
Por Francy Lisboa
Comentário ao post “Brasil 2015: a importância da comunicação pública“
Nassif, muito bom, Concordo quando diz que é preciso o Governo ser mais didático. Meu maior temor é com a falta de disposição das pessoas em aceditar. A má vontade já está disseminada. A retórica de que tudo que o Governo fala é propaganda eleitoral faz as pessoas acharem que nada está sendo feito. A falta de uma visão mais contextualizada está intimamente ligada com a nossa natureza “xiquilenta”. De não ser pragmático e tentar extremar tudo o quanto possível. Isso é um mal difícil de ser vencido quando não se tem boa fé
Por exemplo. O que leva uma pessoa a acreditar que é culpa da Dilma a morte por omissão de socorro em um hospital do Rio de Janeiro? Simples, a má vontade e a indução jornalistíca. Boechat esses dias disse que os médicos omitiram socorro e que isso era culpa de Dilma Roussef. Olha, sinceramente. Se as pessoas nao prestam atenção nesse nível de manipulação simplesmente porque preferem os odiadores do odiado, nao há comunicação didática que dê jeito.
É preciso que no mínimo haja cetismo em tudo e não apenas no que o Governo diz. Diria eu que isso se trata de criar um ambiente zero. Aquilo que vai permitir que a partir da descreça generalizada, e não assimétrica como se tem hoje, possa ter vida a proposta da didática para informar a população. Por enquanto, não vejo esse tempo zero, muito pelo contrário. Qualquer medida governamental é reduzida a eleitoreira.
Qualquer ação de política externa é vista pela retórica sessentista de que o PT está queendo implementar o Bolivarianismo no Brasil. Isso não se cura com mais didática, Nassif. Por outro lado, esse comportamento nem pode ser chamado de ideologia definida, afinal, há uma miríade de valores que abraçam tanto aspectos de Direita quanto de esquerda. É apenas reclamar. É demandar santos. E querer que homens públicos sigam as regras, mas não fazer o mesmo. É dizer que o “exemplo” tem que vir de cima, como se o Estado não fosse pessoas e pessoas não fossem o próprio Estado.
A falta de pragmatismo talvez seja uma das coisas que mais afetam o brasileiro de uma forma geral. A sua sensibilidade a denúncias reverberadas, seja com relação a qualquer político, mostra que ele não pensa nas consequências de seu voto. Se não pensa é porque nao dá valor ao seu voto. Daí das duas uma, ou o brasileiro em sua maioria não gosta de Democracia, ou está desiludido com a política. A última pode parecer fácil de entender dizendo que os políticos no Brasil são péssimos, etc. Mas e nós? Não somos ruins também? Os políticos nao vieram de marte.
Nesse diapasão onde tudo de ruim é facilmente assimilado pela população como sendo derivado da Sra Dilma Vanna Rousseff, é que vemos Governador que, mesmo inaugurando utilização de água lodosa para dar a população, mesmo com provas de desvios de bilhões do transporte publico, ser reeleito em primeiro turno.
Assis Ribeiro
22 de julho de 2014 2:52 pmFrancy, excelente
Faço uma única discordância ao texto quando você usa o termo pragmático. Digo que é o excesso de pragmatismo que faz com que o consumidor da grande mídia seja averso à refletir. Para esse leitor, o valor prático (do pragmatismo) como critério da verdade é, por eles, encontrado de forma mastigada pelo que diz a mídia.
Tudo o mais assino embaixo.
Francy Lisboa
22 de julho de 2014 3:13 pmAssis, entendo o que diz. mas
Assis, entendo o que diz. mas o que quero dizer eh que o pragmatismo eh o avesso do nosso “xiliquentismo”, digamos. O nosso xiliquentismo nos faz muito nao pragmaticos e nos torna muito susceptiveis a qualquer compra de tapioca com cartao governamental. Somos, no fim, muito a flor da pele e acredito que isso tambem contribui para fazer boa parte dos brasileiros ainda bem maipulados pela midia.
Assis, eh duro, mas eu vejo gente jogar a culpa no Governo por seus fracassos pessoais. Isso eh acima de tudo um traco horrendo do latino e nao soh do brasileiro, culpar os outros sem reflexao? A “xiliques ” tambem tem a ver com isso. Dai fica facil gente acreditar em Bolivarianismo. Nesse sentido de pragmatismo que eu me refiro. Eh claro que o que vc chama de pragmatismo eu tambem defenestro. Mas, pense, eu acho que o eleitor que odeia Dilma e o PT nao eh pragmatico jah que a renda de todos subiu e o pais de fato nao eh esse caos que pintam. Eu discordo e acho que eh mais xiliques do que pragmatismo.
