4 de junho de 2026

O direito à comunicação e o caso da Mídia Periférica

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Enviado por Assis Ribeiro

Do Muda Mais

Mídia Periférica e direito à comunicação

Mídia Periférica  nasceu em 2010, na comunidade Sussuarana, em Salvador. O trabalho começou a partir do projeto Promovendo o Direito de Jovens, que levou para a comunidade várias oficinas, entre elas a de educomunicação: rádio, grafite, dança e produção de audiovisual. A ideia inicial do Mídia Periférica era apresentar um olhar da comunidade a partir de quem está dentro dela.

Enderson Araújo é o criador do projeto. Ele contou ao Muda Mais que depois de conhecer as possibilidades da internet, começou a pensar na comunicação como direito humano. Ele percebeu que a mídia tradicional mostrava uma realidade diferente da que existia na sua comunidade e percebeu que poderia ser um agente da democratização da informação. Afinal, eles tinham algo a mais para mostrar.

O início foi meio conturbado, já que os participantes tinham uma visão bastante imediatista, buscando resultado instantâneos, como lembra Enderson. Não conseguiam imaginar que, depois de quatro anos, aquele sonho ganharia um nome e um reconhecimento tal qual o projeto tem hoje. Enderson conta que se inspirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “O Lula nos ensinou como ser sonhador e não imediatista, o Lula não desistiu na primeira derrota”. Ele foi criado apenas pela mãe e agradece ao Bolsa Família pelo que é hoje.

Ele lembra que no início sua avó não acreditava no projeto, mas hoje afirma preferir “que ele continue onde está; ele não está mudando só por ele, está mudando por uma comunidade”. Para Enderson, essa é a maior recompensa. Com apenas alguns apoiadores, o retorno financeiro não é muito grande, mas vai além disso, já que garante a eles conhecimento e aprendizado únicos. Sem contar do orgulho em representar sua comunidade e mostrar que ela possui aspectos muito positivos.

Na divulgação do projeto, as redes sociais são bastante usadas, mas, como na comunidade onde ele mora não há acesso tão disseminado de internet, a forma mais fácil de chegar a todos é por um jornal impresso. Com uma edição simples, ele permite que todos tomem conhecimento do que acontece ao redor. A notícia consegue rodar e chegar a um número maior de pessoas.

Um destaque no trabalho do Mídia Periférica são os cartões postais que retratam a realidade local. Enquanto quando se fala de Salvador, os postais são sempre de pontos turísticos tradicionais da cidade baiana, nos postais do Mídia as fotos são feitas pelos próprios moradores, a partir de suas janelas. É de lá que sai toda a inspiração para que eles sigam mostrando que a comunidade onde vivem não possui só coisas negativas, ela tem tudo para formar jovens que não desistem de seus sonhos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. altamiro souza

    25 de julho de 2014 12:52 am

    o sucesso desse tipo de

    o sucesso desse tipo de iniciativa provoca uma pergunta: por que os movimentos sociais não desdobram essas iniciativas no apís?

    outra: por que não existe no ensino brasileiro uma cadeira-matéria sobre a mídia?  –

    isso permitiria a interpretação não só dos textos midáticos mas também da semiótica envolvida nesse tipo de comunicação,,,

    numa década a mídia estaria desmascarada por gerações e gerações e teria de mudar certamente para melhor….

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