4 de junho de 2026

O erro de achar que a água cai do céu!, por Dal Marcondes

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O erro de achar que a água cai do céu!

por Dal Marcondes

 
shutterstock energia O erro de achar que a água cai do céu!

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O debate eleitoreiro em torno da água não vai resolver o assunto e pode levar à opção do “quanto pior, melhor”, em detrimento do bem estar de 20 milhões de pessoas no Sudeste.

A água não é política, água é um direito social e um insumo econômico de primeira necessidade. Muitos negócios somente são possíveis porque há água disponível. Até bem pouco tempo quando se falava em seca, principalmente na mídia, era quase sempre na região conhecida como semiárido nordestino, no Sul Maravilha a questão da água sempre foi tratada como um problema de gestão e de engenharia. Pouco se fala da necessidade de se “produzir água”, e isso não é um problema de engenharia, mas de gestão de recursos naturais.

Os órgãos especializados na gestão de água e mananciais no Brasil, como a Agência Nacional de Águas e diversas universidades vêm alertando há alguns anos que a gestão de água no Brasil é casual, não é integrada e não tem uma relação direta com a questão fundamental da produção da água. O tema, aliás, é tratado por muitos engenheiros com certo desdém, sob o argumento de que “não é possível produzir água”, afinal, ela cai do céu. No entanto, o cuidado com rios e mananciais é fundamental para que as empresas de captação e tratamento possam ter disponível água de boa qualidade.

E mesmo a questão do “cair do céu” requer alguma atenção especial, pois a água não é gerada no céu, verdadeiros rios aéreos circulam em torno do planeta e, no Brasil especialmente, trazem água do Caribe, reciclam sobre a Amazônia, chovem sobre o Pantanal e irrigam as lavouras e as cidades do Sul/Sudeste. Há excelentes trabalhos realizados pelo cientista Antônio Nobre, do INPE –Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – e do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – que mostram essa dinâmica em detalhes e porque se corre o risco de transformar o clima da região de maior PIB do país em um deserto.

O tema produção de água esteve presente na discussão do Código Florestal, aprovado em 2012, quando a redução das áreas de proteção às margens de cursos d’água foi colocada como fator fundamental para o aumento de produtividade nas propriedades rurais.  Nessa época a discussão ficou centrada em pode ou não pode, não se colocou de forma incisiva a necessidade do pagamento por serviços ambientais que essas áreas prestam à economia e à sociedade brasileira. Venceu o interesse individual. Essas áreas deveriam ter sido tratadas como “produtoras de água” e, portanto, remuneradas por isso.

Os mananciais mais prejudicados pela seca intensa que assola algumas regiões do Brasil estão em São Paulo, onde há, ainda, a maior demanda pelo recurso, seja no campo ou na cidade. A questão tem sido tratada de forma partidária, principalmente pelo medo do atual governador candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, de um provável racionamento de água ser utilizado na campanha, o que vai acontecer com certeza absoluta. Deveríamos ir além dessa partidarização rasteira e analisar as propostas concretas para a superação do problema em longo prazo.

Há algumas questões estruturais quando o tema é produção de água. A primeira é entender que apesar de não se poder construir um “fábrica de água”, é possível criar condições favoráveis para que o ciclo vital da água se realize de forma mais intensa. Para isso é preciso recuperar e preservar áreas de nascentes e proteger os cursos d’água com a ampliação da cobertura florestal em suas margens o máximo possível.

Outra questão importante é entender que parte da “função social” da terra é preservar os serviços ambientais por ela prestados. Assim, os proprietários e produtores rurais devem fazer parte de uma grande rede de produtores de água, capacitados, com tecnologia, assistência técnica e os recursos necessários para a identificação de nascentes e cursos d’água eventualmente secos pela derrubada da mata e implantação de plantios ou pastagens, e a realização das ações necessárias para a recuperação e preservação dessas fontes de água.

Produtores rurais também devem ser apoiados em ações que ajudem a proteger os mananciais em sua propriedade ou adjacentes da contaminação por qualquer tipo de produto químico utilizado nas lavouras ou com os animais. Esses produtos quando levados aos rios são contaminantes de alto impacto para a biodiversidade e torna o tratamento da água mais caro.

Bom, mas como fazer com que essa rede de fato funcione? Isso não é uma novidade, o pagamento por serviços ambientais, já bastante conhecido pela sigla PSA, é um tema em discussão há muito tempo e já aplicado com sucesso em diversas modalidades, inclusive na produção de água.  Mas é preciso uma Política de Estado para que ele seja visto como um investimento fundamental para a segurança hídrica do país. E no caso específico da região Sudeste, uma política universal instituída no sistema de coleta, tratamento e distribuição de água.

