
Jornal GGN – Cientistas políticos afirmam que o pessimismo econômico afetará as eleições presidenciais em outubro, e um dos primeiros índicios são os números de de votos em branco e nulos nas pesquisas de intenção de voto. Aloisio Campelo Junior, da FGV, responsável pelo Índice de Confiança da Indústria, que está em queda, acredita que este mal estar deve continuar até o final do ano. “Somente em 2015 devemos ter algum tipo de reação na confiança”.
Paulo Baía, da UFRJ, destaca os percentuais de votos em branco e nulo, que passam dos 15%. “De todas as campanhas que acompanhei, essa será a que encontrará o eleitor mais pessimista; e com o maior grau de insatisfação”. Para Cesar Zucco e Daniela Campello, cientistas políticos da FGV, afirmam que a momento econômico está puxando a avaliação da presidente Dilma para baixo.”Os programas governamentais são o espaço que o governo tem para atuar”, pontua Daniela. Ricardo Ismael, da PUC-Rio, a oposição deve se favorecer com os indicadores econômicos, mas que a presidente tem o baixo desemprego a seu favor.
Do Valor
O fenômeno não parece ser passageiro. Para o superintendente-adjunto de ciclos econômicos da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo Junior, responsável pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), o patamar menos otimista do brasileiro deve permanecer até o fim do ano eleitoral. “Somente em 2015 devemos ter algum tipo de reação na confiança, com patamares semelhantes ao de antes da crise global em 2009”, diz.
A continuidade do fenômeno pode reforçar a possibilidade de termos parcelas recordes de votos nulos e em branco nas eleições presidenciais desse ano, segundo o cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Paulo Baía. “Se observamos as pesquisas de intenção de voto mais recentes, podemos notar que os percentuais de votos em branco e nulos já estão acima de 15%, e até próximos a 20%, 25%. Nas décadas de 1980 e 1990, essa parcela não chegava a 10%, 15%”, avalia. “De todas as campanhas que acompanhei, essa será a que encontrará o eleitor mais pessimista; e com o maior grau de insatisfação”, afirma Baía.
À frente de pesquisas que relacionam indicadores econômicos ao voto, os cientistas políticos da FGV Cesar Zucco e Daniela Campello afirmam que a avaliação negativa da economia está tendo um peso exacerbado nas pesquisas no começo da campanha. Segundo eles, a economia tem pior avaliação do que os programas sociais do governo e o desempenho da presidente.
“A economia está puxando a popularidade da presidente mais para baixo do que deveria, considerando-se a avaliação do governo em outras áreas”, diz Zucco. Para Daniela, “há um excesso de pessimismo que ainda pode se reverter. Os programas governamentais são o espaço que o governo tem para atuar [na campanha]”.
Por sua vez, a economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Viviane Seda, responsável pelo Índice de Confiança do Consumidor (ICC), não acredita em reversão rápida do cenário pessimista atual. No âmbito do consumidor, nem mesmo a alta de 1% do ICC em junho – o único índice de confiança a apresentar melhora no mês -, pode ser comemorada, pois foi motivada por aumento de empregos temporários por conta da Copa, na análise dela.
Para Ricardo Ismael, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), o cenário atual da economia é bem mais adverso para o governo do que em 2010, primeira eleição de Dilma. Naquele ano, o país cresceu 7,5% e vivia uma fase de expansão do consumo das famílias. Na sua visão, é a oposição que deve ser favorecida com os dados negativos da economia. “A primeira constatação, bastante óbvia, é que aumentam as chances da oposição”, afirma. “Mas há uma variável a favor da Dilma que é o desemprego baixo”, ressalta.
O superintendente-adjunto de inflação do Ibre/FGV, Salomão Quadros, também alerta para o avanço da inflação nos primeiros meses de 2014. Isso, na prática, acabou fortalecendo ainda mais o pessimismo do eleitor com a economia. Ele considera que a inflação é um dos indicadores macroeconômicos mais próximos à percepção do brasileiro. “Quando os preços sobem, o brasileiro nota rapidamente”, comenta.
Um dos aspectos que também contribuem para a piora do humor com a economia é a ausência de perspectiva de melhora. O consultor do Ibre/FGV, responsável pelo Índice de Confiança do setor de Serviços (ICS), Silvio Sales, comenta que, diferentemente de 2009, “fundo do poço” nas avaliações sobre a economia brasileira, não há, em 2014, percepção de que o quadro poderia melhorar em poucos meses. Isso porque a crise global daquele ano era o grande fator de influência – o que não é o caso esse ano, com cenário influenciado por fracos indicadores macroecônomicos.
