4 de junho de 2026

Sete recomendações do mundo para o futebol brasileiro

Jornal GGN – A inesperada goleada sofrida pela seleção brasileira diante da Alemanha no Mineirão gerou uma avalanche de críticas e reflexões sobre o estado das coisas do futebol brasileiro, tanto dentro quanto fora de campo. Muitas delas vieram de fora do país, e o portal Uol resolveu reunir sete recomendações para mudar o nosso futebol, como aproveitar o bom momento econômico e renovar a formação de atletas e técnicos, entre outras.

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Enviado por Demarchi

Do Uol

7 recomendações do mundo para o futebol brasileiro após o Mineirazo

O desastre no Mineirão que engoliu o Maracanazo, de 1950, do histórico de fracassos do futebol brasileiro abriu discussão mundial sobre o que levou a seleção brasileira ao abismo escancarado pela Alemanha, na goleada por 7 a 1 pela semifinal da Copa do Mundo. A derrocada do time de Luiz Felipe Scolari resultou em uma série de análises que, compiladas, servem para apontar diferentes temas de debate sobre o que CBF, clubes e até o poder público fazem pelo futebol no Brasil.

UOL Esporte reuniu sete recomendações entre algumas publicações de todo o mundo, veiculadas após a eliminação da seleção brasileira. E todas partem de um princípio: o maior vexame da história do futebol brasileiro torna obrigatória a iniciativa por mudanças.

1. Boom econômico? Falta saber aproveitar

O futebol brasileiro percebeu no fim de 2008 – há quase seis anos – que entraria em outro patamar econômico. Corinthians e Ronaldo abriram as portas para uma nova era no país, que se seguiu com significativo aumento nas verbas de TV e publicidade. Consequentemente, os clubes passaram a gastar mais e, nos últimos dois anos, os maiores do país passaram a pagar no mesmo nível de grandes europeus. E não serviu para nada, estruturalmente. É o que escreve o jornalista inglês Tim Vickery, na BBC. A derrota no mineirão derruba o escudo do passado, com o qual o futebol brasileiro se protege há anos. O imenso investimento de clubes em nomes badalados, caríssimos para contratar e manter, tirou espaço de investimento na raiz do esporte e – pior – nem fez com que o Brasil tivesse supremacia no continente. “Essa diferença não é difícil de ser detectada quando se assiste à Copa Libertadores, torneio continental equivalente à Liga dos Campeões”, exemplifica a publicação – não há qualquer clube brasileiro na semifinal do torneio em 2014. Cruzeiro, o melhor, caiu nas quartas.

2. Alemanha fez revolução de base a partir de fracasso

Não foi um vexame como o do Mineirão, mas em 2000 a Alemanha viu uma geração experimentar o total fracasso ao cair na primeira fase da Eurocopa, com duas derrotas em três jogos. O episódio se tornou marco para uma revolução no futebol alemão. “Clubes na primeira e na segunda divisão foram avisados para implementar categorias de base como parte da reorganização da estrutura do futebol nacional. A ideia era ter certeza que a próxima geração de jogadores alemães fosse melhor que a última. Ano a ano, as novas gerações foram equipadas com ferramentas técnicas e cognitivas que vimos desmontar o Brasil no Mineirão”, cita artigo publicado no site da revista norte-americana Slate, assinado por Ken Early.

O mesmo foi dito por Julio Gomes em seu blog no UOL Esporte. A Alemanha não venceu por acaso. “A geração alemã que está na final da Copa é basicamente a primeira fornada de algo planejado. Não tem “geração alemã”, não tem “sorte”. Tem trabalho”.

3. Além de jogadores, é preciso formar professores

A reforma no futebol brasileiro, a partir do Mineirazo, não pode ficar restrita a uma revolução na base de formação de atletas. O Brasil precisa formar melhores treinadores de futebol. No jornal “O Globo”, Carlos Eduardo Mansur cita a disparidade entre o que se ensina de futebol no Brasil e o que se ensina em países como Espanha e Alemanha, nos últimos anos. “Em grande parte, também, pelas limitações de nossos formadores, nossos professores. Falta-nos sofisticação para entender o jogo que se pratica hoje. Questão de cultura, estudo, intelecto”.

