
O escritor Antonio Callado foi “o único inglês da vida real; o único inglês que Londres jamais vira”, segundo o dramturgo e cronista Nelson Rodrigues. Já o psicanalista e poeta Hélio Pellegrino dizia que o amigo Callado era um “doce radical”. Eduardo Portella, escreveu: “Em Antonio Callado, a firmeza jamais exclui a finura. O cronista firme e fino substitui, com evidente ganho, a cólera pela ironia, e mescla, com indiscutível propriedade, o efêmero e a memória.” Em 2000, a Academia Brasileira de Letras organizou uma exposição para uma homenagem ao escritor que abria com um texto de Clarisse Fukelman:
O escritor Antonio Callado foi cidadão de rara estirpe. Explorou todos os territórios da palavra: ficção, jornalismo, dramaturgia, crítica teatral, radialismo, tradução e magistério. Escrever era vital: “Acho que escrever é a idéia de sobreviver. Acho que é o duro desejo de durar”, dizia ele. Além disso, em toda sua trajetória de vida ele lutou pela liberdade e dignidade humanas e respeitou os diferentes grupos étnicos que compõem a cultura brasileira.
Como professor, Callado teve duas experiências no exterior. Em 1974 na Inglaterra, na Universidade de Cambride. As palestras que deu resultaram em um livro que a Editora José Olympio publicou em 2006, Censura e outros Problemas dos Escritores Latino-Americanos. A segunda vez foi em Nova York, na Universidade de Columbia, quando, em 1981, ministrou os cursos “Os Cinco Pilares da Literatura Brasileira (José de Alencar, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa e Clarice Lispector)” e “A Imprensa no Brasil.”
Sobre Alencar, é Ana Arruda Callado, viúva do escritor, quem nos conta: “Callado se demorou na análise do romance Senhora, para ele o mais importante daquele grande romancista, que nesse livro se aproximaria do Realismo. Mas lamentou que Alencar tivesse cedido ao Romantismo vigente, ao dar um final feliz ao casal protagonista. “É como se o Capitão Ahab ao final se casasse com a Moby Dick”, afirmou ele, arrancando gargalhadas dos alunos norte-americanos.”
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Fonte: Callado, A. A., Antonio Callado – cadeira 8 / ocupante 4, Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012, São Paulo.
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