4 de junho de 2026

Secretário-geral da ONU se diz horrorizado com ataque ao hospital em Gaza

Guterres ressaltou, em sua mensagem no Twitter, que os hospitais e todo o pessoal médico estão protegidos pelo direito internacional.
Foto: UNICEF
Foto: UNICEF

António Guterres, secretário-geral da ONU, declarou-se horrorizado com o cruel ataque ao hospital em Gaza, na terça-feira, onde centenas de civis morreram. O representante da ONU condenou enfaticamente o ataque, dizendo que o seu coração está com as famílias dos que morreram.

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Todos se culpam, ninguém assume ter comandando o ataque. O Ministério da Saúde do lado controlado pelo Hamas culpa os militares de Israel pelo ataque aéreo que atingiu o Hospital Árabe al-Ahli de Gaza.

As Forças de Defesa de Israel declararam que, de acordo com suas informações de inteligência, os mísseis disparados por militantes da Jihad Islâmica contra Israel foram os responsáveis, tendo se desviado do curso.

Guterres ressaltou, em sua mensagem no Twitter, que os hospitais e todo o pessoal médico estão protegidos pelo direito internacional.

O secretário-geral da ONU também condenou o ataque a uma escola administrada pela agência da ONU que ajuda os refugiados palestinos, a UNRWA, que matou pelo menos seis pessoas e o descreveu como ‘totalmente inaceitável’.

“Ainda não sabemos a dimensão total desta carnificina, mas o que está claro é que a violência e os assassinatos devem parar imediatamente”, afirmou o Alto Comissário Volker Türk.

Civis deslocados estariam supostamente buscando abrigo no hospital, seguindo a ordem de Israel de evacuar para o sul antes do que se espera ser um ataque terrestre.

“ A OMS condena veementemente o ataque”, escreveu o chefe da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa publicação na plataforma de redes sociais X, antigo Twitter. 

“Apelamos à proteção imediata dos civis e dos cuidados de saúde e à reversão das ordens de evacuação”, acrescentou. 

O chefe dos direitos humanos, Türk, disse que os hospitais são sacrossantos e devem ser protegidos a todo custo, acrescentando que “os responsáveis ​​​​devem ser responsabilizados”.

Na noite de terça-feira, em Nova Iorque, os Emirados Árabes Unidos disseram que, juntamente com a Rússia, convocaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre a Palestina, incluindo o ataque ao hospital na Cidade de Gaza. 

Ordem de evacuação

O Hospital Árabe Al-Ahli estava em funcionamento, com pacientes, profissionais de saúde e cuidadores, além de pessoas deslocadas internamente que estavam abrigadas lá, disse a OMS.

Foi um dos 20 hospitais no norte da Faixa de Gaza que receberam ordens de evacuação dos militares israelenses.

“A ordem de evacuação foi impossível de ser executada dada a atual insegurança, o estado crítico de muitos pacientes e a falta de ambulâncias, pessoal, capacidade de leitos do sistema de saúde e abrigo alternativo para os deslocados”, disse a OMS.

A agência da ONU apelou à protecção ativa imediata dos civis e dos cuidados de saúde. “As ordens de evacuação devem ser revertidas. O direito humanitário internacional deve ser respeitado, o que significa que os cuidados de saúde devem ser ativamente protegidos e nunca visados”.

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) também recorreu às redes sociais para condenar o ataque.

“Os ataques a civis e a infraestruturas civis devem cessar e as instalações de saúde nunca devem ser um alvo”, publicou a agência de saúde reprodutiva e sexual da ONU no X.

Foram mais de 115 ataques a locais de cuidados de saúde em todo o Território Palestino Ocupado desde o início do conflito, em 7 de outubro, desencadeados pela incursão sangrenta do Hamas no sul de Israel.

Destes, 51 ocorreram na Faixa de Gaza, com 15 profissionais de saúde mortos e 27 feridos, disse Hyo-Jeong Ki, líder da Iniciativa de Cuidados de Saúde da OMS. Os demais ocorreram na Cisjordânia.

