Do Valor
O teorema das quatro cores estabelece que, dada uma separação de um plano ou mapa em regiões contínuas, não mais do que quatro cores são necessárias para colori-lo, de tal modo que duas regiões adjacentes não tenham a mesma cor. Aplicável ao caso das novas concessões ferroviárias, este teorema poderia ser livremente reinterpretado como não mais de quatro resoluções de condicionantes seriam necessárias para dar maior atratividade aos investimentos nessa área, constantes do Programa de Integração Logística lançado pelo governo federal em 2012.
Convém observar que as novas ferrovias foram concebidas segundo concessões comuns (Lei 8.987/1995), muito embora tenham focinho, rabo e pelo de PPPs (Lei 11.079/2004), mais adequadas ao caso, como se verá.
O primeiro condicionante diz respeito ao risco geológico-geotécnico ex post. O futuro concessionário será remunerado pela disponibilização da via férrea ou venda da capacidade de vazão desta. Em caso de um grave problema geológico-geotécnico, na fase operacional, a via estará indisponibilizada e o concessionário poderá sofrer sanções pecuniárias tanto por parte da Valec, como por parte dos operadores ferroviários independentes, que terão frustrado seu direito de circulação. Ademais, o restabelecimento do tráfego numa ferrovia é igualmente problemático, em função das restrições de rampa máxima e raio mínimo. Isso difere de uma concessão rodoviária, onde não costuma haver sanção pela indisponibilização temporária da via, seja pelo poder público, seja pelos usuários. A alegação de que seguros poderiam contornar esse problema esbarra na questão da renovação das apólices, que, dependendo do histórico de eventos, torna-se proibitiva. A solução residiria na partilha de riscos, entre poder público e concessionário, tal como prescrito na lei das PPPs.
As novas ferrovias foram concebidas segundo concessões comuns, embora tenham perfil de PPPs
O segundo condicionante guarda relação com o denominado risco Valec, de histórico repleto de acusações de irregularidades. Há um esforço do governo em mitigar esse risco, algo que, para o mercado, estaria mais bem resolvido caso fosse utilizado o Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas – FGP. E é igualmente importante que os recebíveis da Valec sejam plenamente aceitos como garantias pelos bancos oficiais, na modalidade de project finance.
O terceiro condicionante tem aderência com a questão da sinergia de empreendimentos. Ou seja, a priorização dos investimentos deve levar em consideração não só o atendimento às demandas de produtos primários para exportação, mas também a dinamização de complexos industriais existentes ou em vias de implantação, caso, por exemplo, das ligações entre São Paulo e Rio Grande (EF-116), interligando complexos industriais do Sul aos centros consumidores do Sudeste, e entre Rio de Janeiro e Vitória (EF-118), conectando o triângulo econômico RJ/MS/SP a polos industriais e a hubs marítimos situados na faixa litorânea nos dois estados. Em complemento, há necessidade de se verificar quais as melhorias a introduzir nas malhas ferroviárias já concedidas, de sorte a que estas abriguem os fluxos das novas concessões (situação típica da ALL-Malha Paulista vis-à-vis o trecho meridional da Ferrovia Norte-Sul), cujo financiamento poderia advir do papel da Valec como usuário investidor, tal como previsto na Resolução 3.694, da ANTT.
O quarto e último condicionante é atinente à questão do mercado comprador de capacidade. Não há, no Brasil, esse mercado, já que as atuais concessões são verticais com atuação essencialmente em seus territórios. Deixá-lo prosperar contando apenas com as forças naturais do mercado pode funcionar apenas nas rotas mais óbvias: as de exportação de grãos ou minérios. Dessa maneira, é imprescindível que, paralelamente ao processo concessório, se contemple também a estruturação de um mercado de compra de capacidade. Dentre as várias medidas pertinentes, podem ser citadas, dentre outras: 1- a formação de maquinistas, fiscais de tração e artífices de manutenção de locomotivas e vagões no Sistema S; 2- a estimulação da vinda para o Brasil das grandes empresas de leasing de material rodante existentes no exterior; 3- a desburocratização tributária, securitária e documental do transporte ferroviário;4- a existência de linhas de financiamento mais alongadas para aquisição de bens para operadores ferroviários independentes; e 5- a criação de grupo de trabalho para estudar e propor a facilitação da interoperabilidade entre concessões. Outra discussão que se impõe é a flexibilização do papel do concessionário das novas ferrovias com vedação ou permissão (até um dado limite) de sua atuação, como um dos operadores possíveis, nas concessões onde haja ou não uma clara existência de mercado comprador, respectivamente.
A presidente Dilma Roussef merece aplausos pela decisão de dotar o país de uma nova malha ferroviária de mais de 10.000 km, moderna e condizente com sua dimensão territorial, o que a equipara, nesse aspecto, a D. Pedro II, que legou, à República, 9.500 km de ferrovias, construídas com enorme esforço, já que sem qualquer mecanização e sem o braço escravo (por imposição dos capitalistas britânicos). É preciso que os condicionantes citados sejam removidos tão logo possível.
José Eduardo Castello Branco é engenheiro, consultor e doutor em engenharia de transportes pela Coppe/UFRJ. Foi diretor-presidente da Valec.
joao
15 de julho de 2014 12:19 pmisto companheiro.
