Os Estados Unidos e a Europa tiveram uma surpresa desagradável na ONU quando muitos países não só se abstiveram nas votações que condenam a Rússia por invadir a Ucrânia, mas por terem se recusar a concordar com as sanções impostas ao país.
Tal posicionamento não significa que esses países concordam com a invasão russa – tanto que a última declaração do G20 rejeitou de forma explicita o uso da força em violação territorial -, mas que “esta é uma guerra europeia na qual (os países em questão) não têm qualquer interesse”, afirma a cientista italiana Nathalie Tocci, diretora executiva do Istituto Affari Internazionali – IAI.
Em artigo publicado no jornal britânico The Guardian, Nathalie Tocci ressalta que esses mesmos países “prefeririam que a guerra terminasse rapidamente, mesmo que não necessariamente de forma justa; e significa que não estão dispostos a pagar um preço para garantir o respeito pelo direito internacional”.
Ao participar de evento na Indonésia para discutir o tema reconstrução de pontes entre o norte e o sul global, a articulista afirma que o termo “Sul Global” tem aparecido com cada vez mais frequência nas reuniões no ocidente e também na própria região sul do planeta.
“O grupo é tão heterogêneo que levanta a questão de saber se faz algum sentido considerá-lo como tal. No entanto, estes países partilham a sensação de que as suas vozes independentes devem ser ouvidas em vez de serem moldadas ou determinadas pelo Ocidente”, diz a cientista política.
Além disso, a articulista lembra que os países do chamado Sul Global estão aumentando seu posicionamento por meio da diplomacia, de relações transacionais e do “multi-alinhamento” em organizações diversas, e que esses países terão um papel cada vez mais decisivo no processo de descarbonização da economia global.
Fábio de Oliveira Ribeiro
23 de setembro de 2023 6:46 amA França de Napoleão dependia fundamentalmente de três coisas: vitórias militares reconhecidas por acordos de paz; conquistas territoriais e; a constante pilhagem dos países militarmente ocupados. O sistema de poder nacional e imperial napoleônico entrou em colapso por causa da imensa derrota sofrida na Rússia. O neoliberalismo depende de duas coisas: a contínua incorporação de novos territórios, recursos naturais e humanos ao sistema econômico privado transnacional que permite, mediante a financialização econômica, a perpetuação da extração crescente de lucros financeiros e; a ausência de qualquer resistência nacional e internacional ao modelo neoliberal. O sistema de esvaziamento do poder nacional neoliberal também está sendo derrotado pela Rússia.
A vitória do Kremlin sobre La Grande Armée não provocou a russificação da Europa. A derrota da Ucrania não levará à russificação dos EUA ou da economia mundial, mas me parece evidente que o neoliberalismo começará a ser desafiado política é eleitoralmente nos países democráticos. É exatamente isso que os banqueiros e rentistas temem. A guerra até o último ucraniano é para eles apenas uma continuação dos lucros financeiros fáceis não tributados por outros meios.
josé Oliveira de Araújo
23 de setembro de 2023 8:44 amFaço duas perguntas para os que de forma simplista. isto é, sem uma análise criteriosa, condenam de pronto a Russia. Primeira: Podemos considerar a OTAN uma aliança apenas defensiva? As intervenções da OTAN no Egito, Síria, Sérvia, Líbia, Afeganistão etc. provam que não. Além do mais, nenhum país da OTAN sofreu invasão do seu território e vários deles fazem fronteira com a Russia. Portanto, o cerco crescente da OTAN à Russia que culminária com a entrada da Ucrânia, cuja fronteira com Russia constiui a mais perigosa para a segurança da mesma independentemente de quem seja seu mandtário. Segunda: Se o México, hipoteticamente, fizesse um acordo com a China ou Russia para implantação de uma base de foguetes, os EUA, aceitariam pacificamente tal acôrdo? Pela resposta dos EUA em 1962 no caso de Cuba, a resposta é não! Lembrem-se que os EUA patrocianram em 1961 a fracassada invasão da Bahia dos Porcos em Cuba.Portanto, os cubanos tinham motivos para a instalação da base de foguetes. É importante ressaltar, que é efetivamente do ponto de vista do direito internacional, tanto a Russía como os países da OTAN desobedeceram as leis internacionais. Ou seja não tem santo nessa história.
José de Almeida Bispo
24 de setembro de 2023 9:29 pmDesde que há 3.250 anos o europeu ocidental aprendeu a tomar à força o suor alheio, nas cidades-estados da Era do Bronze (fim de, entre outras, de Armagedon), e ferindo mortalmente a soberba civilização do Egito que não dá pra confiar. A OTAN é uma força literalmente de assalto. De assaltantes. O resto é hipocrisia e propaganda.