Mas, na análise do especialista, o “efeito líquido” do pessimismo com a economia em outras frentes, como a da política, por exemplo, ainda não está muito claro. “O que podemos dizer é que o nível de desconfiança [do brasileiro] com o futuro aumenta”, afirma.
marcelo
15 de julho de 2014 2:01 pmSó pode ser gozação. Será que
Só pode ser gozação. Será que todo economista acredita que sua área é tão relevante assim ao ponto de cegar-se diante da realidade? Será que eles não percebem que pro grosso do eleitorado, que teve aumentos sucessivos acima da inflação e está com a menor taxa de desemprego jamais medida a “economia” nunca esteve tão bem? Será que eles não percebem que quem se incomoda neste momento com inflação e pib são fatia ínfima do eleitorado? Na minha terra chamam isto de conversa pra boi dormir.
maurobrasil
15 de julho de 2014 2:18 pmO desespero da oposição é imenso!
E está crescendo exponencialmente…
A mentira será a única arma da oposição nessas eleições…
E essa mentira terá um efeito pífio.
Renato kern
15 de julho de 2014 2:16 pmO profeta errou
Históricamente os índices de brancos e nulos ficam nas faixas dos 20%.
Ivan Arruda
15 de julho de 2014 2:26 pmPelo método
Pelo método comparativo
Quantos trocarão um futuro promissor após comparar como era a nossa situação antes de 2002 e a possiblidade, remota, de voltar a repetí-la?
maurobrasil
15 de julho de 2014 2:35 pmEnquanto isso na Itália…
Um em cada dez italianos vive na pobreza absoluta. Desemprego juvenil chega a 43%
http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-250740-2014-07-15.html
Imagina como estão os EUA, com queda do PIB de 2,9% no último trimestre, sem falar na Espanha, Grécia, Portugal etc…
Alexandre Tambelli
15 de julho de 2014 2:36 pmSerá que voto branco e nulo
Será que voto branco e nulo tem como única explicação a Economia.
E a velha mídia e sua campanha diária contra a Política, políticos e partidos políticos+ seu insistente conceito de que governos são sinônimos de corrupção, cobrança de impostos e má utilização dos recursos públicos.
Não seria muito mais importante destacar, que parcelas de eleitores foram direcionadas a ter um desalento para com a Política?
E que são levadas a este desalento, também, porque não enxergam nenhuma candidatura viável para votar? Quem em lucidez vai querer a volta dos tempos neoliberais de PSDB?
Uma parcela da população votará nulo ou branco por causa do desserviço continuado da velha mídia e como se dá a informação no Brasil. O monopólio da informação, que cria esse “monstro” da Política = corrupção é quem aumenta o índice de abstenção, nulos e brancos.
Numa Imprensa séria a Política seria tratada como prioridade pela maioria dos brasileiros e poucos iriam desperdiçar a chance de votar em alguém que eles acreditassem ser os melhores representantes para o Legislativo e Executivo.
Colocar a culpa na economia e esconder a velha mídia e sua continua campanha de desvalorização da Política não dá. Afora, querer negligenciar a fragilidade da oposição política.
Ou seja, falam que a Política econômica do Governo DILMA é equivocada e por isto votarão branco ou nulo.
Então, há um problema maior: cadê as candidaturas de oposição?
Roberto Monteiro
15 de julho de 2014 5:26 pmMas, mas, mas
Especialista sabe alguma coisa? Assim como temos os “Aspones”, temos os “Espones”.
carlosc
15 de julho de 2014 5:33 pmCreio que para mais de 95%
Creio que para mais de 95% dos eleitores economia significa: emprego, e dinheiro no bolso.
Para os restantes 5% a economia pode significar o que os economistas gostam de falar: PIB baixo, hiperinflação (6,5% aa – putz), tendências, prognósticos alarmistas de falta de energia (que nunca faltou nestes últimos 10 anos) poucas vendas e desindustrialização (aqui culpo nossos empresários não baixam seus preços nunca, nem na pior crise desde 1929) etc. etc.
Nosso país perdeu a oportunidade de matar definitivamente a inflação “passada”, na virada do Real quando, apesar de multiplicarem tudo por 2,75 do dia para a noite, mantiveram diversos índices de correções(???) para serem incorporados a contratos de serviços e preços administrados. A burrice veio daí, de 1994, estabelecida pelos “jênios” que produziram os planos, e não souberam ou não pensaram como mantê-lo!
Também não concordo com índice de brancos e nulos no entorno de 15%. Nas últimas eleições este número já ultrapassou os 25%.
Faltam é niovas propostas para o povo acreditar que alguma coisa será melhor se trocar o governo por um “novo gestor”
E sobram medos de retorno ao desemprego, ao aperto do cinto dos trabalhadores, à redução do SM, à eliminação dos ganhos sociais , à redução do Bolsa Família da venda de estatais e do retorno ao FMI ainda que distante.