5 de junho de 2026

Os 80 anos de Edu Lobo, um dos mestres da MPB, por Luís Nassif

Edu compôs clássicos como “Mariana”, que usei de inspiração para batizar minha filha mais velha, e “Beatriz", para batizar minha vice-caçula
Foto: Divulgação

Edu Lobo explodiu muito jovem, vencendo o primeiro festival dos anos 60, o da Excelsior, com “Arrastão”, parceria com Vinicius de Morais, interpretado por Elis Regina. Ganhou consagração nacional, mas não dos entendidos. João Gilberto não gostou. Jacob do Bandolim também não. Elis em Arrastão inaugurava um tique musical dos festivais, o das músicas que visavam jogar o público para frente, terminando em grande final.

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Para muitos, era apenas o filho do grande Fernando Lobo fazendo brincadeiras musicais. Mal sabiam que, no mesmo período, Edu tinha composto uma das mais belas canções da história da música popular brasileira: “Canto Triste”, também parceria com Vinicius.

Jacob só a ouviu anos depois e declarou que não queria morrer antes de gravar a canção. E Edu tinha apenas 23 anos.

Nos anos seguintes, se tornaria um dos campeões dos festivais da Record, especialmente quando venceu um deles com “Ponteio”, parceria com Capinam.

No auge da carreira, decidiu estudar em Los Angeles e voltou trazendo elementos algo villa-lobianos. Compôs alguns clássicos, como “Mariana”, que usei de inspiração para batizar minha filha mais velha – como utilizei “Beatriz”, parceria com Chico, para batizar minha vice-caçula.

Ao longo dos anos, Edu foi construindo sua obra, com os principais letristas do país, Capinam, Vinicius, Chico Buarque, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Dori Caymmi, Marcos Valle, Gianfrancesco Guarnieri, Vianinha.

No início, Edu era acompanhado pelo “Quarteto Novo”, um dos mais bem sucedidos grupos instrumentais do país, com participação de Hermeto, na flauta, Theo de Barros, no violão, Heraldo do Monte, na viola, e Airto Moreira, na percussão.

Em início de carreira entrevistei o grupo, para uma matéria para a Veja. Antes de Edu, o grupo acompanhara Geraldo Vandré. Perguntei a diferença entre trabalhar com um e outro. Era imensa, em parte devido às melodias mais elaboradas de Edu, em grande parte devido ao temperamento de Edu, muito mais equilibrado que o de Vandré.

A influência de Edu foi tão ampla que, lá em Poços de Caldas, montamos um trio, eu no piano, Dudu Pelegrinelli na voz, cujo nome era uma das músicas de Edu Lobo.

Seu maior momento foi um CD com Tom Jobim, um interpretando músicas do outro.

Por alguma razão, há um quarteto de ouro simbolizando o período dos festivais e do que se convencionou batizar de MPB, com Chico, Caetano, Gil e Milton. Evidentemente faltam Edu Lobo e Paulinho da Viola. E, logo na sequência, João Bosco, Ivan Lins e Djavan.

Os coadjuvantes ilustres

O show dos 80 anos de Edu contou com quatro cantores ilustres, dos veteranos aos jovens, como se para demonstrar o dinamismo geracional brasileiro. Cantaram a deusa Mônica Salmaso e Zé Renato e os jovens Vanessa Moreno e Ailton Montarroios.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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