4 de junho de 2026

O anti-jornalismo histórico da Folha de São Paulo

A cobertura da Folha de São Paulo acerca do ataque israelense a Gaza é um caso curioso de anti-jornalismo. Abaixo um exemplo de como o conflito é interpretado para o leitor do jornal:

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http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1486140-israel-retoma-bombardeios-em-gaza-apos-hamas-prosseguir-com-ataques.shtml

 

O texto começa com uma notícia “A aviação israelense retomou nesta terça-feira (15) os ataques a Faixa Gaza…” e termina com uma valoração das ações israelenses feita por uma autoridade israelense “…Israel terá toda legitimidade internacional para ampliar suas operações militares…”. Entre uma coisa e outra é dito que Israel havia prometido retomar os bombardeios e que o Hamas não aceita um cessar fogo que não inclua um acordo amplo e que o grupo palestino disparou um míssil contra Israel.

 

A matéria dá a entender que Israel tem direito de bombardear a Faixa de Gaza e que o Hamas é intolerante e age de maneira agressiva. O jornalista, entretanto, omite o principal: o Conselho de Segurança da ONU não autorizou Israel a bombardear a Faixa de Gaza. A legislação internacional em vigor proíbe expressamente o bombardeio de civis por razões políticas ou militares. Não cabe às autoridades israelenses dizer o que é justo ou injusto acerca do conflito que Israel iniciou sem autorização da ONU.

 

O texto jornalístico da Folha de São Paulo funciona, portanto, como uma justificação do abuso israelense. O leitor do jornalão é levado a acreditar que o Hamas não tem razão algum em revidar. A versão do conflito regurgitada pela Folha sugere que a defesa da Faixa de Gaza é injusta e que o ataque de Israel deve ser justo (mesmo que ele possa ser considerado injusto aos olhos da ONU).  

 

A natureza anti-palestina da cobertura feita pela Folha de São Paulo do incidente em curso é evidente. Ao interpretar o conflito em benefício de Israel o jornal age como se fosse um periódico sionista, colocando a ideologia à frente dos fatos. A ironia fica por conta da reviravolta ideológica que ocorreu no jornalão paulista em menos de um século. Nos anos 1930, a Folha da Manhã (antecessor da Folha de São Paulo) era um jornal doentiamente anti-semita: http://almanaque.folha.uol.com.br/mundo_11jun1933.htm . O anti-semitismo deu lugar ao anti-palestinismo, conservando-se a tendência histórica da Folha de imprimir e vender doutrinação como se fosse informação de boa qualidade.

 

 

 

 

 

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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1 Comentário
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  1. Natasha

    13 de agosto de 2014 3:37 pm

    Fabio… Acho que voce
    Fabio… Acho que voce deveria se informar melhor antes de escrever um artigo sobre o que está acontecendo na faixa de Gaza…
    Israel não ataca civis. Os terroristas usam seus próprios filhos, mulheres e idosos de escudo humano porque sabem que o IDF não ataca civis.
    Eles escondem mísseis em mesquitas, hospitais e casas porque sabem que Israel não vai atacar CIVIS! Mas Palestinos atacam as próprias vizinhanças Palestinas se tiver UM Israelita por perto.
    As mães dos soldados Israelitas choram porque os filhos precisam servir o exército. As mães muçulmanas comemoram antes dos filhos cometerem suicídio por uma causa “divina” (já ouviu falar no homem bomba ne?)
    Se você não pode ir até Israel pra ver o que está acontecendo, pelo menos leia mais as matérias internacionais.
    Graças a Deus a Folha consegue enxergar a realidade agora depois de tantos anos!!!!
    Enfim… fica a dica Fábio…

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