1 de julho de 2026

Bolsonarista declarado, terceiro réu dos atos gospistas também cumprirá 17 anos de pena

Justiça reuniu diversas provas contra Matheus Lazaro, que insistia em intervenção militar em mensagens no WhatsApp.
Crédito: Fellipe Sampaio/SCO/STF

O entregador e ex-militar Matheus Lima de Carvalho Lazaro, de 24 anos, foi o terceiro condenado nesta quinta-feira (14) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro. Paranaense de Apuracana, o jovem recebeu pena de 17 anos, sendo 15 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção.

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Lazaro responderá pelos crimes de dano qualificado, deterioração de patrimônio público tombado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa. Ele também terá de pagar 100 dias-multa, em que cada dia-multa equivale a um terço do salário mínimo (R$ 44 mil), além de dividir com os demais réus o ressarcimento aos danos materiais causados à União.

A defesa até tentou alegar inocência do réu, justificando que Matheus Lazaro assinou o depoimento prestado após a detenção sob coação, sem um acompanhamento de advogados. “Foi preso em estado de euforia, falando pelos cotovelos. Alguém tem provas do que ele quebrou?”, disse a advogada Larissa Claudia Lopes de Araújo.

Larissa também argumentou que o acusado portava um canivete, considerado pela Justiça uma arma branca, porque estava acampado no quartel general do Exército e que o canivete faz parte de kits de acompamento.

Nova afronta

Assim como o Erivaldir Júnior, advogado de defesa de Thiago Mathar, que ofendeu os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, Larissa Araújo também tentou descredibilizar o trabalho da Suprema Corte, cravando que os ministros não saberiam explicar os critérios que levaram Lazaro à prisão.

Diante da saia justa causada por ambos os defensores, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) chegou a enviar um ofício destinado ao relator da ação, Alexandre de Moraes, reafirmando a plena confiança no trabalho do STF.

Provas

Já que a defesa não tinha imagens do réu, Moraes exibiu o que chamou de “robusto conjunto probatório” contra Matheus Lazaro, que seria, aliás, o réu com o maior número de provas, muitas delas criadas por ele mesmo.

O relator iniciou o parecer ressaltando que todos os ministros têm estrita dedicação aos processos, “diferentemente da própria advogada, que perdeu o prazo das alegações finais”, mas que em respeito ao devido processo legal e direito à ampla defesa, determinou que a Defensoria Pública da União abrisse o prazo novamente para a apresentação da defesa.

Moraes derrubou a tese de que o réu foi coagido, pois na audiência de custódia, Lazaro afirmou ser bolsonarista e nacionalista e disse que participa ativamente de movimentos da extrema-direita.

Tanto é que, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Lazaro, que foi militar por um ano, ficou 30 dias acampado no quartel general de sua cidade, Apucarana, no Paraná, pedindo a intervenção militar.

Associação criminosa

“Não há nenhuma dúvida do robosto conjunto probatório. Aqui ficou mais assentuado ainda a associação criminosa. Esteve no batalhão da sua cidade, esteve na frente do QG do Exército, se alimentou e se juntou aos demais amigos. No caso dele, ele até confessa os outros três, que só isso já daria associação criminosa. Acompanhou a marcha até a Praça dos Três Poderes, invadiu o Congresso Nacional, em apoio às condutas depredatórias, confessou ter de quebrar tudo, tem que ter intervenção militar”, indicou o relator.

O ministro então exibiu os prints de conversas que Lazaro trocou com a mulher, que provam os reiterados pedidos de intervenção militar do golpista.

Crédito: Reprodução/ TV Justiça
Crédito: Reprodução/ TV Justiça
Crédito: Reprodução/ TV Justiça

Antes da leitura da sentença, a presidente do STF, Rosa Weber, reafirmou seu respeito pelos advogados, mas defendeu que os bacharéis apresentem na sustentação uma defesa técnica. “Compreendo quando a defesa não é técnica, mas é impregnada de emoção. Mas impregnada de emoção, como foi hoje, fortalecida por narrativas. Uma das narrativas foi prontamente desmentida no processo anterior [quando o ministro Luís Roberto Barroso desmentiu a tese de que eleição se toma. Confira aqui]. Não só em narrativa, mas no total desconhecimento do trabalho desempenhado por todos os ministros desta Corte.”

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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