Obras de engenharia podem ajudar a gestão da água pontualmente. Um levantamento da Agência Nacional de Água (ANA), ainda em 2010, apontou que o problema do abastecimento é generalizado pelo País. Dos 5.565 municípios brasileiros, mais da metade terão problemas de abastecimento até 2015. E para tentar adiar o problema por ao menos uma década será preciso desembolsar 22 bilhões de reais em obras de infraestrutura, construção de sistemas de distribuição, novas estações de tratamento e manutenção de redes muito antigas, que perdem mais de 30% da água tratada antes de chegar à casa dos clientes. Nesse valor não estão incluídos os recursos necessários para resolver o problema do saneamento básico, com a construção de sistemas de coleta de esgoto e estações de tratamento, de forma a proteger os mananciais onde se faz a captação para consumo humano. Para isso, segundo a ANA, serão necessários outros 47,8 bilhões de reais.

O abastecimento das duas principais regiões metropolitanas do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, está ameaçado por conta da superutilização dos mananciais, já bastante poluídos e degradados por conta da falta de uma visão mais sistêmica, onde a preservação e a gestão devem caminhar de mãos dadas. O sistema Cantareira tornou-se o vilão da hora para a mídia, mas não é o único e talvez nem seja o principal. O sistema do Paraíba do Sul, que alimenta o Vale do Paraíba e o Rio de Janeiro também não suporta mais sua carga, com águas poluídas e margens devastadas.

O fato de não chover de forma regular em grande parte do Brasil, e levar ao colapso sistemas de abastecimento, não significa que exista menos água circulando pelo país. Acredita-se que a quantidade de água que circula sobre o país seja basicamente a mesma de sempre, no entanto, os desequilíbrios existentes nos ecossistemas faz com que o regime de chuvas seja errático, por isso grandes enchentes em algumas regiões da Amazônia, onde choveu a água que deveria ter caído mais ao Sul, e no Sul do país, onde a chuva caiu antes de chegar à região Sudeste e sobrecarregou os rios locais.

As políticas de gestão de recursos hídricos devem tomar vulto nas próximas eleições em São Paulo, é preciso ir além das acusações e discutir os modelos. Visão de gestão que inclua a recuperação ambiental dos rios e mananciais do Estado, modelo de operação das empresas concessionárias que disputam entre si para obter vantagens em captação e não se responsabilizam de fato pelos investimentos necessários emtratamento de esgotos e por ai vai.

No momento a crise hídrica paulista está em seu ponto alto, mas vai voltar a chover. Pode-se esquecer do assunto atéa próxima seca (que virá com toda a certeza) ou trabalhar para recuperar a capacidade de produção de água dos biomas regionais e nacionais e manter os sistema de abastecimento funcionando com conforto para a economia e para as pessoas. (Envolverde)

Dal Marcondes é jornalista, diretor da Envolverde e especialista em meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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14 Comentários
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  1. Sérgio Rodrigues

    17 de julho de 2014 8:04 pm

    Aquífero!…

    DEVO LEMBRAR QUE SÃO PAULO FICA SOBRE O SEGUNDO MAIOR AQUÍFERO DO MUNDO, O GUARANI!…POR QUE NÃO UTILIZÁ-LO?….

    1. Assis Ribeiro

      17 de julho de 2014 8:29 pm

      Já é utilizado.

      E da forma que vai iremos acabar com ele em breve.

      A solução está em desconcentrar as cidades, economizar a utilização dos recursos e recuperar o que foi degradado.

      “Os aquíferos do estado de São Paulo abastecem quase metade do território estadual,”

      Bruno Covas PSDB/SP –  Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo

      Na página 06 de:

      http://www.ambiente.sp.gov.br/publicacoes/files/2013/04/01-aguas-subterraneas-2012.pdf

  2. Ivan de Union

    17 de julho de 2014 8:05 pm

    Errou.
    A teoria da

    Errou.

    A teoria da meritocracia de Todos Os Paulistas (uh…) explica porque eles nao vao ter agua.

    Nao eh essa a teoria favorita deles, depois da tomada de poder brasileiro pelos comunistas cubanovenezuelanochineses?

  3. Assis Ribeiro

    17 de julho de 2014 8:18 pm

    Excelente

    Isso sim é um artigo de formação de conhecimento.

    Tirem suas conclusões sobre como se formam as chuvas, a falta de cuidado com o meio ambiente, a preocupação com o Código Florestal, a política do PT de desconcentração de riqueza com fortes investimentos em outras áreas fora do circuito Rio/SP.

    Saiam do Fla X Flu.