Por exemplo, como explicar um medio empresa de classe media paulistana que vende como se estivesse vendendo agua no meio do saara dizer que esse Governo eh uma merda “estimulando o consumo”. Existe exemplos de grandes empresarios que reclamam a “priorizacao do consumo”. Como pode? Se eh o consumidor o final de toda a cadeia? E mais, como pode alguem dizer que o governo eh “comunista”? Assis, esse pessoal nao eh pragmatico, eles sao xiliquentos, nao tem ideologia, soh apenas reclamoes de barriga cheia.
Arthemísia
22 de julho de 2014 2:54 pmIndico um livro muito bom que
Indico um livro muito bom que entende essa má vontade como desconfiança. O autor é Pierre Rosanvallon, e o livro é La Contrademocracia – La politica en la era de la desconfianza. Creio que não tem em português.
Augusto Mermorai
22 de julho de 2014 3:33 pmDesculpe …mas não
Tem como alguem escrever algum texto que não contenha essas afrontes tipo
Coxinha
nossa natureza “xiquilenta”
Orra meu, sreá tão dificil assim??
Francy Lisboa
22 de julho de 2014 5:53 pmÔ unitão, eu não especifiquei
Ô unitão, eu não especifiquei ninguém ao dizer xiquilenta. Se vc está se doendo…me desculpe por seu xilique.
Ugo
22 de julho de 2014 5:56 pmtá desculpado,
…mas petralha pode?
Quintela
22 de julho de 2014 10:31 pmEntendi o que o Augisto quer
Entendi o que o Augusto quis dizer, mas o texto não é uma publicação “oficial” é apenas a opinião pessoal de um leitor.
Augusto Mermorai
22 de julho de 2014 3:36 pmAlterando seu texto
….é que vemos a Presidenta que, mesmo não explicando bilhoes em gastos indevidos para a população, mesmo com provas de desvios de bilhões em obras públicas, ser candidata a reeleição….
jura
22 de julho de 2014 4:02 pmComunicação boa foi a do nazismo
“A retórica de que tudo que o Governo fala é propaganda eleitoral faz as pessoas acharem que nada está sendo feito.”
O governo gasta um fortuna de dinheiro público em comunicação – sem necessidade nem eficiência – apenas para contrabalançar os ataques que sofre incessantemente da imprensa que ele mesmo financia.
Gasta duas vezes, anunciando e produzindo um excesso de propaganda oficial e comunicação institucional que nunca vai conseguir competir com os meios de comunicação, que são muito maiores, melhor equipados e dedicados exclusivamente a isso.
É como enfrentar os bombardeios do exército israelense com os foguetinhos de Gaza.
Isso não funciona e quem paga a conta somos nós, também duplamente: entregamos o cheque e ficamos sem a informação adequada.
O que é preciso é regulamentar a imprensa e o governo para que nenhum dos dois peque por excesso de propaganda oficial nem de partidarismo extraoficial.
Nenhuma democracia do mundo tem governos que fazem tanta propaganda de si mesmos e imprensa tão partidária e descontrolada quanto o Brasil. Nem os EUA, a pátria do marketing político. Ninguém nunca viu “logo de governo” por lá.
Aliás, as restrições à propaganda governamental durante o “período eleitoral” demonstraram o quanto ela é inútil. Os sites de serviços públicos ficaram até melhores, mais limpos e objetivos.
Quanto custa manter todo esse aparato e a quem ele serve? Algum candidato já se elegeu por causa disso? Provas.
O logo de governo mais famoso e a propaganda de governo mais eficiente que já apareceram foram a suástica e o nazismo. Alguém está com saudades deles?
É isso
22 de julho de 2014 5:19 pmO governo deveria fazer o que
O governo deveria fazer o que diz a a lei: todo tipo de mídia é concessão pública e do mesmo jeito que ambulância não paga pedágio, nem governo e nenhum ente público deveria precisar gastar um centavo com mídia, era obrigada publicar tudo que fosse do interesse público. E assim, os bilhões que se gastam todo ano para sustentar uma casta de mídia poderia ir para a mesa dos miseráveis.
