4 de junho de 2026

A responsabilidade das siderúrgicas no processo de desindustrialização

Por Sergio Navas

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Comentário ao post “Brasil 2015: rumos da política industrial

Há tempos alerto neste espaço a responsabilidade das siderúrgicas nacionais na desindustrialização do país, que iniciou-se com a privatização das siderúrgicas estatais, permitindo a poucos grupos o domínio absoluto do setor de laminados à quente, insumo vital à industria de transformação.
 
Os métodos adotados por esses grupos visam o domínio da totalidade da cadeia dos manufaturados mais representativos, conferindo ao importado a única alternativa de concorrência.
 
Para dificultar a concorrência internacional na fase de insumos, agiram orquestradamente nas revisões de normas técnicas, criando barreiras que diferenciaram o Brasil do restante do mundo, fazendo com que os preços praticados no mercado interno ficassem muito superiores às médias mundiais.

 
Cito como exemplo uma fábrica de parafuso, que para sobreviver a concorrência dos importados saiu em busca do insumo e descobriu que o manufaturado pronto lhe traria melhores vantagens, desativou máquinas, diminuiu sensivelmente o quadro de funcionários e passou de fabricante à importador.
 
Ao exemplo acima soma-se centenas de outros produtos como arames, telas, pregos, cavilhas etc.
 
Em um mundo globalizado a qualidade da importação torna-se vital à indústrialização, quanto mais perto da matéria prima for a concorrência melhor para o país, que poderá produzir internamente manufaturados em condições isonômicas aos concorrentes internacionais.
 
PS – Com relação ao BNDES, desconfio que os agentes financeiros estão deliberadamente dificultando acesso ao crédito, trabalhando contra o governo, presto consultoria para uma pequena empresa de transformação que teve seu pedido de cartão indeferido pelo banco, sob a alegação de que o BNDES não está autorizando pelo motivo de alta inadimplência, seria interessante que as autoridades responsáveis fiscalizassem. 

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16 Comentários
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  1. Lionel Rupaud

    15 de julho de 2014 5:57 pm

    Sergio, magnífica contribuição

    que esclerece muito bem o que escuto há anos das empresas pequenas/medias que conheço…

    B. Steinbruch controlador da CSN é o principal apoiador ($$$$$) da candidatura Skaf ao governo de S. Paulo: “plus ça va changer plus ça sera la même chose”…

  2. Zanchetta

    15 de julho de 2014 6:01 pm

    Ainda vão chegar nas

    Ainda vão chegar nas privatizações do tempo do FHC, quer apostar?

    1. Álvaro Noites

      15 de julho de 2014 6:59 pm

      E o pelotão de defesa já está
      E o pelotão de defesa já está de prontidão.

    2. Ulisses s

      15 de julho de 2014 9:38 pm

      E você quer limpar a merda

      Feita por FHC? Das duas uma, ou você é ingênuo, o que não acredito, ou é mesmo assalariado do homem.

  3. NNN

    15 de julho de 2014 6:49 pm

    Alvo errado

    O exemplo do fabricante de parafusos não bate com a realidade: a falta de competitividade não está na matéria-prima. Enquanto um operário chinês trabalhar num regime escravagista, nossa energia custar o dobro dos preços internacionais, uma máquina chinesa custar 1/3 da nacional, nossa carga tributária comer pelo menos 30% do custo do parafuso produzido, etc. etc. Sem falar sobre nossa atmosfera tóxica para qualquer um que queira ganhar o seu honestamente, sem ter que sustentar parasitas, públicos e privados. Conhecem aqueles tipos que não podem ver uma fabriqueta funcionando que lá aparecem para criar dificuldades e vender facilidades?

    Culpar as privatizações das siderúrgicas não é correto, para dizer o mínimo. Elas nunca foram um exemplo de eficiência pois viviam sob o cobertor do protecionismo (a importação de chapas decentes era proibida). Tampouco melhoraram muito nos últimos anos (vide o fiasco técnico-ambiental da CSA, que gerou um prejuízo monstro para a Krupp). Como o protecionismo protegia amplamente a cadeia, os problemas ficaram acobertados.

    Voltando aos parafusos e falando em linguagem clara sobre o que este velho par de olhos tem visto por aí: tem metalúrgicas (autopeças, tier 2, 3 para baixo) importando componentes chineses e trocando suas caixas aqui no Brasil, para serem faturadas em moeda local e assim burlar o tal índice de nacionalização, exigido das montadoras para que estas obtenham dinheiro barato do BNDES e possam continuar montando seus veiculos “nacionais”. Se estes falassem, aposto que ouviríamos mandarim, hindu, polonês, malaio, tudo, exceto português.