Agora um academico defini totalmente. Como em qualquer dos estado do exterio. Existe a companhia ferroviaria e as linhas privada. No entretanto quem eh seu verdadeiro investidor e proprietario eh o estado. Esta parceria, exploracao, coentranstrucao e manutecao eh sempre do estado. O capitalismo mentiroso e falso para ingles ver. Aqui, na America, ali e na China eh responsabilidade e fiscalizacao. Na Espanha houve alguns anos atras teve esta disputa e simplesmente o governo investiu ou parava a empresa.
Conclusao. Quem vai ganhar sempre pelo trabalho publico eh a compania privada e quem vai pagar eh o estado. O resto como no texto explica e chora pq empresa nenhuma entra para perde e quer todas as guarantias. Pq nao criam a empresa ferroviaria nacional e ponto. Vai pagar dobrado mesmo e pode ser ate muito mais.
Esta e a logica da Dilma, nao assumir responsabilidades de servicos publicos. Da prejuizo sabemos. Prefere pagar e sai caro. Este Figueredo eh outro da companhia privada na admnistracao federal e amigo dela. 171. Este artigo muito mandrake, um dotor da instituicao federal jurando em pontos que tem que mudar o sistema para dar mais garantir a parceria privada.Guarantia 100 %. Se dizia assim, se entra com o cu e so quem goza eh ele.As ferrovias estao abandonadas e os prazos foram para o cacete. Dinheiro esta saindo para manter o que foi feito e nao acabado. Que saber o que o penso. ROUBO. MUITO ROUBO.
Se mexer muito fede e as cartas cai.
O PAC esta virando um roubo.
Tentar definir o PAC hoje. 1,2,3 ate o LN tentou explicar o inexplicavel. Logistica para quem, com quem e a onde.
Por vezes o valor parece o belo cavalo e sua patada elegante, eu prefiro o do burro. (M.A)
Ulisses s
15 de julho de 2014 12:37 pmNão tenho palavras para tanta bobagem que escreveu
Sua raiva seria melhor canalizada se mirasse no Aécio e seu guru, FHC que andam de mãozinhas dadas na campanha, junto com os mesmos ministros que fizeram a privataria tucana. Investiram mais dinheiro que arrecadaram com as privatarias dadas aos amigos do rei FHC! Aí envolve rede Globo, banqueiros picaretas como Daniel Dantas e os própros ministros que viraram todos banqueiros. Enquanto isto ficamos sem empregos e salários achatados. No governo Dilma estamos no maior nível de empregos de sua história e salários valorizados. E inaugurou 1000 km de ferrovias agora no norte junto a uma hidrovia.
valter r vidal
15 de julho de 2014 1:52 pmverdada
voce disse ulisses que estamos na maior nivel de emprego e salários valorizados no governo dilma(começando a ciar) mas não é graças a dilma ou lula, isto se deu graças a supervalorização das comoddities agricolas e minerias(reze todo dia para china agradecendo), eu nunca vi nenhum politico brasileiro no poder que ajudasse realmente ao desenvolvimento do setor produtivo nacional(carros não conta, pra mim é so consumo para ajudar multinacionais), vejo ajudando muito o setor financeiro, o setor politico corrupto e publicidade/ marketing, estes setores são realmente setores privilegiados, vamos ser mais honestos em suas colocações caro ulisses.
carlosh
15 de julho de 2014 12:43 pmÈ um absurdo que o Brasil o
È um absurdo que o Brasil o maior produtor/exportador de minério de ferro do mundo tenha que exportar trilhos da China!
carlos afonso quintela da silva
15 de julho de 2014 1:13 pmEstamos fartos de ver o
Estamos fartos de ver o Estado contruir e entregar para alguns poucos a exploração de nosso patrimônio. Se querem ferrovias para explorar que as construam. Se vamos fazer ferrovias com dinheiro público, que sejam os brasileiros a serem seus donos. Se não temos capacidade de gerir o que é nosso que não façamos. Tragam os bilhões de dólares que enviaram para o exterior e os invistam no País. Se não querem, deixem-nos em paz , F*dam-se. Empreendam em outras nações e sujeitem-se aos riscos de perderem tudo nas crises, como aconteceu no sonho americano do Lehman Brothers, na Argentina dos Kirchner ou ainda em algum País do Oriente. FHC nunca mais…
Giusepe Rangel
15 de julho de 2014 1:50 pmFerrovia é um investimento
Ferrovia é um investimento muito alto, e como todos sabem os neo-liberais são avessos a envestimentos que tragam retorno a médio e longo prazo.
Por que o setor da telefonia celular é tão cobiçado? Fácil de entender, junta-se um grupo dos amigos do Pincipe, adquirem a concesão a preço de banana, óbvio que tudo financiado pelo BNDS, vão a china, adquirem os equipamentos (baratinho, baratinho), instalam as torres e pronto, a partir dai é só faturar, negócio bom né?
Construir uma ferrovia é mais ou menos como construir uma Hidrelétrica, são várias etapas, que vão desde licenças ambientais a pesadíssimos investimentos, e isso é coisa para gente séria, capaz e com visão de futuro.
Como ao longo de nossa história sempre carecemos de governantes estadista, coube a um Torneiro mecânico e uma ex guerrillheira tocar esse grande desafio.
Alguém tem dúvidas em quem vou votar?