Hospitais não oferecem segurança

Gaza tem uma população de mais de dois milhões e a crise deslocou cerca de 600 mil pessoas. Muitos procuraram segurança em hospitais que já estão sobrecarregados com o aumento de vítimas e mortes, e à medida que o combustível e os suprimentos médicos diminuem.

O Dr. Richard Peeperkorn, Representante da OMS no Território Palestino Ocupado, destacou o dilema enfrentado pelas pessoas em fuga.

“Eles vão a esses hospitais porque esperam que sejam lugares seguros. Agora, até um hospital não é mais um lugar seguro, o que é?” ele se perguntou.

Suprimentos acabando

Alimentos, água, medicamentos essenciais e suprimentos de saúde estão acabando em Gaza. Dos 35 hospitais locais, quatro não estão funcionando devido a graves danos e ataques, disse ele. Além disso, apenas oito dos 22 centros de cuidados de saúde primários da UNRWA estavam parcialmente funcionais.

O Dr. Peeperkorn relatou que todos os hospitais, especialmente os maiores, estão com escassez de suprimentos e medicamentos essenciais, inclusive para o tratamento de doenças não transmissíveis, como a diabetes. Os bancos de sangue só têm mais uma semana de abastecimento.

“Além de todos os medicamentos essenciais, também temos que pensar em coisas simples – materiais de limpeza, materiais de higiene – para evitar infecções”, acrescentou. “Já agora nos hospitais, nos principais hospitais, eles veem muitas infecções, pacientes infectados, por causa disso.”

Fronteira

Entretanto, caminhões que transportam ajuda vital permanecem alinhados na passagem de Rafah, a única passagem fronteiriça entre Gaza e o Egito. O Dr. Richard Brennan, Diretor Regional de Emergências da OMS no Mediterrâneo Oriental, descreveu a situação como “extremamente frustrante”.

“Há muitas dinâmicas diferentes acontecendo, nós entendemos. Francamente, há muitas acusações sobre isso, e também sabemos que há muita diplomacia”, disse ele.

“Altos funcionários da ONU chegarão esta noite ao Cairo e amanhã, e espero que sejam capazes de negociar com todas as partes relevantes para iniciar a abertura o mais rápido possível.”

Pare a violência

O Dr. Mike Ryan, Diretor de Emergências da OMS, descartou ajuda transportada por via aérea para Gaza, pois o volume de ajuda que pode ser entregue por via aérea é muito inferior ao que pode ser entregue por via terrestre, especialmente porque cerca de dois milhões de pessoas em Gaza estão necessitadas.

O Dr. Ryan disse que a passagem de Rafah é a forma mais simples, segura e eficaz de levar ajuda para Gaza.

“E não é apenas a travessia de Rafah: é o que acontece do outro lado dessa travessia”, acrescentou, destacando a necessidade de acesso seguro aos hospitais e às pessoas.

“Não se trata apenas de abrir ou fechar o portão na fronteira. Isso exigirá uma diplomacia de muito, muito alto nível entre vários países”, disse ele.

“A violência tem de parar, os bombardeamentos têm de parar e temos de levar assistência ao povo de Gaza. E isso tem de acontecer agora, tem de acontecer esta noite, tem de acontecer amanhã de manhã. Simplesmente não pode esperar.” 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    18 de outubro de 2023 8:24 am

    E quem não está horrorizado com a carnificina perpetrada no Oriente Médio? Todos estamos e não apenas a Autoridade suprema da Onu. E aí, vai ficar por isso mesmo?

  2. Rui Ribeiro

    18 de outubro de 2023 8:30 am

    Usrael massacra o encurralado, amontoado e indefeso Heróico Povo Palestino aos olhos indiferentes do mundo.

  3. Rui Ribeiro

    18 de outubro de 2023 10:23 am

    A Autoridade Suprema da Onu tá horrorizada. Ora, quem não está horrorizado? Vai ficar por isso mesmo?

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