Flavio Martinho
22 de julho de 2014 4:04 pmÉ impressionante como nossos
É impressionante como nossos jornalistas só leem esses jornalões e essas revistonas. A Maria Gabriela estava entrevistando a dona da Magazine Luisa e, sem mais, começou a dizer que os juros estavam altissimos, que a inandimplencia das familias estava alta e disparando, que todos estavam envidados alem da conta, etc. etc. Precisou da interferencia da entrevistada para INFORMAR corretamente à jornalista que ela estava desinformada. E a Marilia não disse mais um pio e mudou de assunto. Incrivel é que a jornalista parece que acredita nessas baboseiras, inverdades e mentiras que os jornalões e revistonas publicam. Gostei porque foi um cala-boca incrível e partiu de quem vive a economia no dia-a-dia e não porque ouviu dizer.
Chris
22 de julho de 2014 7:59 pmVamos à raiz?
O que torna o público uma presa fácil da manipulação midiática?
Carência de capacidade de reflexão ! Como se estimula/induz a capacidade de reflexão ? Através da educação , que pode vir da família , do meio social ou da escola. Existe alguma política no sentido de promover a qualidade do ensino, que estimule a conscientização da cidadania , explique o papel das instituições , como funcionam as concessões , etc e tal?
A ignorância é o trunfo dos manipuladores! E o governo naõ se mexe para mudar isso… acho que não cansou de apanhar
johnnygo
22 de julho de 2014 8:36 pmO mimimi carente dos reclamentos tiriricas
Também sinto um mimimi crescente nas pessoas. A internet parece o Muro das Lamentações. Talvez haja nisso uma crença de que o poder público possa resolver todos os males do mundo. Essa crença é reforçada em época de eleição, fazendo recair o peso de todo o poder público sobre as costas da presidenta. Oportuno isso. Parece até que não existe um tecido institucional, que não existem esferas de governo. Assim, temos um bando de reclamentos mimados e, principalmente, sem foco.
Se alguém chama um reclamento mimado de coxinha, o reclamento mimado reclama como se isso fosse a maior das ofensas. Reclama de um termo que eu considero até carinhoso, utilizado com delicadeza para encobrir uma coisa bem mais grave. Há alguns anos, a gente chamava de fascista na lata. Hoje, antes de chamar uma pessoa de fascista, a gente pensa um pouco mais. A turma anda “xiliquenta” e violenta, isso vira até samba.
Aplicamos de vez em quando o termo “coxinha”, mas ainda assim os xiliquentos ficam tiriricas. Tenho evitado chamar alguém de coxinha, por uma questão tática: tem gente que é coxinha útil, ou seja, não é um coxinha autêntico. Pode ser que os coxinhas úteis, um aqui e outro acolá, tenham salvação. Se lhes dermos algum carinho e atenção nessa sociedade cada vez mais carente, talvez eles façam algum esforço para ver os dois lados da moeda e melhorem o foco de suas queixas. É claro que há situações em que não resisto em chamar um autêntico coxinha de… coxinha.
altamiro souza
22 de julho de 2014 8:41 pmgostei dos exemplos das
gostei dos exemplos das distorções midiáticas…deve haver um caminhão de lixo delas….
IV AVATAR
23 de julho de 2014 3:41 amO lixo no carrinho do supermercado
Aqui no sul do MA fico observando os meus parentes repetindo o blábláblá do imprensalão sem o menor senso critico, ai o que vc ouve é coisas tipo “o PT é comunista, bolivariano, alinhado a Hugo Chavez, Moralles e Cristina”, ai vai lá eu tendo que ser mesmo didático para fazê-los entender que nesses paises há eleições, que a vida do povão melhorou, que a própria vida de nossos familiares melhorou, que viajam de avião prá lá e prá cá. O papo continua e ae eles entram com a alegação de que Lula quer controlar a imprensa, ai sinto aquele cansaço e, mais uma vez tenho que ter paciência para fazê-los entender que o monopólio da informação não é exercido por Lula e sim por Globos, Vejas, Folhas e Estadões, que formam uma espécie de partido único da imprensa a calar e caçar a laço inocentes. E hoje à tarde, ao passar no caixa do supermercado, em Balsas, sul do MA, pego meu sobrinho, advogado recém-formado, colocando uma Veja no carrinho de compras e ai não aguento: Por favor, lixo não. Ai ele rebate com a história segundo a qual foi Putin que mandou derrubar o avião. Olho a revista e vejo que é isso que está na Capa. Ai vai la eu dizer que numa guerra a primeira vítima é a verdade dos fatos. Pelo menos essa grana a Veja não conseguiu levar, menos um lixo na casa dos meus parentes: A revista ficou na prateleira do supermercado. Ufa!