  4. Ataíde Coutinho

    17 de julho de 2014 8:40 pm

    Postura

    Curiosa a postura do governador ,mesmo tendo participado de praticamente todas as gestões do estado nos últimos 20 aos ,age como se esse problema fosse ocasional independente de qualquer ação administrativa por parte dos governos Tucanos .

     

  5. Sta Catarina

    17 de julho de 2014 8:45 pm

    Água

    O texto acima mostra que temos pessoal com conhecimento suficiente para buscarmos soluções para a escassez de água em São Paulo e outras regiões. O que falta é vontade política e responsabilidade das lideranças para efetivá-las.

    A população tem sim parte da culpa, votando em candidatos que não tem outro interesse senão se promover para galgar esferas maiores na política. O povo que se ferre. Que a população de São Paulo lembre do absurdo que estamos vivendo no momento do voto em outubro.

  6. Roberto Monteiro

    17 de julho de 2014 8:46 pm

    Essa parte da renovação de rede,

    já estão fazendo no RS. Com recursos do PAC, aqui na região Oeste do estado a Corsan (Cia. Riograndense de Saneamento) comoçou a trocar tubulação antiga por mais novas, que evitam perdas por ruptura. É um pequeno exemplo. Também temos comitês de bacias hidrográficas para cuidar dos rios. Pequenos exemplos, mas que ajudam.

  7. gerson m

    17 de julho de 2014 8:47 pm

    LUCRO

    O objetivo dos acionistas da SABESP e do governador sempre foi e ainda é, receber o maior lucro possível antes de entregar a concessão ao povo, o que lhe é de direito. Por não fizeram o que se comprometeram quando obtiveram a concessão.

    Agora vamos socializar o prejuizo.

  8. emerson57

    17 de julho de 2014 9:25 pm

    “O debate eleitoreiro em

    “O debate eleitoreiro em torno da água”

    “A questão tem sido tratada de forma partidária”

    No mínimo essas duas frases sinalizam um “viés” da opção partidária do autor.

    1° O debate NÃO é eleitoreiro, porém ele vai trazer consequências eleitorais. O debate é sobre como o estado foi governado nos últimos 20 anos. O debate é a respeito de um candidato, que, por acaso, cumpre o terceiro mandato de governador SEM fazer as obras e a gestão recomendadas para que São Paulo não parasse por falta de agua. 

    2º A questão tem Sim sido tratada de forma eleitoreira e partidária, mas pelo governo em exercício. O governador que tenta se releger para o quarto mandato, ajudado pelo seu partido e pelo partido coligado (PIG) criminosamente aposta suas últimas fichas numa chuva salvadora. Sonega informação urgente aos cidadãos.

    Pergunto: Se acabar toda a agua, o governador vai ser preso?

    No final o culpado pela desgraça da falta de água vai dar na revistinha nos jornalzinhos e na tv do DARF:

    o culpado é o ………………….LULA

     

  9. Ulisses s

    17 de julho de 2014 9:38 pm

    O problema tinha solução

    Infelizmente os governos do PSDB seja no governo federal ou estadual são mestres em ignorar planejamentos. Já ficamos sem luz por causa da falta de planejamento do PSDB. Agora SP fica sem água pelo mesmo partido. Se não fosse a imprensa porca que blinda este partido, o PSDB já estaria extinto em 2006.  E pior, segundo ultimas pesquisas, a maioria ainda os quer no governo estadual. Durma com um barulho deste. 

  10. Brasileiro aguerrido

    17 de julho de 2014 10:07 pm

    São Paulo fica no fim de

    São Paulo fica no fim de todas as chuvas

    Vindo do norte os ventos úmidos entram pela bacia amazônica, batem nos Andes desviam para o sul e vem chovendo pelo caminho, um dos  últimos da  pontos da chuva do norte é SP.

    Vale lembrar que 50% da umidade amazônica vem da floresta, que após o novo código “florestal” foi autorizada desmate de 50% livremente.

    Quer dizer, nossas chuvas de verão se foram sem a floresta amazônica.

    As chuvas de inverno em SP que são mínimas em comparação com as chuvas de verão vindas do norte, vem das frentes frias do sul que passam por todo o sul do país chovendo pelo caminho e terminam chovendo em SP a conhecida garoa, no inverno.

    Ficamos apenas com as chuvas do sul, uma vez que a amazônia está sem a proteção da legislação e a mercê dos correntões de desmate.

    E para piorar, com as mudanças climáticas e aquecimento global uma massa de ar quente permanece sobre SP impedindo a chegada de frentes frias, e massas chuvosas, deixando SP com umidade de deserto.

