A Universidade de Santo Amaro comunicou, nesta terça-feira (19), a expulsão dos alunos de medicina da instituição que exibiram as partes íntimas durante uma partida de vôlei feminino. No entanto, a punição não deve se restringir à expulsão dos infratores e deve ser levada para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do assédio na Câmara Municipal de São Paulo.
De acordo com o informe da Unisa, publicado no Instagram, a reitoria tomou conhecimento das imagens na manhã de 18 de setembro, classificando-as como “gravíssimas ocorrências”, o que levou à expulsão dos alunos identificados. Porém, a instituição não divulgou os nomes dos estudantes ou informou quantos sofreram tais punições.
Os vídeos foram gravados em maio, durante uma competição universitária realizada na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. Cerca de 20 alunos aparecem nas filmagens com as calças abaixadas, exibindo os órgãos sexuais, durante uma partida de vôlei feminino. Os infratores também correram pelados pela quadra e teriam praticado, supostamente, uma masturbação coletiva.
Os vídeos viralizaram no último fim de semana.
Punições mais severas
Durante congresso da Associação dos Jornalistas de Educação (Jeduca), em São Paulo, o ministro da Educação, Camilo Santana, repudiou o comportamento dos alunos da Unisa, considerou os atos como inaceitáveis e, além de cobrar medidas da universidade, defendeu penalidades mais severas.
“Não só importante a expulsão, mas também que os alunos possam responder legalmente aos fatos ocorridos. Não podemos imaginar um jovem estudante de medicina com esse tipo de atitude”, pontuou Camilo Santana.
Um inquérito para apurar o caso foi aberto na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos, mas a Secretaria de Segurança Pública (SSP) deve convocar a Unisa e a Secretaria Municipal de Esportes de São Carlos para prestar esclarecimentos.
CPI
Além de prestar justificativas às autoridades, a Unisa será tratada na CPI do Assédio. De acordo com a Bancada Feminista do PSOL, que entrou com o pedido nesta terça-feira (19), os vereadores vão apurar o caso na CPI do Assédio Sexual, que será instaurado na Câmara na próxima terça-feira (26).
A universidade terá de responder a este fato, mas também será alvo de investigação porque há registros de crimes sexuais e condutas misógenas praticadas na instituição desde 2009.
“Nas calouradas, as estudantes são constrangidas a tocar as partes íntimas dos veteranos e recebem manual de regras dizendo que não podem usar maquiagem ou roupas decotadas. Isso é crime e gera graves impactos na vida das estudantes. Se a instituição sabe e não faz nada, está sendo conivente, o que é muito grave”, aponta a covereadora Silvia, da Bancada Feminista.
A pedido do mandato coletivo do PSOL, o Ministério Público também deve investigar as denúncias.
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