4. Camisa não ganha jogo

O pragmatismo do futebol brasileiro se sustentou mesmo com os fracassos nas Copas de 2006 e 2010 porque o talento individual de jogadores como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Neymar serviu como muleta. A impressão de que camisa – com cinco estrelas acima do símbolo da federação nacional – ganha jogo, pulverizada por um 7 a 1 sofrido pelo Brasil jogando em casa. Na “Folha de S. Paulo”, Antonio Prata cunhou o termo “seleção a capela” e escreveu: “Que seja para passarmos a acreditar menos na mágica e mais no trabalho, no treino, no planejamento, enfim, nessa coisa chata chamada realidade”.

No jornal “Lance”, Eduardo Tironi tratou do mesmo tema. Além da necessidade de parar de se acreditar na camisa, é preciso esquecer qualquer ideia que valorize a superação pelo sofrimento, e não o planejamento. “Temos a chance de enterrar um dos maiores males que brotou em nossos campos em tempos recentes: a ideia de que o melhor e muitas vezes único caminho para o triunfo passa obrigatoriamente pela superação e pelo sofrimento”, escreve.

5. Jogar feio não é o caminho

O Brasil fugiu de sua própria identidade nos últimos anos e chegou à Copa de 2014 completamente distinto de sua natureza. A rede alemã Deutsche Welle (DW) apontou detalhes do time de Luiz Felipe Scolari para justificar a transformação completamente equivocada. “Vencer jogando feio, muitos sentiram, seria o caminho do Brasil para vencer o sexto título da Copa do Mundo. Essa abordagem não-brasileira não foi tão evidente em qualquer outra situação quanto nas quartas de final contra a Colômbia quando se decidiu distribuir punição contínua ao destaque James Rodríguez”, destacou artigo assinado por Jefferson Chase.

O espanhol “El País” publicou artigo de opinião argumento sob a mesma base. “É o país do qual saíram Pelé, Garrincha, Tostão, Gerson, Sócrates, Falcão e Zico, gênios que levitavam sobre os campos de futebol e manejavam a bola como um ponto leve de luz. Em seus lugares, Scolari e seus ajudantes construíram uma equipe de estivadores baseados na pancada e na defesa”.

Além de apontar que o jogo feio praticado pela seleção brasileira atual não é o caminho para o sucesso, a antítese, como a Alemanha de 2014 e a Espanha de 2010, revelam-se o contrário. No “Estado de S. Paulo”, Antero Greco mostra que os alemães, um dia estereotipados pelo futebol duro e sem tanta técnica, agora são modelo. Situação inversa à de três décadas atrás. “Depois de 2002, o futebol daqui parou, sentou no trono da soberba, ficou na janela a ver a banda passar. E a banda tocou em outra freguesia, com maestria e afinação”, escreve. Na “Folha”, é acompanhado por Paulo Vinícius Coelho e Tostão, que enxergam no desastre o grande momento da história para resgatar o futebol brasileiro de outras épocas.

6. A reação sob pressão

Não é apenas o choro. Mas a tal “pane geral”, tão falada por Felipão e outros, não acontece por acaso. A seleção demonstrou total descontrole e incapacidade de concentração para reverter uma situação quando percebeu que existia a chance do sonho do título da Copa do Mundo em casa não se concretizar. Jogadores e treinador transformaram uma derrota parcial no pior cenário possível. É o que escreveu Barney Ronay no britânico “The Guardian”. “Jogadores parecem ter fomentado uma histeria coletivia entre eles”, cita a publicação, que fala em diversos momentos sobre flagrantes de um grupo emocionalmente fragilizado.

7. Que se mexa no topo da pirâmide

A Alemanha que venceu por 7 a 1 não fez só uma reforma na formação de jogadores e na qualificação de treinadores de base. Mudou, também, a forma de tratar seus dirigentes. E foi a partir da Copa de 2006, sediada no país. “Se o cartola da CBF falou em ir para o inferno em caso de derrota, esperemos que de lá ele não volte e que os que ficarem por aqui entendam que a derrota tem de servir para fazer desta merecida lição a base para novos tempos, como os alemães fizeram depois da Copa deles, em 2006, no saneamento das finanças dos clubes, na presença dos torcedores nos estádios, na execução do jogo limpo e bonito e na punição aos corruptos, porque corruptos também há por lá, mas punidos sempre que pegos, como aconteceu com o presidente do Bayern de Munique”, escreveu Juca Kfouri, na “Folha de S. Paulo”. 