    Ivan Valente do PSOL denunciou estes fatos, são vozes solitárias neste país que foram abafadas pela multidão de parlamentares que apoiam o ruralismo, a galinha dos ovos de ouro. O Partido Verde também se opôs ao novo código, Marina Silva também, mas a maioria dos setores da sociedade se incumbiu de ridicularizá-los como “sonháticos”, os blogs de esquerda em sua maioria inclusive.

    Agora a galinha dos ovos começa a ser afetada também.

    Corrigindo o autor, não são 20 milhões de pessoas afetadas pela seca em SP, o estado tem mais de 40 milhões e a seca não está só na capital, mas se estende por quase todo interior do estado.

    Outra correção é que o autor afirma que “voltará a chover” com certeza em SP; de que fonte ele tirou esta afirmação? cartomante? Há alguma fonte científica nisto? Se formos sensatos nenhuma afirmação poderá ser feita a respeito do caso.

    Houve uma seca que eliminou o Império Maia ( após terem eles desmatado grandes áreas de terra em seu país) que durou 30 anos; nem precisa dizer que o Império Maia desapareceu com a seca.

    Houve outras partes da Terra que viraram desertos após intenso desmatamento realizado pelo homem. O Deserto do Saara, era uma savana há alguns milênios atrás, após um intenso ciclo de queimadas realizadas pelos homens, se desertificou por completo.

    O deserto de Sonora no sul dos EUA também era uma floresta de pinheiros, após desmate pelos índios Pueblos que usavam a madeira para construir suas cidades, se desertificou totalmente, as cidades dos Pueblos  dão testemunho desta época em meio à desertos.

    A área do deserto do Iraque também teve florestas antes dos Babilônicos iniciarem intenso desmate e o clima se  modificar depois. Desmatamento cria um ciclo de auto alimentação de clima seco, pois as florestas contribuem para aumentar a umidade do ar. Quanto menos árvores, maior a tendência para a desertificação.

    SP corresponde a 40% do PIB brasileiro, e sem chuvas vai criar um prejuízo bem maior do que o presumível lucro do novo código “florestal”, se o PIB nacional cair muito porá em risco até mesmo a permanência do PT no Governo por muito tempo.

     

  11. MRE

    17 de julho de 2014 11:02 pm

    Muito bom !

    Excelente artigo.

    Devemos nos conscientizar que Deus não nos dá a água a quaquer tempo e hora, nós  que temos que buscá-la, tratá-la, conservá- la e utilizá-la com parcimonia.

    O texto não menciona, mas desperdiçamos água demais com banhos longos, com excessos em descargas e lavagem de louças. Vá a um dentista e veja a torneirinha aberta o dia todo. Não temos a cultura do “bom uso e da economia”, achamos que temos o direito pois pagamos os altos valores nos cobram. !

  12. Julião

    18 de julho de 2014 2:59 am

    Excelentes idéias, mas

    a cidade de (parte da cidade) São Paulo, pode ficar sem agua até o final deste ano. E pior, se as chuvas de fim de ano não acontecerem será uma CATRASTROFE! Naõ vejo nenhum plano efetivo de comos vamos ultrapassar este problema.

    Não vai adiantar dizer que a culpa foi do PSDB (e foi mesmo), do Alkimin (e foi mesmo), pois existe um grave problema sem solução!

     A AGUA IRÁ ACABAR E O QUE OS HABITANTES DA CIDADE DE SÃO PAULO E OUTRAS DA  BACIA DO PCJ IRÃO FAZER?

    É este o problema será se caso o PT entrar no goveno e os mesmos (PSDB) permanecerem,quem ganhar vasi ter que resolver com uma urgencia enorme e ninguem discute como sair do nó atual! 

    A idéia de preservar nascentes, manter a cobertura vegetal, etc, foi feita na APA-Fernão Dias, que abastece a bacia do PCJ e não adiantou em nada a crise atual. Como moro em uma propriedade rural na área, sei do enorme controle que fazem para impedir o desmatamento, porem são soluções para um futuro.

    A falta de agua é iminente,  agora e absolutamente urgente solucioná-la já!  

     

  13. Rogerio Maestri

    18 de julho de 2014 3:12 am

    Só fiquei incomodado com uma

    Só fiquei incomodado com uma referência, me parece que as simulações do INPE que consegui lendo em alguns artigos técnicos, propõe seca na Amazônia (apesar na realidade estár se observando mais cheias) e aumento de precipitação na região sudeste (apesar de estar se observando nos últimos anos mais secas).

    Gostaria que alguém que conhece o assunto me mostrasse a onde estão estas previsões, me parece que elas estão ao contrário do que está ocorrendo).

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