    #prontofalei!

    1. Leandro_O

      16 de julho de 2014 12:18 pm

      Não é culpa da China, pelo

      Não é culpa da China, pelo menos não totalmente. Vejo diariamente chapas sendo importadas por exemplo, da Finlândia, país muito  elogiado em termos de direitos humanos. E aí?

      1. NNN

        16 de julho de 2014 1:16 pm

        Material nobre

        Existem chapas e chapas de aço. Aço silício (p. ex., transformadores), ou inoxidáveis nobres (p. ex., indústrias químicas), p. ex., não vem da China. E parafusos “mundanos” são feitos a partir de barras, normalmente de aço de baixíssima qualidade (conhecido como “chumballoy”), não de chapas.

        Sobre custos de mão-de-obra em manufaturas ao redor do mundo, um bom material de consulta é este aqui:

        http://www.bls.gov/fls/ichcc.pdf

        Há uma página dedicada aos dados sobre Índia e China.

  4. Álvaro Noites

    15 de julho de 2014 6:58 pm

    As siderúrgicas fazem um jogo
    As siderúrgicas fazem um jogo muito desleal com o país.

    O Aço está caro demais no Brasil e a industria não tem para onde correr. Eis o resultado das privatizações de FHC e Cia.

  5. Mario Blaya Santos

    15 de julho de 2014 7:59 pm

    a CSN deixou de produzir

    a CSN deixou de produzir trilhos no Brasil, e recentemente em visita a uma empresa pode ver chapas vindas da Ucrania, Romenia e China, pois me disseram que estava faltando no pais, mas o fornecedor das chapas eram as distribuidoras das CSN e Usiminas!  eles não produzem mas importam!  e curioso como o custo Brasil não afeta as importações!

  6. Nada disto

    15 de julho de 2014 8:07 pm

    A nedida que o trabalhador

    A nedida que o trabalhador nacional se especializa cada vez mais e arranja algo melhor e mais lucrativo para fazer, tais processos se tornam mais apropirados em países com formação menor. Se não fosse assim, Lula até hoje seria torneiro mecãnico.

  7. valter r vidal

    15 de julho de 2014 8:53 pm

    cambio

         Caro sergio navas vc disse “Cito como exemplo uma fábrica de parafuso, que para sobreviver a concorrência dos importados saiu em busca do insumo e descobriu que o manufaturado pronto lhe traria melhores vantagens, desativou máquinas, diminuiu sensivelmente o quadro de funcionários e passou de fabricante à importador.” , isso está aconteçendo em quase todos os segmentos industriais a substituição de nacional por importados agora vc querer culpar os empresários do setor siderurgico nacional por isso é de uma desonestidade sem tamanho porque vc não culpa o governo federal que deixa nossa moeda hipervalorizada? Porque vc não mostra que é o governo federal o culpado do sucateamento da nossa industria? O governo federal não faz o dever de casa so fica aumentando o consumo artificialmente com mais e mais credito e não apoia com ações de verdade para aumentar nossa produção industrial, governo este que é o responsavel pela inflação pois onde se aumenta o consumo artificialmente e não se aumenta a produção obviamente alimenta a inflação, a agiotagem adora isso e esse governo incompetente aumenta os juros para a galera financista com o argumento mentiroso que isto combate inflação e deixa nossa moeda mais um tempo supervalorizada para a inflação não disparar. A cada dia que passa mais e mais a economia brasileira vai ficando mais dependente dos importados com a aniquilação da industria nacional, a cada dia que passa vai ficar mais dificil um realinhamento do cambio sem efeitos tragicos para o a inflação, mas governo preguiçoso e covarde é assim mesmo e ainda tem canalhas e inocentes que aplaudem o crime que se está cometento contra as futuras gerações brasileiras.  Na verdade os empresários do brasil não precisam de esmola e nem ajuda de governo pilantra que so atrapalha e vive fazendo marketing para tentar enganar pelo maior tempo possivel a população menos esclarecida, quem produz neste país precisa apenas de governo sério,  competente, que tenha objetivo e praticas para fazerem deste brasil um país desenvolvido. O CAMBIO ESTÁ MATANDO O FUTURO DESTE PAÍS!!!!!! (se não ja matou)

  8. joao

    15 de julho de 2014 9:02 pm

    esta siderurgicas
    a producao de aco e laminados
    trilhos.
    Toda a cadeia de transformacao do minerio de ferro.
    Entregou o mercado.
    Entregou a producao do minerio, a vale.
    A ferrovia e locomotivas.
    Vendeu a producao de aco brasileira por importacao e precos.
    Muito bom o texto. Uma vergonha nacional as privatizacao. Quase a petrobras foi.
    Agora o PT gritou e nada retomou. Poderia ate construir outras.
    Estrategias foi pro cacete.