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

10 Comentários
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  1. altamiro souza

    12 de julho de 2014 3:38 pm

    futebol é mágico por isso –

    futebol é mágico por isso – perdemos de sete a um mas tb já ganhamos vários mundiais dando de goleada, lembrem dos 4 a um no méxico contra a itáilia, que não é qualquer uma, afijnal tem penas um títuloo a menosque o brasil…

  2. Josaphat

    12 de julho de 2014 3:56 pm

    como diz a “sabedoria” popular:

    “num vai dá em nada!”

  3. Ernesto Ramos

    12 de julho de 2014 3:59 pm

    Fifa poder paralelo

    O futebol no mundo, conduzido pela Fifa, é um poder paralelo aos governos com leis e judiciários próprios, exemplo: a Nigéria foi banida da Fifa, face a intervenção do governo. Por ser um poder paralelo, alguns diregentes se sentem acima das próprias leis do estado, mas em alguns paises o estado pune, em outros o estado se intimida frente a este poder.

  4. Ernesto Camelo

    12 de julho de 2014 4:36 pm

    E A ARGENTINA?

    Agora me digam o que há para falar da outra finalista, a Argentina?

    Qual o planejamento no longo prazo do futebol na Argentina?

    Qual a política para retenção de jogadores, uma vez que dos 23 convocados, 19 jogam no exterior?

    Como está a saúde financeira dos clubes argentinos? Falar em boom econômico na Argentina seria até crueldade.

    E a AFA? Julio Grandona é presidente por nove mandatos consecutivos. Foi colocado lá pela ditadura em 1979 e preside a AFA há inacreditáveis 35 anos. É também o vice-presidente da Fifa, e seu filho é sócio da empresa envolvida na venda irregular de ingressos.

    A enorme diferença entre o futebol da seleção Argentina e a do Brasil nesta Copa está na qualidade técnica dos jogadores e na aptidão do seu técnico para formar, treinar e dirigir uma equipe competitiva e emocionalmente equilibrada.

    Não sei quanto isso pode ser levado em consideração, mas há quatro anos o governo de Cristina Kirchner comprou todos os direitos de transmissão dos jogos da primeira divisão, e há dois das demais séries. Os jogos são transmitidos pela tv pública, diferente do monopólio que rola por aqui.

    Não existe supremacia eterna no esporte. Que o diga o Bernardinho com a seleção de vôlei que em 2014 vem perdendo jogos sucessivos, e levou um passeio do Irã na Liga Mundial por antes inacreditáveis 3 X 0.

    Estou com 63, e desde 58 já acompanhei 14 Copas do Mundo. Em algumas, muita alegria, em outras choro e tristeza. A vida é assim.

    Dessa vez, com um time sofrível e um técnico com muitos equívocos, não deu.

    Simples assim.

     

     

     

     

     

     

  5. Anarquista Lúcida

    12 de julho de 2014 5:15 pm

    Haja paciência p/ tantos tópicos s/ futebol!

    Nao temos nenhum outro problema nao? 

  6. Eduardo CPQs

    12 de julho de 2014 7:16 pm

    Por falar em goleada(s)

    Caro Luna e amigos leitores e comentadores,

    esta horrivel goleada espero que sirva mesmo de lição e ponto de partida para uma atualização das nossas organizações,  métodos e práticas no Futebol e em outras modalidades esportivas..

    Afinal, a equipe, já fraca e dirigida com deficiências, perdeu dois dos seus expoentes para aquele jogo e, por consequência, se fez ainda mais insegura.

    Então aqueles segundo e terceiro gols desestruturaram tudo.

    Ainda bem que os alemães foram respeitosos e os nossos não apelaram para a violência.

    Agora, uma historinha antiga:, que começa em 1.957/58, Campeonato Paulista, o Santos já tinha aquele timão e o Palmeiras um time bem fraquinho, que não morria de inanição por dispor do Mazola, menino craque de primeira linha.

