13 de junho de 2026

Quem é o secretário demitido por Tarcísio em meio ao escândalo dos materiais didáticos

Coordenador pedagógico da Seduc, Renato Dias foi exonerado nesta quarta-feira (6). O secretário, Renato Feder, ganhou sobrevida
Governador Tarcísio Freitas e o secretario Renato Feder mantêm a Seduc no radar das empresas de educação, mesmo após demissão de número 2 da Seduc. Foto: Ascom/Governo de SP
Governador Tarcísio Freitas e o secretario Renato Feder mantêm a Seduc no radar das empresas de educação, mesmo após demissão de número 2 da Seduc. Foto: Ascom/Governo de SP

Renato Feder estava no Paraná, onde era secretário Estadual de Educação, quando foi chamado pelo governador recém-eleito Tarcísio Freitas (Republicanos) para assumir o mesmo posto no Estado de São Paulo, ao que aceitou de imediato. 

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O secretário trouxe consigo para a gestão um homem de confiança para ser coordenador pedagógico da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Renato Dias, que foi exonerado nesta quarta-feira (6) após a crise dos materiais didáticos produzidos pelo governo de Tarcísio de Freitas. 

Antes de assumir o cargo oferecido por Feder na Seduc-SP, Dias integrava a empresa Somos Educação, que possui como propósito “ser a primeira opção de parceria e a parceira integral de soluções educacionais e de gestão para as escolas de educação básica em nosso mercado-alvo”. 

A Somos Educação diz oferecer “um amplo portfólio de soluções educacionais, como sistemas de ensino, editoras, soluções de ensino complementar, além de uma tecnológica plataforma de aprendizado digital e de e-commerce, o que permite nos apresentarmos e nos oferecermos como o parceiro integral da escola”.

A empresa, que diz manter parcerias com 5.800 escolas, explica que todos os serviços oferecidos ocorrem por meio de plataforma tecnológica e multimarcas para a comercialização de materiais a serem utilizados sem a necessidade delas aderirem a uma construção própria de conteúdo ou a do próprio MEC.  

Queda de Dias, manutenção de Feder

Dias acabou sacrificado pelos oito meses de trapalhadas em série ao lado de Feder, tendo como evento inicial a decisão por não adotar os livros impressos do programa nacional de obras didáticas distribuídas pelo Ministério da Educação. A Justiça interveio e São Paulo voltou a adotar os livros didáticos. 

Ocorre que Feder achou um jeito de impor as apostilas impressas e virtuais, que substituiriam os livros do MEC, e mandou distribuir aos professores “este material didático próprio, alinhado ao currículo do estado”. Este “material didático próprio”, que seria comprado sem licitação, contudo, estava repleto de erros substanciais e categóricos.  

Nesta segunda-feira (4) nova decisão judicial ordenou a suspensão do uso e a revisão do material. Mais uma vez, a Justiça mandou a secretaria  ajustar o “material próprio” aos “padrões” do MEC. Constrangido, o governador Tarcísio cobrou Feder, que usou o seu coordenador pedagógico como escudo. 

São Paulo oferece outras prioridades para o secretário de Educação, pois enfrenta escassez de professores no Ensino Médio. Os estudantes chegam a ter, na prática, um dia de aula a menos por semana. O estado, que reúne 3,5 milhões de alunos e 210 mil docentes, está há nove anos sem concurso público.

Quem é Feder  

A educação surgiu na vida de Feder pela sua visão empresarial empregada como CEO da Multilaser, empresa de tecnologia da qual ainda é sócio. Ele chegou a trabalhar na rede de ensino estadual em 2017, como assessor técnico. 

Ligado ao ex-governador João Doria, Feder é um empresário que se diz de orientação liberal e deixou no Paraná um programa que entregou, desde o início deste ano, a administração de 27 escolas públicas para a iniciativa privada do setor educacional. 

Feder assumiu a pasta da educação no Paraná em 2019, por escolha de Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) e, no estado, promoveu uma das maiores ampliações de escolas cívico-militares do País, ao menos 195 escolas estaduais passaram a ter o modelo defendido por Jair Bolsonaro e seus apoiadores. 

“Ele traz para educação um modelo de gestão empresarial, onde um grupo muito pequeno tem a definição do que será implementado, e cabe aos demais cumprir o que foi estabelecido”, criticou ao UOL a presidente do sindicato dos professores do Paraná, Walkiria Olegário Mazeto.

O empresário da área da tecnologia também mostrou forte alinhamento com interesses de empresários e fundações educacionais. Estabeleceu contrato entre a secretaria de educação e a faculdade privada Unicesumar, que passou a oferecer teleaulas para os cursos de ensino médio profissionalizante. 

Equipe de transição 

Quando foi chamado para  estar na equipe de transição do governo Tarcísio, Feder trouxe o empresário Jair Ribeiro, criador da organização Parceiros da Educação, Filomena Siqueira, gerente de avaliação e material didático do Instituto Reúna, que trabalha na Base Nacional Comum Curricular. 

Além deles, integrou a equipe André Simmonds,  que está na Uber, e com passagem na Fundação Lemann. Da gestão de Feder na Seduc-PR, estavam Gustavo Garbosa, diretor de tecnologia e informação, e Vinicius Neiva, diretor geral da secretaria paranaense. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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