  9. jns

    15 de julho de 2014 9:36 pm

    Usiminas

    A maior produtora de aços planos do Brasil, Usiminas, afirmou recentemente que espera que a produção de veículos do país volte a cair no segundo trimestre, o que deve acabar impactando no desempenho da economia no período.

    A empresa, que tem na indústria automotiva brasileira um de seus principais clientes, não espera a ocorrência da tradicional alta nas vendas de aço no segundo trimestre – o que serviu de combustível para ampliar a queda dos papéis da companhia na Bovespa.

    No acumulado de 2014, as ações preferenciais da Usiminas já recuaram 40,53%.

    http://exame.abril.com.br/mercados/noticias/3-graficos-que-dao-mais-sustos-do-que-o-time-de-felipao

     

    * * * * *

     

    Gráfico comparativo entre USIM3 e IBOV

    http://www.bolsafinanceira.com/cotacoes/resumo/USIM3

     

    * * * * *

     

    Economista especializado na área de investimentos nos EUA, quis, na semana passada, investir em ações da Usiminas, usando recursos próprios aplicados através da empresa onde trabalhava, a Charles Schwab.

    A baixa cotação das ações impediu que a compra dos papéis fosse efetivada, por não permitir o enquadramento na legislação do mercado de valores americano.

  10. alfredo machado

    15 de julho de 2014 11:29 pm

    Estratégia mais lucrativa

    Sergio Navas,

    A privatização do setor siderúrgico nacional não poderia oferecer resultado diferente.

    O negócio sempre foi excelente para gigantes que conhecem o setor, e também para gigante que não o conhecia, o caso do Bozano,Simonsen, banco que arrematou nos leilões a Cosipa, Usiminas e CST.

    Se em qualquer lugar deste mundo, a tendência de grandes grupos é a prática, quase sempre em espírito de oligopólio, de metodologia e estratégia mais lucrativa para o determinado setor, não pode ser surpresa que o mesmo espírito funcione a pleno no patropi. É desta estratégia mais lucrativa que sai o efeito de desindustrialização.

    Diversos grupos nacionais que atuam em setores como os de Siderurgia, Sucroalcooleiro, Frigorífico (sem privatização) e outros, também são multinacionais, com empresas espalhadas pelo exterior.   

  11. Alexandre Weber - Santos -SP

    16 de julho de 2014 1:32 pm

    Na mosca, a Dilma nunca entrou numa fábrica de parafusos

    Falo de cadeira, meu pai teve uma loja de parafusos na Guaicuros, na Lapa em São Paulo muitos anos e vivi intensamente o dia a dia de pequenas metalurgicas que hoje desapareceram.

    Falar em Sebrae e BNDES para este tipo de empresário é xingar a mãe.

    A realidade da pequena e média indústria é um mistério sem fim para os gabinetes refrigerados de Brasília.

    O descompasso entre os que podem alavancar o espírito animal do empreendedor brasileiro e a burocracia é de tal monta que só com uma revolução que faça terra arrazada de todas Normas, Regulamentos, Leis, Portarias, Decretos e a infinidade de procedimentos e perda de tempos exigidos dos que produzem e alavancam a economia que gerará riqueza para os brasileiros e o Brasil.

    Mas percebam, muito mais fácil comprar de uma Alston que paga propina do mais alto escalão do governo ao porteiro do palácio.

    Vivemos em tempos interessantes.

  12. Jean Baptiste

    16 de julho de 2014 2:04 pm

    Financiamento

    Sobre financiamento, trabalho com pessoal da área metalurgica de Panambi (RS) onde estão estabelecidas grandes empresas e o pessoal está demitindo, pois não estão sendo liberados empréstimos pelo BNDES e nem para o Produtor Rural para compra de equipamentos. Se for falar com o pessoal do BB e da Caixa dizem que é decisão vinda de cima.

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