante, não havendo qualquer tipo de consolidação, muito menos amigável ao investimento. O governo tem, cada vez mais, ocupado o espaço do investimento privado, sem ele mesmo preencher adequadamente essa lacuna.
A agência internacional de classificação de risco Standard and Poor’s já rebaixou o rating brasileiro, de forma que, na opinião da agência, há um maior risco de que o país dê um calote em sua dívida. E a agência Moody’s acaba de alertar para a mesma possibilidade, caso o próximo governo não tome atitudes severas. A situação certamente já não é boa. E deve piorar muito mais. A Economia é impiedosa. Se você comete erros de política econômica, não passa impune.
Os preços administrados (principalmente combustível e eletricidade) terão de subir após as eleições porque o governo vem represando todo tipo de tarifa pública há dois anos. A conta deverá ser parcelada porque, se subir tudo de uma vez, a inflação das tarifas pode chegar a 14% em 2015.”
Prezado parceiro, talvez você ainda esteja cético sobre a possibilidade dessas coisas acontecerem aqui e agora. Deve estar falando, o Pellegrino está louco e filosofando, mas eu posso lhes garantir: tudo isto já está acontecendo!
A inflação brasileira já estaria acima da meta e beirando os 10% ao ano caso as tarifas de energia e os preços da gasolina não estivessem sendo controlados.
Resumindo: O que você pode fazer para proteger a si, a sua família e principalmente a sua Distribuidora e ainda por cima crescer e ganhar muito dinheiro?
1º – Praticar uma política de preços competitivos com um Mark-Up entre 125 e 150 % (máximo), que ainda assim é expressivo e em alguns casos deverá ser reduzido para a sobrevivência da sua Distribuidora.
2º – Fidelizar seus clientes através de contratos muito bem formatados e com um atendimento excepcional. Fazer tudo aquilo que o concorrente não faz.
3º – Eliminar do seu quadro todos aqueles que não conseguem se pagar, que não dão retorno. Pense, sempre será possível reduzir despesas com o seu pessoal indireto.
4º – Investir somente naquilo que irá trazer retornos, no máximo em médio prazo. Não queime suas reservas. Investir é muito bom, mas nesse momento somente com retorno certo e garantido. Ninguém deve investir aquilo que não tem.
5º – É hora de rever todos os contratos com prestadores de serviços.
6º – Não sangre sua Distribuidora em prol de vaidades e investimentos pessoais. Não é momento para isto! Em minha opinião teremos um período de “vacas magras” pela frente. Não abuse!
7º – Caso tenha que investir, invista na sua equipe de vendas e diversifique ao máximo sua área de atuação. Não foque somente um segmento de mercado, se possível atue em todas as frentes possíveis.
8º – Procure ganhar nos volumes e não somente na margem.
9º – Tenha uma política comercial para cada segmento, conforme já mencionei em minha última comunicação. Os mercados e os segmentos são diferentes e com percentuais de ganhos diferentes.
10º – Elimine o fútil e o supérfluo e procure fazer alguma reserva (poupança), se possível em moeda estrangeira, eu sugiro o dólar, pois ele vai se valorizar e muito! Não investir em imóveis, os preços vão desabar em curto e médio prazo.
É possível atravessarmos esta crise que está se desenhando e de fato já existe, porém é necessário muito estudo, planejamento e sabedoria para isto.
Uma ótima semana para todos e muita reflexão sobre o assunto,
Cordialmente,
José Pellegrino Neto
DIRETOR PRESIDENTE GRUPO NIPPON CHEMICAL
Rod
15 de agosto de 2014 3:06 pmVeracidade da carta
Caro Antônio,
Garanto com toda a certeza pela minha experiência profissional que a carta é falsa. Pra começar, um CEO nunca utilizaria esse tipo de linguagem para transmitir informações aos seus funcionários.
Nem em situações de crise um CEO poderia enviar uma carta a todos os seus funcionários com teor aterrorizador, com previsões intempestivas e muito menos com críticas pessoais ao governo. O papel do CEO é justamente o contrário; atenuar as previsões, preparar novas estratégias financeiras/organizacionais e manter os funcionários sempre com visão otimista para o futuro, mesmo sendo transparente com expectativas ruins do mercado. Com uma carta dessa, o CEO se expõe, reduz investimentos e provavelmente gera queda automática de ações. Os funcionários então ficam assustados, o que gera incerteza, dúvidas, angústia e etc. Se essa carta fosse realmente verdade, o primeiro papel do conselho seria a de retirá-lo imediatamente do cargo. Acredito que todos tem o direito de expor suas críticas políticas, mas utilizar de falsidade ideológica para absorver maiores eleitores (isso se torna óbvio, principalmente pq estamos época de eleição); é um papel sujo e desleal. Um abraço.
Everton Moraes
15 de agosto de 2014 5:31 pmVeracidade da Carta
Boa tarde!
Também recebi este documento e fiquei muito surpreso como é tratada a perspectiva do Brasil nos próximos anos, no entanto, quando me deparei com esta análise sugerindo a falsidade da carta fiz questão de ligar na empresa Empiricus que, como comentado na própria carta, foi quem escreveu o artigo original.
Segundo a empresa que me atendeu no dia 15 de agosto de 2014 esta carta é verdadeira e trata sim de uma comunicação enviada a fim de alertar não somente funcionário como também representantes.
Atenciosamente
Eng° Everton Moraes
Joaquim Bormann
10 de setembro de 2014 7:13 pmComunicado Nippon Chemical
Além do mais a linguagem é corriqueira demais para um CEO de tamanha empresa. A gramáitca também andou derrapando… Deve realmente ser falsa.
Renato Martel
17 de setembro de 2014 1:11 pmComo tem erros de português
Como tem erros de português nessa circular. Concordo com o comentário acima.
Certamente essa circular é falsa.
Renato