    Jogo de campeonato entre os dois. A turminha ouvindo o rádio  de 7 válvulas(!), lá em Ribeirão Preto, todos palmeirenses tremendo de medo da goleada provável.

    E assim foi: final do primeiro tempo, 5 x 2 para o Peixe! Acabou o jogo, não?

    Não! O comentarista Mário Moraes, até para consolar os corações alvi-verdes, talvez, declarou, mais ou menos o seguinte: “Amigos, apesar do dilatado placar, este jogo está tão franco que tudo ainda pode mudar…”

    Proféticas palavras estas. No segundo tempo, o Palmeiras virou o jogo para 6 x 5, acreditam?! No finalzinho do jogo, o bendito Pepe meteu duas azeitonas fumegantes e… 7 x 6 para o Santos! 7 x 6, pode?

    No campeonato do ano seguinte, Brasil já Campeão do Mundo, o Palmeiras tinha vendido o Mazola a um time italiano e montado um esquadrão.

    Campeonato Paulista de 1.958/59, no primeiro turno o Santos goleou de 6! No segundo turno, o Palmeiras devolveu a goleada por uma igual! Este jogo vi como televizinho, em São Paulo.

    No final, todos sabem, as duas equipes terminaram empatadas em pontos. Veio o Supercampeonato, que deu 1 x 1, 2 x 2 e, finalmente, 2 x 1 Palmeiras, com o gol da vitória do carioca Romeiro, de falta. O Laércio nem se mexeu..

    Eu estava lá no Pacaembu.,, com 18 anos!.Passagem inesquecivel da minha vida, literalmente.

    Abraços. .  

  7. Fernando Acosta

    12 de julho de 2014 7:16 pm

    Culpable: Scolari
    Lo cierto es que:  La seleccion de Brasil, no es la selección de los mejores jugadores de Brasil. Responsable: Scolari. El planteamiento pésimo y la alineacion de jugadores que nunca habían jugado juntos frente a Alemania. Responsable: Scolari. Quien cree que por ser Brasil puede ganar, sin prepararse, sin entrenar al máximo: Scolari. Si se recuerda a Brasil de 2002. donde metia un gol y se tornaba a defenderse. Si campeonaron por las jugadores extraordinarios que tenían: Ronaldo, Rivaldo, Ronaldihno, Kaka y otros, que cuando perdían sin esfuerzo podían voltear el partido, pero era un futbol mezquino, el responsable: Scolari Quien fue tan soberbio que creyó que bastaba que hubiese campeonado en el 2002 para campeonar en el 2014, tabn soberbió que ni siquiera estudió a Alemania: Scolari.  Realmente, un entrenador con una visión mediocre, como toda su trayectoria futbolística, que el ha hecho mucho daño al futbol brasileño. Si se ve, despues del 2003, pasó a dirigir a Portugal, donde no ganó nada.  En junio del 2008 lo contrata el Chealsea y lo despiden en febrero del 2009,  En junio del 2009, ficha por  FC Bunyodkor en Uzbequistan en mayo abandonó el club.  A fines del 2010 lo contratan, el Palmeiras habiendo sido campeón lo contrata, y lleva el equipo a la baja, siendo destituido en el 2012.  Y ahora el mineirazo, 7-1 (y pudo ser peor) la peor goleada a una selección brasileña.  Lastima por Brasil, que teniendo tan buenos jugadores por el Felipao haya perdido la posibilidad de su 6ta corona. 

    1. Demarchi

      12 de julho de 2014 11:09 pm

      ‘tão soberbo que sequer estudou a Alemanha” !! 5 estrelinhas !!

              

  8. Francy Lisboa

    12 de julho de 2014 7:21 pm

    Diga para eles que a nossa

    Diga para eles que a nossa capacidade de formar dribladores não se fa com dinheiro e “investimento”. Por mais que a Alemnha tenha goleado, eles nem chegam perto da nossa capacidade artistica do futebol, tanto que vivem importantando adivinhem? Brasileiros.

  9. Jossimar

    12 de julho de 2014 8:21 pm

    Oitavo conselho; Acabem com o

    Oitavo conselho; Acabem com o monopólio da Rede Globo.

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