4 de junho de 2026

Stiglitz reafirma urgência na questão tributária brasileira

Em evento, Nobel de Economia afirma que país pode ser “duplamente prejudicado” diante de um cenário de instabilidade econômica global
Foto: Jérémy Barande / Ecole polytechnique Université Paris-Saclay - via Wikipedia

A aprovação da reforma tributária no Brasil é urgente não só por conta da piora dos prognósticos para a economia global, como também a transição verde para enfrentar as mudanças climáticas.

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A análise é do economista americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001 e professor da Universidade Columbia (EUA), durante evento realizado em Brasília.

Segundo ele, a Justiça Fiscal seria capaz de amenizar os efeitos negativos. “Se o Brasil não aprovar agora sua reforma, vocês serão duplamente prejudicados.”

O vencedor do Nobel de Economia ressaltou que o Brasil é a maior democracia entre os países emergentes, e seu papel nas questões climáticas globais “também dá a vocês (brasileiros) um papel importante na economia global”.

“Os países que oferecem serviços ecológicos devem ser compensados. Outro ponto é dar força aos movimentos globais em defesa dos direitos de povos indígenas. É curioso que a Europa e os EUA defendam o direito à terra, mas não falam nada quando são eles que roubam essa terra”.

Stiglitz também apontou a necessidade de a sociedade civil se manifestar “numa ação coletiva entre os cidadãos, de forma voluntária” a fim de contrabalançar os interesses dos super ricos em manter seus privilégios fiscais.

Tributação do consumo 

O secretário extraordinário da Reforma Tributária do governo Lula, Bernard Appy, explicou que o princípio da atual proposta é chegar a um sistema tributário mais justo e eficiente e explicou as razões de ter iniciado as mudanças pela tributação do consumo.

“As discussões sobre esse tema já estavam avançadas no Congresso Nacional, mas a razão principal de começar a reforma pelo setor de bens e serviços visa corrigir uma das maiores distorções existentes.”

Segundo Appy, o Brasil hoje tributa mais o consumo dos pobres do que o consumo dos ricos. Isso porque a população de menor renda adquire mais mercadorias, cuja carga de impostos é maior se comparada à de serviços – um setor que, por sua vez, é mais consumido por pessoas ricas.

“A reforma tributária busca reduzir essa distorção. Ela não vai eliminá-la totalmente, pois o Congresso fez algumas alterações no projeto, mas será capaz de reduzir um pouco essa desigualdade”, disse, ressaltando que o texto favorece os estados menos desenvolvidos do Brasil, o que vai gerar melhor justiça social ao País.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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