10 de junho de 2026

Ano Novo em Delfos, por Felipe Bueno

Para desalento de quem ainda hoje busca orientação na vida, o templo de Delfos não passa de ruínas e o deus Apolo, coitado, saiu de moda.
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do Observatório de Geopolítica

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Ano Novo em Delfos

por Felipe Bueno

Fossem outros os tempos, épocas em que as relações internacionais davam-se basicamente por meio de idas e vindas pelo Mar Mediterrâneo, poderíamos buscar informação e orientação no oráculo do deus Apolo em Delfos, cidade então considerada o centro do universo, pelo menos pelos posteriormente entendidos como pais da civilização ocidental.

Fôssemos seres humanos preocupados com o futuro, perguntaríamos por exemplo sobre as quedas das cidades-Estado gregas, sobre os limites dos impérios Macedônico e Romano, ou se as tais “invasões bárbaras” realmente arruinariam ou na verdade reconstruiriam a boa e velha Europa.

Hoje as perguntas são outras, mas certamente não menos preocupantes.

Não sabemos ainda de maneira segura como anular a força magnética que atrai a bússola de nações supostamente civilizadas para a extrema-direita da rosa dos ventos da humanidade.

Posta esta questão teórica, sua derivação prática é a manutenção, na superfície, de novos e velhos nomes que não deveriam fazer parte de nenhum debate político sério, mas ainda estão aí, produzindo barulho e gerando séquitos na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina, em Israel, no Oriente Médio, na África.

Em si esses nomes não teriam importância. O problema é que seus seguidores têm direito a voto.

Holanda e Argentina, países que nós brasileiros invejamos por diversas razões, são os mais novos integrantes do universo da intolerância, do radicalismo e do preconceito.

Nada nos permite achar que serão os últimos.

Tudo isso num planeta que ainda tem muitos problemas a resolver. Alguns exemplos:

  • A transformação do Mercosul em um bloco real de nações continua sendo um sonho noventero.
  • O esgarçamento das ligações que unem as nações europeias segue sendo uma ameaça.
  • O desentendimento econômico e social entre nações africanas, produto do contato com a “civilização” europeia branca há séculos, ainda cobra seu preço.
  • O Oriente Médio insiste em permitir sua autodestruição.
  • Israel permanece exercendo seu terrorismo de Estado contra os palestinos. E se você acha isso, pobre ser humano, alguém estará pronto para te chamar de antissemita para o resto de sua existência.

Para desalento de quem ainda hoje busca orientação na vida, o templo de Delfos há tempos não passa de ruínas e o deus Apolo, coitado, saiu de moda. Os oráculos, no entanto, existem aos montes, e nosso papel segue sendo diferenciar os falsos dos confiáveis. Continuaremos nesta luta em 2024.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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